Crusoé nº 429: Selo Nunes Marques de Qualidade
TSE alimenta a tradicional desconfiança em relação às pesquisas eleitorais. E mais: A última carta e Os fantasmas que assombram os pré-candidatos
Cerca de vinte empresas realizam atualmente pesquisas de intenção de voto para presidente no Brasil. Quando se consideram também as disputas estaduais, o número sobe para 35.
Trata-se de um mercado maduro, em que companhias disputam clientes e fazem parcerias com veículos de imprensa, oferecendo diferentes metodologias e análises.
Mas o Brasil sempre consegue estragar tudo.
Nas eleições de 2022, quando pesquisas eram publicadas ao ritmo de três por semana, os bolsonaristas atacaram os institutos, dizendo que valia mais confiar no “Datapovo” — uma expressão que engloba tanto as aglomerações com que Bolsonaro era recebido em eventos quanto enquetes organizadas por simpatizantes ou meros curiosos.
Desta vez, o bolsonarismo voltou a desacreditar os institutos de pesquisa, contando com a contribuição relevante do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques.
Em junho, Nunes Marques suspendeu a divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel, que mostrava uma queda do candidato Flávio Bolsonaro (Nunes Marques, vale lembrar, foi indicado ao STF por Jair Bolsonaro, pai do senador).
Na segunda, 13, o magistrado propôs a criação de um “selo de acurácia eleitoral” para premiar os levantamentos que mais se aproximam do resultado das urnas.
Além de confundir o recorte científico de um momento específico com bola de cristal, o “Selo Nunes Marques de Qualidade” amplia o intervencionismo da Corte no processo eleitoral e pode gerar distorções, caso empresas alterem suas metodologias só para ganhar a benção do TSE, dizem Duda Teixeira e Wilson Lima na reportagem de capa de Crusoé desta semana.
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