Jefferson Rudy/Agência Senado

CPI quer ouvir Anvisa sobre pressão de empresa que negociou Covaxin

01.07.21 07:32

Vice-presidente da CPI da Covid, Randolfe Rodrigues quer ouvir a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa, sobre eventual pressão da Precisa Medicamentos pela aprovação da Covaxin, vacina contra o novo coronavírus desenvolvida pelo laboratório indiano Bharat Biotech.

O parlamentar propôs uma nova convocação do diretor-presidente da agência, Antonio Barra Torres (foto), e de Gustavo Mendes Lima Santos, gerente-geral de Medicamentos e Produtos Biológicos da autarquia, para indagá-los sobre a postura da empresa diante do processo de submissão contínua do imunizante.

Os requerimentos ainda precisam ser pautados pelo presidente da CPI, Omar Aziz, e aprovados pela maioria do colegiado.

O pedido de convocação deu-se porque, em março, Barra Torres enviou ofício ao Ministério da Saúde para se queixar sobre o contato direto da Precisa com a Anvisa, o que, segundo anotou, poderia provocar um “tumulto no processo. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo e confirmada por Crusoé.

A abordagem está na esteira de indícios de irregularidades na negociação entre a Precisa e o Ministério da Saúde por 20 milhões de doses da Covaxin ao custo de 1,6 bilhão de reais. Francisco Emerson Maximiano, sócio-administrador da empresa, que atua como intermediária da Bharat no Brasil, prestará nos próximos dias depoimento à CPI pela primeira vez.

Os termos do acerto estão sob os holofotes desde a semana passada, quando o deputado federal Luis Claudio Miranda e o irmão dele e servidor do Ministério da Saúde, Luis Ricardo Miranda, relataram à imprensa e a CPI terem alertado Jair Bolsonaro, em março de 2020, sobre indícios de corrupção na negociação. De acordo com o parlamentar, ao ouvir os detalhes, o presidente teria alegado que o esquema era “coisa” do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros.

Àquela época, o funcionário público havia identificado irregularidades em notas fiscais e se recusado a assiná-las, barrando a importação. Luis Ricardo notou, por exemplo, que o recibo estabelecia o pagamento antecipado à Madison Biotech, uma offshore ligada à Bharat e sediada em um “paraíso fiscal“, cujo nome não constava do contrato.

Além disso, em entrevista exclusiva a Crusoé, o deputado Luis Miranda afirmou que, em nome da Precisa, o lobista Silvio Assis o ofereceu, em maio, o pagamento de propina, caso deixasse de impor obstáculos à importação da vacina indiana.

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  1. Bolsonaro não queria comprar a vacina da Pfizer. Bolsonaro pegou os bilhões dos nossos impostos e comprou vacinas boas para o Esquema de Corrupção, que o governo dele montou. Vacinas essas de baixa ou nenhuma qualidade, já que ainda não foram aprovadas, e bem mais caras, para poder equacionar às propinas. Na cabeça desses corruptos, era comprar e depois forçar a Anvisa a aprovar, e então aplicá-la no braço do brasileiro. Eles, os corruptos, fariam como o Wizard, iriam se vacinar nos USA.

    1. Defender bandido em roupagem de honesto é muito feio.

    2. Maria, se essa cpi circense fosse composta por pessoas probas, certamente os convocados não se manteriam calados, porém se explicar sobre corrupção com os membros dessa corja, não tem nem porque.

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