Crusoé nº 412: Os donos da bola
Família Mendes projeta poder sobre a CBF, que ameaça atrapalhar a organização do futebol brasileiro. E mais: Final melancólico e De faccionados para terroristas
Gilmar Mendes ajudou a moldar a política brasileira nas últimas décadas, com uma disposição nunca antes vista no Supremo Tribunal Federal (STF) para "conversar com todo os lados", como ele próprio já admitiu.
Essa disposição parece ter se estendido nos últimos anos para os campos de futebol.
O decano do STF teve atuação decisiva na tentativa de Ednaldo Rodrigues de se manter na presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), com decisões que beneficiaram o cartola.
A atuação de Gilmar no caso de Ednaldo gerou questionamentos sobre conflito de interesses, já que a CBF mantém desde agosto de 2023 contrato com o IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa) para oferecer cursos certificados pela CBF Academy.
Gilmar é sócio do IDP, que tem como diretor-geral Francisco Schertel Mendes, seu filho, e despachou uma liminar favorável a Ednaldo em janeiro de 2024, para mantê-lo no cargo contra decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ).
Em fevereiro de 2025, o decano do STF homologou um acordo que encerrou parte da disputa e reconheceu a eleição de Ednaldo. Meses depois, em maio daquele ano, Gilmar despachou mais uma vez para negar o afastamento do então presidente da CBF, numa decisão que foi interpretada como um lavar de mãos, pois entregou o destino do cartola ao tribunal do Rio de Janeiro.
Ednaldo sucumbiu a uma série de processos judiciais e saiu de cena naquele mesmo maio de 2025. Mas Gilmar e Francisco seguem em campo. Pelo que se comenta no mundo futebolístico brasileiro, aliás, o ministro do STF e seu filho só ampliaram a influência na CBF desde então, diz Rodolfo Borges em "Os donos da bola", a reportagem de capa de Crusoé.
Outros destaques de Crusoé
Na matéria "Final melancólico", Guilherme Resck e Paulo Melo contam que a CPMI do INSS encerra os trabalhos após várias sessões canceladas e com críticas de todos os lados.
O relator — deputado Alfredo Gaspar —, o presidente e outros parlamentares pediram ao presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre, a prorrogação, mas não deu certo.
Na reportagem "De faccionados para terroristas", João Pedro Farah mostra que os Estados Unidos ameaçam recrudescer o combate ao PCC e ao Comando Vermelho (CV) para reduzir mortes pelo uso de drogas, classificando as facções brasileiras como organizações terroristas estrangeiras.
O governo Lula é contra.
Colunistas
Privilegiando o assinante de O Antagonista+Crusoé, que apoia o jornalismo independente, também reunimos nosso timaço de colunistas.
Nesta edição, escrevem Roberto Reis (A lógica da zebra), Leonardo Barreto (Por que não estamos vendo um repeteco da Lava Jato?), Bruno Soller (Os desafios do próximo presidente do Peru), Márcio Coimbra (Soberania em xeque), Izabela Patriota (Ao STF o que é do STF), Clarita Maia (A Corte Interamericana enfrenta o perigo das reeleições), Josias Teófilo (A maior de todas as damas), Rodolfo Canônico (Onde mora a doutrinação), Dennys Xavier (Décadas e décadas perdidas) e Rodolfo Borges (O vilão Abel Ferreira).
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