Mercado já vê risco de bolha da IA em Wall Street
Mercado americano vive corrida por ações de IA enquanto analistas discutem risco de nova bolha semelhante à crise da Nasdaq em 2000
A disparada das ações ligadas à inteligência artificial voltou a levantar comparações com a bolha da internet no fim dos anos 1990. O alerta ganhou força depois de novas declarações de Michael Burry, investidor que ficou conhecido por antecipar a crise imobiliária de 2008.
Para ele, o comportamento recente do mercado americano lembra os meses anteriores ao estouro da Nasdaq em 2000, quando empresas de tecnologia acumularam valorizações aceleradas antes de uma queda prolongada.
Burry afirmou que o avanço quase vertical das fabricantes de chips indica excesso de euforia entre investidores. O índice de semicondutores da Bolsa da Filadélfia subiu perto de 70% desde março, impulsionado pela corrida de empresas de tecnologia para ampliar investimentos em inteligência artificial.
A discussão ganhou espaço porque gigantes como Nvidia, Microsoft, Amazon, Alphabet e Meta ampliaram gastos em data centers, chips e infraestrutura digital em velocidade incomum até para os padrões de Wall Street.
Estimativas citadas pela Reuters indicam que as grandes empresas de tecnologia devem investir centenas de bilhões de dólares em IA apenas neste ano.
Mesmo assim, parte dos analistas vê diferenças importantes em relação à bolha da internet. No início dos anos 2000, muitas empresas tinham pouca receita e quase nenhum lucro. Agora, as líderes da corrida pela IA concentram caixa elevado, crescimento consistente e domínio em mercados já consolidados.
Isso não elimina o risco de correção. O próprio mercado começou a questionar se o retorno financeiro da inteligência artificial será suficiente para justificar precificações tão altas.
A empresa mais valiosa do mundo hoje é a fabricante de chips Nvidia, avaliada em 5,71 trilhões de dólares, o equivalente ao PIB da Alemanha e da Argentina somados e mais de duas vezes e meia o do Brasil, segundo dados de 2025.
Oscilações recentes nas ações de software e tecnologia mostraram que investidores passaram a reagir com mais sensibilidade aos custos da expansão da IA e ao prazo necessário para transformar promessa em lucro.
O debate ganhou força fora dos bancos e fundos. Relatórios e pesquisas recentes apontam sinais de exuberância em ações associadas à inteligência artificial, especialmente entre fabricantes de semicondutores.
Outros pesquisadores argumentam que a expansão pode ser explicada pela adoção acelerada de uma nova tecnologia, sem repetir o padrão especulativo da era ponto com. A divergência ajuda a explicar por que Wall Street segue dividida entre quem vê uma transformação duradoura e quem alerta para uma grande correção ou mesmo um estouro de bolha.
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