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Diários

Mercado reage a plano de Renan Calheiros

Proposta de uso do FGC para cobrir perdas de fundos de previdência provoca reação de Galípolo e do mercado financeiro

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José Inácio Pilar
3 minutos de leitura 28.05.2026 10:57 comentários 1
Mercado reage a plano de Renan Calheiros
Imagem: Lula Marques/Agência Brasil
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A tentativa de ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos para fundos de previdência atingidos pelo colapso do Banco Master abriu uma nova disputa no mercado financeiro.

A proposta apresentada pelo senador Renan Calheiros prevê que o FGC cubra perdas de regimes próprios de previdência de estados e municípios que fizeram aplicações em letras financeiras do banco, um tipo de título que hoje não conta com garantia do fundo.

O debate saiu rapidamente do campo político e passou a mobilizar bancos, reguladores e gestores do mercado. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que mudanças desse tipo podem criar um precedente perigoso e distorcer a função original do FGC, criado para proteger investidores de varejo em casos de quebra bancária.

Segundo ele, fundos de pensão e gestores institucionais são investidores profissionais com capacidade técnica para avaliar risco e retorno antes de aplicar os recursos.

Nos bastidores, representantes do setor financeiro veem o projeto como uma tentativa de mudar as regras depois da crise. O temor é que a ampliação da cobertura incentive gestores públicos a buscar aplicações mais arriscadas no futuro, contando com uma proteção que nunca existiu para esse tipo de operação.

Integrantes do mercado também avaliam que uma mudança feita sob pressão política pode aumentar a percepção de insegurança regulatória.

A proposta, formalizada no PL 2502/2026, prevê cobertura integral e sem o limite atual de 250 mil reais para os 1,87 bilhão aplicados por cerca de 19 regimes próprios de previdência, com destaque para a Rioprevidência, com seus cerca de 970 milhões de reais.

O caso ganha ainda mais peso porque o FGC já desembolsou mais de 37 bilhões no colapso do Banco Master, com projeção total de aproximadamente 40,6 bilhões de reais, o maior rombo de sua história.

O episódio também abriu questionamentos sobre fiscalização, governança e concentração de aplicações de regimes de previdência em papéis de maior risco.

Ao mesmo tempo, parlamentares ligados à proposta argumentam que servidores públicos não deveriam absorver perdas causadas por decisões tomadas por gestores e dirigentes que ainda são alvo de investigação.

A discussão em Brasília ocorre num momento em que o mercado tenta reconstruir parâmetros de confiança após a crise do Master, com o FGC implementando regras mais rígidas a partir de junho.

Para parte dos bancos, transformar o FGC em uma proteção mais abrangente para investidores institucionais pode alterar a lógica do sistema justamente quando reguladores tentam evitar novos excessos.

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José Inácio Pilar

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Comentários (1)

Aldo

2026-05-28 17:10:40

Um problema é que esses fundos são administrados por indicados políticos, que têm compromisso com aqueles que os nomeiam e não com os servidores que contribuem com o fundo e dele dependem na aposentadoria. Quando muito há um solitário representante dos servidores na diretoria, sempre derrotado nas decisões administrativas que envolvem esses investimentos arriscados, verdadeiros golpes nos servidores.


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Aldo

2026-05-28 17:10:40

Um problema é que esses fundos são administrados por indicados políticos, que têm compromisso com aqueles que os nomeiam e não com os servidores que contribuem com o fundo e dele dependem na aposentadoria. Quando muito há um solitário representante dos servidores na diretoria, sempre derrotado nas decisões administrativas que envolvem esses investimentos arriscados, verdadeiros golpes nos servidores.



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