“Humilhação nacional”, diz Renan Santos sobre ação dos EUA no Brasil
Renan classificou a iniciativa como uma demonstração de fraqueza e afirmou que o combate às facções deve ser conduzido pelo Brasil
O pré-candidato à Presidência da República pelo Partido Missão, Renan Santos, criticou duramente o senador Flávio Bolsonaro (PL) após a divulgação de articulações junto ao governo norte-americano para que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) sejam classificados como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
Renan classificou a iniciativa como uma demonstração de fraqueza institucional e afirmou que o combate às facções criminosas deve ser conduzido pelo próprio Estado brasileiro, sem dependência de governos estrangeiros.
“Quem tem que destruir o PCC e o Comando Vermelho é o Brasil. É humilhante para o país precisar recorrer aos Estados Unidos para resolver problemas internos”, declarou.
Segundo o presidente da Missão, a busca por apoio externo para enfrentar o crime organizado representa uma “terceirização das responsabilidades nacionais” e enfraquece a posição do Brasil no cenário internacional.
“O Brasil nasceu para ser a principal força da América do Sul. Quando uma liderança política precisa pedir ajuda a outro país para enfrentar organizações criminosas que atuam dentro do próprio território nacional, isso demonstra falta de confiança na capacidade das nossas instituições”, afirmou.
O pré-candidato também associou a postura de Flávio Bolsonaro a episódios anteriores envolvendo a relação da família Bolsonaro com os Estados Unidos, criticando o que considera uma excessiva dependência política e estratégica em relação a Washington.
“É mais um capítulo da política de pedir que outros resolvam os problemas que deveriam ser enfrentados pelas autoridades brasileiras. O combate ao crime organizado exige coragem, inteligência e ação do Estado brasileiro, não a transferência dessa responsabilidade para governos estrangeiros”, disse.
Renan ainda afirmou que o episódio evidencia a necessidade de uma política nacional de segurança pública mais robusta e de maior protagonismo do Brasil no enfrentamento das organizações criminosas que atuam no país.
O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, também pregou cautela diante da decisão do departamento de Estado do governo Donald Trump.
Em nota oficial, o parlamentar ressaltou que a segurança pública é uma das principais preocupações da população e disse apoiar iniciativas voltadas à proteção dos cidadãos e ao enfrentamento das facções criminosas.
“PCC e Comando Vermelho são organizações criminosas que desafiam o Estado, avançam sobre fronteiras, movimentam recursos ilícitos e impõem medo à população. O Brasil precisa enfrentá-las com firmeza, inteligência, integração entre forças de segurança e cooperação internacional”, disse Trad.
Em comunicado oficial divulgado nesta quinta, o secretário de Estado de Trump, Marco Rubio, afirmou que a classificação do PCC e co CV como “Terroristas Globais Especialmente Designados” visa dar ferramentas para proteger "interesses de segurança nacional".
“O governo Trump continuará a usar todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação e nossos interesses de segurança nacional, mantendo as drogas ilícitas longe de nossas ruas e interrompendo o fluxo de receita que financia narcoterroristas violentos”, afirmou Rubio.
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