"Está cheio de nego maluco no mundo", diz Lula ao comentar investimento em defesa
Petista ainda afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quer tomar a Groenlândia e o Canal do Panamá
O presidente Lula (PT) disse nesta sexta-feira, 26, que há muitas pessoas "malucas" no mundo, ao comentar a necessidade de investimento em defesa no Brasil.
O petista afirmou ainda que vai incluir a defesa em seu programa de governo da campanha à reeleição e que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quer tomar a Groenlândia, o Canadá e o Canal do Panamá.
As declarações foram feitas durante discurso na cerimônia de lançamento e batismo da Fragata "Cunha Moreira", em Itajaí (SC).
"Eu não quero guerra, mas eu também não quero ser pego de surpresa. Eu não quero constatar que eu não tenho nada... eu tenho que me cuidar. Um belo dia, quando ninguém esperava, o Solano López, presidente do Paraguai, invadiu logo de vez Brasil, Argentina e Uruguai", falou o presidente, relembrando a Guerra do Paraguai, no século XIX.
"Está cheio de nego maluco no mundo. Está cheio de nego maluco no mundo. Agora mesmo o presidente americano quer tomar a Groenlândia, o Canadá, que vai virar estado dele, quer tomar o Canal do Panamá. Onde é que nós estamos?", acrescentou.
Trump, de fato, já manifestou interesse em anexar a Groenlândia e o Canadá aos EUA e que o país americano controle o Canal do Panamá.
Indústria de defesa
No discurso, Lula pontuou também que é necessário discutir uma indústria de defesa no Brasil.
"Porque não é possível que a gente não tenha a noção do nosso tamanho, que a gente não tenha a noção da nossa importância na América Latina. Que a gente não tenha a noção que o mar não é uma divisa entre nós e a África. O mar é o que junta nós e a África. E o que podemos prestar de serviço e transferência de tecnologia para esses países. Esse é o papel do Brasil", declarou.
O presidente ressaltou que o mundo vive a maior concentração de conflitos desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
"Então, temos que ter o seguinte: ninguém respeita quem não se respeita. Se nós do Brasil não nos respeitarmos, quem que vai nos respeitar? Quem vai levar a gente muito a sério, apesar da respeitabilidade que as nossas Forças Armadas têm no mundo".
O petista ainda afirmou que, nas conversas com os comandantes das Forças Armadas, tem defendido que o país construa um projeto estratégico.
"Para que as pessoas saibam que nós não queremos briga com ninguém. Não queremos invadir ninguém, não queremos guerra com ninguém, mas que nós estaremos preparados para defender os nossos 8,5 milhões de km² e 215 milhões de habitantes".
Na sequência, ele citou a inclusão da defesa em seu programa de governo: "Eu quero que vocês saibam que fará parte do meu programa de governo a questão da defesa. Pela primeira vez, eu vou colocar a questão da defesa nacional num programa de governo. Que é para a gente poder assumir compromisso público com que tipo de defesa a gente vai querer neste país".
Ele argumentou também que, embora tenha votado pela não proliferação de armas nucleares no Brasil durante a elaboração da Constituição, porque havia um compromisso de países desativarem suas armas nucleares, desde então diferentes nações se armaram com essa tecnologia.
Além disso, "a Rússia e os Estados Unidos continuam fabricado cada vez mais armas nucleares". "E nós, até outro dia, a nossa indústria da defesa estava praticamente quebrada", acrescentou.
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