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Como Trump transformou a presidência em negócio bilionário para sua família

Família Trump lucrou 2,3 bilhões de dólares com criptomoedas, o mesmo valor perdido por mais de 1 milhão de pequenos investidores

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José Inácio Pilar
4 minutos de leitura 01.07.2026 09:30 comentários 0
Como Trump transformou a presidência em negócio bilionário para sua família
Imagem: IA José Inácio Pilar
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O mais recente balanço financeiro de Donald Trump, divulgado nesta terça-feira ao Gabinete de Ética Governamental dos Estados Unidos, revelou que o presidente embolsou mais de 1,4 bilhão de dólares somente com criptomoedas em 2025, de longe sua maior fonte de renda pessoal no primeiro ano do segundo mandato.

O documento, com 927 páginas, mostra que o petróleo digital já superou os ganhos tradicionais com hotéis, campos de golfe e imóveis comerciais, que por décadas sustentaram a fortuna da família.

Mais de 500 milhões de dólares vieram da venda de tokens pela World Liberty Financial, empresa cripto lançada pelos filhos do presidente, Eric e Donald Trump Jr., com o próprio mandatário listado como "cofundador emérito".

Outros 635 milhões surgiram de royalties de um grupo chamado "Celebration Coins", ligado ao negócio de moedas de meme do presidente, cujo token principal chegou a valer 74 dólares no lançamento e hoje virou pó, cotado a menos de 2 dólares. Para efeito de comparação, o último balanço patrimonial do ex-presidente Barack Obama tinha oito páginas, e o de Joe Biden, 11.

O que chama a atenção é o contraste gritante dos ganhos de Trump com quem investiu nesses produtos. Uma apuração da Reuters mostrou que Trump e seus filhos arrecadaram ao menos 2,3 bilhões de dólares em lucro com quatro projetos cripto da família desde que ele reassumiu a Presidência, exatamente o mesmo valor perdido, no total, por mais de um milhão de pequenos investidores que compraram esses ativos.

Segundo a reportagem, o padrão se repete: os Trump arriscam muito pouco do próprio patrimônio, os filhos promovem e vendem o produto, o dinheiro entra com a euforia dos compradores e, quando o preço desaba, quem sai perdendo é o investidor.

Paralelamente, o governo Trump flexibilizou a fiscalização do setor: sancionou uma lei de regulação de stablecoins, criou uma reserva estratégica de bitcoin e reduziu a fiscalização da SEC (a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos) e do Departamento de Justiça sobre criptoativos.

Esses movimentos beneficiam diretamente os negócios da própria família. A Casa Branca nega qualquer conflito de interesses. A porta-voz Anna Kelly afirmou que "não há conflitos de interesse" e que as políticas visam apenas fortalecer a inovação americana.

Mas a concentração de poder regulatório e fortuna pessoal nas mãos de quem ocupa a Casa Branca levanta uma questão incômoda: até que ponto decisões de governo estão sendo moldadas para inflar os lucros do clã presidencial, enquanto milhões de cidadãos comuns arcam com o prejuízo?

Além disso, o cenário se complica com parcerias da World Liberty Financial com entidades estrangeiras, como um fundo ligado aos Emirados Árabes Unidos que aportou centenas de milhões antes da posse, e conexões com plataformas como a Binance, cujo fundador foi beneficiado por um perdão presidencial.

Documentos e reportagens apontam que investigações federais contra certos agentes do setor cripto foram pausadas ou encerradas em meio à flexibilização regulatória promovida pelo governo, enquanto a opacidade típica dos criptoativos dificulta o rastreamento completo de participações indiretas e possíveis questionamentos éticos, inclusive quanto à Cláusula dos Emolumentos da Constituição americana, que proíbe um presidente de receber vantagens financeiras de governos estrangeiros.

Essa teia de relações reforça questionamentos sobre a separação entre decisões regulatórias e interesses privados, em um setor que o próprio presidente passou a promover ativamente após anos de críticas.

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