Pesquisadores da Columbia Climate School divulgaram, em abril de 2026, um estudo que indica o estágio mais avançado de ruptura continental no Rifte de Turkana, entre o Quênia e a Etiópia, no leste da África.
A descoberta não significa que o continente vá se dividir de forma imediata, mas mostra que a crosta terrestre da região está muito mais fina do que se imaginava e pode evoluir, em milhões de anos, para a formação de um novo oceano.
O que os cientistas descobriram
O estudo, publicado na revista Nature Communications, analisou dados sísmicos de alta qualidade para observar estruturas abaixo da superfície.
Segundo os pesquisadores, a crosta no eixo do Rifte de Turkana tem cerca de 13 quilômetros de espessura, enquanto áreas mais afastadas passam de 35 quilômetros. Essa diferença indica um processo chamado “necking”, quando a crosta se estica, afina e fica mais frágil.
Além disso, a região faz parte do Sistema de Riftes da África Oriental, que se estende da Depressão de Afar, no nordeste da Etiópia, até Moçambique. No trecho de Turkana, as placas Africana e Somali se afastam a cerca de 4,7 milímetros por ano.
Impacto no ambiente
O processo altera a paisagem ao longo de escalas geológicas, com fraturas, subsidência do terreno, vulcanismo e mudanças no relevo.
Essas transformações podem influenciar bacias, lagos, rios e áreas de preservação ao longo do tempo. No entanto, o estudo não descreve um desastre ambiental imediato nem uma ruptura rápida do continente.
Mudança em milhões de anos
De acordo com os pesquisadores, o Rifte de Turkana começou a se abrir há cerca de 45 milhões de anos.
A etapa atual pode levar ainda alguns milhões de anos antes de evoluir para a chamada oceanização, quando magma forma novo assoalho oceânico e a água pode avançar pela região.
Assim, o fenômeno é relevante porque mostra um continente em transformação. Ainda assim, o impacto ocorre em ritmo geológico, não em uma emergência repentina para a população africana.




