A Federação Alemã de Futebol (DFB) anunciou oficialmente que não assinará a carta de apoio à reeleição de Gianni Infantino à presidência da FIFA, marcando um dos primeiros rompimentos abertos de uma potência europeia com o dirigente suíço.
A decisão, confirmada nesta semana, ocorre em meio a uma crise desencadeada pela interferência política no caso do atacante americano Folarin Balogun durante a Copa do Mundo de 2026.
Ruptura
A recusa da DFB foi confirmada por seu presidente, Bernd Neuendorf, após reportagens do jornal alemão Bild. Segundo apurações, um diretor da FIFA, Elkhan Mammadov, visitou as 16 federações europeias participantes do Mundial nos EUA, Canadá e México para solicitar assinaturas que viabilizem a candidatura de Infantino ao quarto mandato, a ser votada no Congresso de março de 2027, em Rabat.
Enquanto várias associações cederam à pressão inicial, a DFB manteve-se firme. “A DFB não assinou uma carta de apoio à reeleição de Gianni Infantino”, declarou a entidade em nota, acrescentando que “outras medidas serão discutidas na diretoria”.
De acordo com analistas, a reação da DFB foi “esperada”, sendo resultado de um desgaste, com Neuendorf distanciando-se publicamente de Infantino, especialmente após o episódio que envolveu a anulação controversa de um cartão vermelho.
Atitudes suspeitas na Copa foram o estopim
A tensão entre a entidade alemã e a FIFA atingiu o ponto de ruptura devido ao tratamento dado ao caso de Folarin Balogun. O atacante dos Estados Unidos havia recebido um cartão vermelho direto na vitória por 2 a 0 sobre a Bósnia e Herzegovina, o que acarretaria suspensão automática para as oitavas de final contra a Bélgica.
No entanto, em uma movimentação sem precedentes, a suspensão foi anulada pela comissão disciplinar da FIFA pouco antes da partida decisiva. Acontece que o presidente estadunidense, Donald Trump, realizou uma ligação telefônica direta para Infantino solicitando a revisão da punição.
Embora a FIFA e Infantino neguem que a decisão tenha sido influenciada politicamente, a coincidência temporal e a admissão de Trump geraram indignação generalizada na Europa.
A UEFA criticou duramente a conduta, afirmando que um limite inquestionável foi ultrapassado. A Seleção Belga, prejudicada diretamente, chegou a investigar opções legais, classificando a decisão como uma contradição direta às regras do torneio. Para a DFB, o processo não pode ser simplesmente arquivado, visto como um precedente perigoso para a integridade esportiva.
Pressão até no Comitê Olímpico
As ramificações do caso estenderam-se além dos gramados. A organização de direitos humanos FairSquare apresentou uma denúncia formal de 10 páginas ao Comitê Olímpico Internacional (COI) contra Infantino, que ocupa um assento no colegiado por força de seu cargo na FIFA.
A acusação central viola as normas de neutralidade política, citando a proximidade com Trump e a participação em conselhos políticos como fatores impeditivos para sua permanência em cargos que exigem isenção.







