Barroso prorroga inquérito e PF vai ouvir líder do governo Bolsonaro

23.11.20 18:39

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, acatou o pedido da Polícia Federal e autorizou a prorrogação por mais 60 dias do inquérito que investiga o senador Fernando Coelho Bezerra (foto), líder do governo Bolsonaro no Senado.

A decisão de Barroso também abriu caminho para que a PF tome o depoimento de Bezerra Coelho. O depoimento é considerado uma das últimas diligências da apuração. A oitiva ainda não foi agendada, mas deve ser realizada nas próximas semanas assim que o inquérito retornar à PF.

A investigação tem origem no acordo de colaboração premiada do agiota João Carlos Lyra, apontado como operador financeiro de empreiteiras da região Nordeste. Em um dos anexos de seu acordo, Lyra narrou como ele e dois outros operadores participaram do pagamento de propina para Bezerra Coelho e seu filho, Fernando Bezerra Coelho Filho, ex-ministro de Minas de Energia do governo Michel Temer e atual deputado federal pelo DEM. O conteúdo da delação foi revelado por Crusoé em sua edição de número 57.

Os delatores afirmam que os valores repassados à família Bezerra Coelho tinham como origem as empreiteiras OAS, Barbosa Mello, S.A Paulista e Constremac Construções e eram uma contrapartida a contratos públicos celebrados por elas quando o líder de Bolsonaro era ministro da Integração Nacional, entre 2011 e 2013, durante o governo Dilma Rousseff, do PT.

Ainda segundo o delator, os repasses de propina estariam atrelados às obras da Transposição do Rio São Francisco, do Canal do Sertão, da Rodovia PE-60 e do Píer Petroleiro de Suape. Bezerra Coelho teria recebido cerca de 5,5 milhões de reais em propina.

“O esquema contava também com a participação de grandes empreiteiras do país e tinha por objetivo garantir a manutenção dos seus negócios com o poder público por meio do pagamento de vantagens pecuniárias indevidas a servidores públicos e agentes políticos”, afirmou o procurador-geral da República, Augusto Aras, ao concordar com a prorrogação da investigação.

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  1. Está difícil acreditar no avanço das ações contra a corrupção no País. O STF não funciona, o STJ diante das últimas investigações, mostrou ser um órgão praticante do ato de corrupção. Os três poderes perderam totalmente a credibilidade, devido aos que ali estão atuando. Esse aparelhamento das instituições, está levando o País, a um caos que parece ser irreversível.

    1. É o que eu penso também! Todos os poderes , ijncluindo PGR estão há anos luz da dignidade e decência.

    2. Uma hora um general, daqueles que comandam os tanques, resolve botar o "bloco" na rua. Já aconteceu antes...

  2. Aras deixou passar por que já sabe que vai parar (no sentido de não condenar) no STF. Aposto que Gilmar Mendes, Dias Tófoli, Levandovisk e o companheiro de tubaina do Bolsonaro, dão um jeitinho nisso. Querem apostar? Eu gostaria de perder...

  3. Pena que o trabalho da valorosa PF se desfaz quando o processo chega na justiça, principalmente pelos ministros garantistas, agora piora com a nomeação do Kássio.

    1. Lucia, você como pitonisa é um assombro. Que maravilha de previsão, será o melhor dos cenários. Oremos para que se concretize.

    2. E Bolsonaro ainda vai nomear mais um Ministro para o STF, que deve continuar na linha de Kassio. Se Bolsonaro for reeleito, serão nomeados mais dois Ministros. O Brasil não merece essa tragédia. Lamentável!!!

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