Trump volta da China sem grandes conquistas
Trump deixa Pequim com promessas de compras chinesas, mas sem avanços sobre Taiwan, Irã, chips e disputa comercial
Donald Trump deixou Pequim com promessas de compras agrícolas, para aviões da Boeing e gestos públicos de proximidade com Xi Jinping, mas sem avanços concretos nos temas que hoje travam a relação entre Estados Unidos e China.
O encontro desta semana mostrou dois governos tentando reduzir os atritos econômicos sem mexer nos pontos que sustentam a rivalidade entre as duas maiores economias do mundo.
A visita foi organizada pelo governo chinês com cerimônias, reuniões fechadas e uma exposição contínua da relação pessoal entre os dois líderes. Xi levou Trump até Zhongnanhai, área reservada do poder chinês, num gesto raro para visitantes estrangeiros.
Ao mesmo tempo, autoridades chinesas mantiveram o discurso duro sobre Taiwan. Xi afirmou que qualquer mudança na posição americana sobre a ilha pode provocar conflito entre os dois países.
Trump tentou apresentar a viagem como uma vitória comercial, anunciando que a China se comprometeu a comprar mais de 10 bilhões de dólares em produtos agrícolas adicionais e cerca de 200 aviões da Boeing, além de aumentar importações de energia.
Os dois governos também concordaram em criar conselhos bilaterais para acompanhar investimentos e compras entre os dois países.
Mesmo assim, executivos americanos que acompanharam a visita voltaram sem anúncios relevantes sobre abertura de mercado, regras para investimentos ou redução de barreiras comerciais.
A área de tecnologia continua sendo o principal impasse. O governo chinês pressiona pela flexibilização das restrições americanas à venda de semicondutores avançados.
Washington segue tratando chips e inteligência artificial como tema de segurança nacional. A Nvidia, que busca ampliar sua presença na China, virou símbolo dessa disputa depois das novas discussões sobre exportações de processadores para empresas chinesas.
Ainda assim, investidores e empresários esperavam anúncios mais amplos sobre tarifas, acesso de empresas americanas ao mercado chinês e redução das restrições impostas por Pequim a setores financeiros e tecnológicos. A ausência de avanços nesses pontos acabou limitando o impacto econômico imediato da viagem.
O encontro também ocorreu sob pressão da guerra envolvendo EUA, Israel e Irã. Trump tentou aproximar Pequim de uma negociação para reduzir riscos no Estreito de Ormuz, rota vital para petróleo e comércio internacional. A China evitou assumir compromissos públicos e manteve a defesa de um cessar-fogo imediato.
A aproximação vista nas imagens da visita serviu mais para estabilizar a relação no curto prazo do que para mudar a disputa econômica e estratégica entre Washington e Pequim.
Os dois lados parecem ter decidido ganhar tempo enquanto enfrentam pressões internas, desaceleração econômica na China, inflação nos Estados Unidos e crescente disputa por influência industrial, militar e tecnológica na Ásia oriental. Ficou acertado que o presidente chinês deve retribuir a visita com uma viagem aos Estados Unidos em setembro.
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