A jogada errática de Lula ao indicar – de novo – Messias ao STF
Mais uma vez, o presidente Lula prefere escutar seus puxa-sacos de plantão e deixar a sensatez de lado ao indicar novamente o atual AGU
Há algo de profundamente brasileiro — e não no bom sentido — na insistência de Lula em reenviar o nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) depois da derrota histórica no Senado.
Mais uma vez, o presidente Lula prefere escutar seus puxa-sacos de plantão e deixar a sensatez de lado. Nas últimas semanas, o petista ouviu – e não apenas de um, mas de vários ‘amigos’ – que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), está acuado, ferido, desprestigiado junto a setores do Poder Judiciário.
Na visão de Lula – e seus asseclas -, é hora de ferir novamente Alcolumbre. “Agora Messias consegue ser aprovado”, dizem os aliados mais próximos do petista.
Um engano retumbante. Alcolumbre pode estar ferido, mas não está morto. Uma indicação de Jorge Messias tende a ser, novamente, rejeitada pelo Senado. E pode se tornar uma pedra no sapato frente a outra pauta defendida com unhas e dentes por Lula: a PEC que acaba com o regime de trabalho 6x1, aprovada nesta semana na Câmara e que ainda passará pelo crivo do Senado.
Mas há um homem que pode ajudar Lula nessa missão de emplacar Messias no STF: Rodrigo Pacheco (PSD), ex-presidente do Senado.
Pacheco afirmou nesta sexta-feira que vai encerrar sua carreira política. Cansado e sem um palanque consistente em Minas, o ex-presidente do Senado confirmou aquilo que se cogitava há alguns meses. Após anos de vida pública, chega o momento de ele fazer “sua aposentadoria” na iniciativa privada. Dizem os próximos que Pacheco está animadíssimo com esse movimento. Outros colegas de parlamento, como o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia, por exemplo, seguiram esse caminho. Maia, dizem, está mais feliz do que nunca.
O que poderia fazer Pacheco mudar de ideia? Simples: uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU). Especula-se desde o início de 2026 que o ministro Augusto Nardes poderia largar a Corte e antecipar a sua aposentadoria. Caso esse movimento ocorra ainda neste ano, o governo Lula poderia se comprometer a apoiar incondicionalmente Pacheco para emplacar Messias no STF. A aposentadoria compulsória de Nardes ocorre apenas no ano que vem.
É uma jogada, embora ela dependa ainda de várias peças para que venha a se tornar realidade. A primeira peça é justamente Nardes. Afinal de contas, sem vaga no TCU, não faz muito sentido em se discutir qualquer articulação para o STF.
Sem vaga, sem apoio, sem cargo e sem emendas, Lula, mesmo assim, vai insistir na indicação de Messias. Talvez Lula esteja apostando que a repetição transformará a resistência em constrangimento. Talvez acredite que o gesto reafirma sua autoridade. Mas existe uma hipótese mais provável: Lula perdeu a noção da realidade.
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