Os trechos problemáticos da carta de Flávio Bolsonaro aos EUA
Em mensagem ao Representante de Comércio, senador pede o adiamento do tarifaço para não gerar "ganhos eleitorais" para Lula
O senador Flávio Bolsonaro (foto), pré-candidato do PL ao Palácio do Planalto, enviou uma carta ao governo dos Estados Unidos na quinta, 2.
Flávio irá participar em Washington de uma audiência pública na terça, 7, como parte da investigação da Seção 301, que averigua se o Brasil tem adotado práticas que prejudicam empresas americanas.
O ponto mais polêmico da carta é aquele em que o filho de Jair Bolsonaro pede ao governo de Donald Trump para aguardar 180 dias para iniciar um tarifaço a produtos brasileiros.
"Juntamente com a suspensão das ações propostas, o comentarista [Flávio Bolsonaro] sugere um mecanismo de reversão automática de 180 dias, prorrogável por mais 90 dias caso as negociações demonstrem boa-fé e progresso concreto. O governo atual teria esse período para se engajar em negociações de boa-fé, sem a perspectiva de ganhos eleitorais, ou enfrentar as consequências da retomada dessas ações", diz o texto.
Dessa maneira, Flávio coloca os seus interesses eleitorais em primeiro lugar.
Isso porque ele pede um adiamento nas medidas americanas, alegando que é importante evitar gerar "ganhos eleitorais" para Lula.
Outros trechos complicados são os em que Flávio promete tomar medidas benéficas para os Estados Unidos no ano que vem, caso venha a ser eleito este ano.
Ele, por exemplo, promete não conectar o Pix com sistemas "não ocidentais".
"O sinal decisivo — um compromisso legislativo de que o Pix não será interconectado a arranjos de liquidação transfronteiriça não ocidentais", afirma a carta.
Em outro, ele fala em libertar o Brasil "das amarras do Mercosul" para fazer acordos diretamente com os Estados Unidos.
"Caminhos para a remediação. Buscar de forma incisiva meios de estabelecer acordos bilaterais que estimulem o comércio e o investimento entre ambas as nações. O Brasil busca formas de se libertar das amarras do Mercosul que impediram governos anteriores de realizar tais negociações com os Estados Unidos. O caminho trilhado pela Argentina de Javier Milei oferece um precedente útil que o comentarista está empenhado em examinar e seguir", afirma o texto.
Flávio, contudo, promete aquilo que talvez não tenha condições de cumprir, uma vez que as pesquisas têm mostrado que ele não teria condições de vencer Lula no segundo turno.
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