Como a visita de Trump à China afeta o Brasil
Anúncios comerciais entre China e EUA aumentam preocupação do agronegócio brasileiro com perda de mercado para americanos
A visita de Donald Trump à China e os primeiros anúncios comerciais feitos em Pequim aumentaram a preocupação do agronegócio brasileiro com uma possível retomada das compras chinesas de produtos americanos.
Trump anunciou que Pequim se comprometeu a adquirir mais de 10 bilhões de dólares em produtos agrícolas adicionais, como soja, carne bovina, milho e aves, além de 200 aviões da Boeing e volumes extras de petróleo e gás natural liquefeito. Os dois governos criaram ainda conselhos bilaterais para acompanhar o comércio e os investimentos.
Para o Brasil, o principal risco está no setor agropecuário. A China é, de longe, o maior comprador de soja brasileira e tem peso crescente nas importações de carne bovina e milho.
Qualquer redirecionamento de compras para os Estados Unidos reduz espaço para os exportadores brasileiros. O receio cresceu após o anúncio de renovação das licenças de importação de carne bovina americana durante a visita. Em 2025, o Brasil faturou cerca de 35 bilhões de dólares apenas com soja para o mercado chinês.
Analistas do setor estimam que produtores brasileiros podem perder de 5% a 10% de participação de mercado em grãos e proteínas no segundo semestre de 2026, caso Pequim acelere os contratos com fornecedores americanos. Estados como Mato Grosso, Paraná e Mato Grosso do Sul são os mais expostos.
No segmento de energia, o impacto é misto. A crise no Estreito de Ormuz e a reorganização do comércio internacional de energia tendem a sustentar preços mais altos do petróleo, beneficiando as exportações brasileiras de óleo cru brasileiro, ainda que paguemos mais caro pelos seus derivados refinados importados.
Além disso, a redução temporária de tensões entre Washington e Pequim favorece a estabilidade do comércio internacional de commodities.
Ainda assim, a ausência de avanços profundos em tecnologia, tarifas e acesso a mercados reforça que a rivalidade estrutural entre as duas potências permanece.
Para o Brasil, o quadro exige cautela, com o agronegócio precisando acelerar a diversificação de mercados e ampliar presença em países como Índia, Indonésia, Emirados Árabes e até União Europeia, para reduzir a dependência da China, enquanto monitora de perto os próximos desdobramentos comerciais entre Pequim e Washington.
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Comentários (1)
ISABELLE ALÉSSIO
2026-05-15 12:33:48👀👏🏻🏆