Você pode até achar que um pássaro mal percebe quem passa na rua. Mas, se o encontro for com um corvo, talvez seja melhor manter boas maneiras. Estudos científicos mostram que essas aves são capazes de reconhecer rostos humanos e guardar na memória quem as tratou mal. Em alguns casos, a lembrança pode durar anos.
Pesquisas sobre o comportamento dos corvos revelam que eles possuem uma inteligência surpreendente. Um experimento publicado na ScienceDirect, mostrou que essas aves conseguem diferenciar pessoas específicas e associar cada rosto a experiências positivas ou negativas. Ou seja, se alguém representa uma ameaça para o animal, há grandes chances de ele nunca esquecer.
Sobre o estudo
O estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade de Washington, liderados pelo cientista John Marzluff. Durante um experimento, alguns corvos foram capturados por pesquisadores que usavam uma máscara específica.
Após serem soltos, as aves passaram a reagir de forma agressiva sempre que viam alguém usando aquela mesma máscara. O mais surpreendente é que o comportamento persistiu por anos, indicando que os corvos memorizaram o “rosto perigoso” associado à experiência negativa.
Com o tempo, a reação não ficou restrita apenas aos corvos que participaram da captura. Outros indivíduos do grupo também começaram a demonstrar hostilidade ao ver a máscara, sugerindo que a informação sobre a ameaça foi compartilhada entre eles.
Rancor que pode durar anos
De acordo com o estudo, a ave tem uma rápida aprendizagem e, assim, consegue reconhecer o rosto de uma pessoa que representa perigo para ela. Essa memória pode durar pelo menos 2 anos e 7 meses. Durante esse período, os corvos podem continuar alertando outros membros do bando sobre quem representa perigo.
Esse comportamento faz parte de um conjunto de habilidades cognitivas avançadas que tornam os corvos alguns dos animais mais inteligentes do planeta. Além de reconhecer rostos humanos, eles também demonstram capacidade de resolver problemas, usar ferramentas e até aprender observando outros indivíduos.
Em uma publicação realizada em 2018, por exemplo, foi revelado que uma equipe internacional de cientistas do Instituto Max Planck de Ornitologia e da Universidade de Oxford, que o Corvo-da-nova-caledônia consegue combinar várias peças curtas para formar uma ferramenta mais longa e alcançar comida em uma caixa experimental. O comportamento foi observado sem treinamento prévio, indicando capacidade de planejamento e resolução de problemas.
Uma inteligência rara no mundo animal
Os cientistas acreditam que essa habilidade está ligada à estrutura cerebral dessas aves. Os corvos pertencem à família dos corvídeos, conhecida por apresentar capacidades cognitivas complexas e comportamentos sociais sofisticados.
Na prática, isso significa que, para um corvo, cada pessoa pode ser identificada quase como um indivíduo específico dentro de seu ambiente. E se a experiência com aquele humano for negativa, o animal provavelmente vai se lembrar e avisar os amigos.
Em outras palavras: quando se trata de corvos, causar uma má impressão pode ter consequências por muito mais tempo do que você imagina.





