Hotéis americanos frustrados com a Copa do Mundo
Copa de 2026 enfrenta reservas fracas em hotéis dos EUA enquanto ingressos caem no mercado de revenda antes da abertura
Faltando pouco mais de 20 dias para a Copa do Mundo de 2026, ela já provoca um desconforto inesperado nos Estados Unidos. Hotéis em cidades que receberão partidas do torneio relatam reservas abaixo do esperado, enquanto os preços dos ingressos começaram a cair no mercado de revenda.
O contraste entre a expectativa criada pela Fifa e a procura real levantou dúvidas sobre o tamanho do impacto econômico do evento no país.
Um levantamento da American Hotel and Lodging Association mostrou que quase 80% dos hotéis consultados nas 11 cidades americanas da Copa afirmam que as reservas estão abaixo das projeções iniciais.
Em cidades como Kansas City, Seattle e San Francisco, empresários do setor passaram a tratar o torneio como um evento com efeito limitado sobre a ocupação hoteleira. Parte do mercado esperava uma corrida por hospedagem semelhante à observada em edições anteriores da Copa, mas isso não aconteceu até agora.
Apesar do cenário geral desafiador, a situação não é uniforme. Cidades como Atlanta e Miami registram situação melhor, com menos da metade dos hotéis relatando reservas abaixo do esperado.
Entre os principais fatores citados estão os cancelamentos de blocos de quartos garantidos pela FIFA e o maior peso do turismo doméstico. Analistas ainda apontam para a possibilidade de um forte aumento de última hora nas próximas semanas.
Ao mesmo tempo, plataformas de aluguel de curto prazo seguem em alta. Dados de empresas que acompanham Airbnb e Vrbo mostram avanço nas reservas em regiões próximas aos estádios, especialmente entre grupos e famílias que buscam dividir custos. A própria Airbnb lançou programas para atrair novos anfitriões antes do torneio.
Os ingressos, tidos como os mais caros da história das Copas, também começaram a perder valor no mercado secundário. Segundo empresas que monitoram revendas, os preços médios caíram cerca de 24% nas últimas semanas, com algumas partidas ficando abaixo de 100 dólares.
Jogos considerados menos atrativos acumulam milhares de assentos disponíveis, enquanto torcedores reclamam do alto custo de passagens, hospedagem e alimentação.
O cenário ocorre num momento de turismo internacional mais fraco nos Estados Unidos. Mudanças nas regras migratórias, custos elevados e o ambiente político do país passaram a pesar sobre decisões de viagem.
Mesmo com mais de cinco milhões de ingressos vendidos pela Fifa, o mercado ainda tenta entender se a Copa de 2026 vai conseguir atingir o grande impacto econômico prometido desde o anúncio do torneio.
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