Crusoé
29.05.2026 Fazer Login Assinar
Crusoé
Crusoé
Fazer Login
  • Acervo
  • Edição diária
Edição Semanal
Pesquisar
crusoe

X

  • Olá! Fazer login
Pesquisar
  • Acervo
  • Edição diária
  • Edição Semanal
  • Entrevistas
  • O Caminho do Dinheiro
  • Ilha de Cultura
  • Leitura de Jogo
  • Poder
  • Colunistas
  • Assine já
    • Princípios editoriais
    • Central de ajuda ao assinante
    • Política de privacidade
    • Termos de uso
    • Política de Cookies
    • Código de conduta
    • Política de compliance
    • Baixe o APP Crusoé
E siga a Crusoé nas redes
Facebook Twitter Instagram
Diários

Asfixia financeira

O grande mérito prático da dupla classificação dos EUA é deslocar o combate a essa criminalidade da tradicional e inócua guerra de atrito urbano para uma guerra financeira de alta intensidade contra o topo da pirâmide criminosa

avatar
Márcio Coimbra
5 minutos de leitura 29.05.2026 11:12 comentários 0
Asfixia financeira
Donald Trump. Foto: Casa Branca/Daniel Torok
  • Whastapp
  • Facebook
  • Twitter
  • COMPARTILHAR

A decisão do governo dos Estados Unidos de enquadrar as duas maiores facções criminosas brasileiras — o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) — no regime jurídico de combate ao terrorismo internacional representa o maior divisor de águas geopolítico da segurança pública sul-americana.

Longe de ser mero formalismo diplomático ou gesto retórico, o anúncio feito pelo Departamento de Estado ativa um arsenal de sanções econômicas extraterritoriais que atinge o crime organizado exatamente onde ele é mais vulnerável: na sua infraestrutura financeira e no ocultamento global de seus ativos bilionários.

O pacote de medidas americano opera por meio de duas classificações jurídicas distintas e complementares, cujos impactos combinados sufocam a operação logística e comercial das facções.

A primeira delas é a inclusão automática dos grupos na lista de Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT, na sigla em inglês), gerenciada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Tesouro dos EUA.

A designação como SDGT foca no bloqueio imediato e congelamento de quaisquer bens, contas bancárias ou propriedades imobiliárias que as facções ou seus laranjas possuam em território americano ou em instituições sob jurisdição dos EUA.

A segunda, e ainda mais severa camada, é a classificação das facções como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO). Enquanto o selo de SDGT congela ativos, o status de FTO torna crime federal nos EUA o fornecimento de qualquer apoio material, recursos financeiros, treinamento, armas ou serviços logísticos a essas entidades.

Sob o guarda-chuva de uma FTO, o cerco se estende globalmente: qualquer instituição financeira do planeta que queira manter relações com o mercado americano e utilizar a rede internacional de pagamentos fica obrigada a rejeitar e reportar fundos associados às facções brasileiras.

A legitimidade dessa classificação americana encontra eco na própria realidade factual do Brasil.

Embora PCC e CV tenham nascido como quadrilhas de narcotráfico, a evolução de suas estratégias operacionais incorporou o terrorismo instrumental como método de coerção e demonstração de poder.

O crime organizado brasileiro não hesita em utilizar o terror psicológico coletivo, a destruição de infraestruturas públicas e o pânico em massa para subjugar o Estado e a sociedade civil, encaixando-se perfeitamente no conceito sociológico e jurídico de atos terroristas.

O grande mérito prático da dupla classificação dos EUA é deslocar o combate a essa criminalidade da tradicional e inócua guerra de atrito urbano para uma guerra financeira de alta intensidade contra o topo da pirâmide criminosa.

O diagnóstico recente do Ministério Público brasileiro ilustra a gravidade do cenário atual: uma única ação da Operação Carbono Oculto revelou que apenas seis fintechs, operando como verdadeiros bancos paralelos e ocultos a serviço do PCC, movimentaram a impressionante cifra de 26 bilhões de reais.

Esse volume astronômico de capital não permanece estático, pois inunda o sistema financeiro e o comércio nacional ao custear esquemas de corrupção, fraudar licitações, controlar prefeituras, financiar campanhas e destruir a livre iniciativa por meio de uma concorrência desleal imbatível baseada no fluxo infinito do narcotráfico.

Os EUA passam agora a mirar diretamente naqueles que viabilizam essa lavagem de dinheiro em larga escala.

Qualquer instituição financeira, corretora de criptoativos ou agente político no Brasil que, voluntariamente ou por negligência grave, facilitar a circulação de capitais do PCC e CV enfrentará um risco alto demais, algo que forçará bancos e fintechs a endurecerem drasticamente seus controles internos, destruindo a rede de proteção institucional do crime.

Ao contrário das narrativas que enxergam nessa medida uma violação da soberania ou pretexto para intervenções estrangeiras, a ação americana ajuda, fundamentalmente, a devolver à sociedade o direito de ocupar seu próprio território e suas instituições.

Quem verdadeiramente viola a soberania nacional hoje são as facções, que impõem um poder paralelo armado.

O Brasil não perde sua autonomia territorial ou jurídica, uma vez que o monopólio da força operacional e as decisões judiciais dentro de nossas fronteiras permanecem estritamente sob o controle das autoridades brasileiras.

Argumentos que insistem na tese de "intromissão" distorcem os fatos para fins puramente políticos, ignorando que a soberania real se protege asfixiando os criminosos que subjugam o país, e não isolando o Brasil dos mecanismos globais de justiça financeira.

A cooperação internacional e o uso desses novos instrumentos de asfixia econômica são o único caminho viável para estancar o banho de sangue nas metrópoles brasileiras.

Retirar o oxigênio financeiro do PCC e do CV significa esvaziar a capacidade de compra de fuzis, blindados, drones e tecnologia de criptografia que hoje desafiam abertamente as estruturas do Estado.

O grande trunfo das facções não é a droga em si, é a capacidade de lavar o dinheiro. Bloqueado o circuito global, o império criminoso começa a ser desmontado por dentro.

 

Márcio Coimbra é CEO da Casa Política e presidente-executivo do Instituto Monitor da Democracia

X: @mcoimbra

 

As opiniões dos colunistas não necessariamente refletem as de Crusoé e O Antagonista

Diários

Consumo e safra impulsionam crescimento do PIB

José Inácio Pilar Visualizar

Quem mais está na lista de organizações terroristas dos EUA

Redação Crusoé Visualizar

Lula perdeu o controle

Duda Teixeira Visualizar

SpaceX busca 1,8 trilhão de dólares e testa Wall Street

José Inácio Pilar Visualizar

"Americano nenhum vai matar nossos bandidos. Quem vai matar seremos nós"

Redação Crusoé Visualizar

Vassalagem diplomática

Duda Teixeira Visualizar

Mais Lidas

A ilusão da neutralidade

A ilusão da neutralidade

Visualizar notícia
A seguridade social que o Brasil não consegue pagar

A seguridade social que o Brasil não consegue pagar

Visualizar notícia
A sorte sorriu para Lula, mas o eleitor bocejou

A sorte sorriu para Lula, mas o eleitor bocejou

Visualizar notícia
Como Haddad se saiu na pesquisa Meio/Ideia para presidente

Como Haddad se saiu na pesquisa Meio/Ideia para presidente

Visualizar notícia
Estamos todos bêbados

Estamos todos bêbados

Visualizar notícia
Influenciadores e o terrorismo estocástico

Influenciadores e o terrorismo estocástico

Visualizar notícia
Mercado reage a plano de Renan Calheiros

Mercado reage a plano de Renan Calheiros

Visualizar notícia
O populismo da PEC 6x1

O populismo da PEC 6x1

Visualizar notícia
O problema final de Flamengo e Palmeiras

O problema final de Flamengo e Palmeiras

Visualizar notícia
O que muda para os CDBs com as novas regras do FGC

O que muda para os CDBs com as novas regras do FGC

Visualizar notícia

Tags relacionadas

CV

Donald Trump

PCC

Terrorismo

< Notícia Anterior

Consumo e safra impulsionam crescimento do PIB

29.05.2026 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
author

Márcio Coimbra

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)

Torne-se um assinante para comentar

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)


Notícias relacionadas

Consumo e safra impulsionam crescimento do PIB

Consumo e safra impulsionam crescimento do PIB

José Inácio Pilar
29.05.2026 10:55 3 minutos de leitura
Visualizar notícia
Quem mais está na lista de organizações terroristas dos EUA

Quem mais está na lista de organizações terroristas dos EUA

Redação Crusoé
29.05.2026 10:24 3 minutos de leitura
Visualizar notícia
Lula perdeu o controle

Lula perdeu o controle

Duda Teixeira
29.05.2026 10:17 4 minutos de leitura
Visualizar notícia
SpaceX busca 1,8 trilhão de dólares e testa Wall Street

SpaceX busca 1,8 trilhão de dólares e testa Wall Street

José Inácio Pilar
29.05.2026 10:03 3 minutos de leitura
Visualizar notícia
Crusoé
o antagonista
Facebook Twitter Instagram

Acervo Edição diária Edição Semanal

Redação SP

Av Paulista, 777 4º andar cj 41
Bela Vista, São Paulo-SP
CEP: 01311-914

Acervo Edição diária

Edição Semanal

Facebook Twitter Instagram

Assine nossa newsletter

Inscreva-se e receba o conteúdo de Crusoé em primeira mão

Crusoé, 2026,
Todos os direitos reservados
Com inteligência e tecnologia:
Object1ve - Marketing Solution
Quem somos Princípios Editoriais Assine Política de privacidade Termos de uso