Uma aldeia medieval italiana, a poucos quilômetros de Roma, está oferecendo dinheiro, moradia e suporte para montar um negócio a quem topar largar a cidade e se mudar de vez para lá. Santo Stefano di Sessanio, na região de Abruzzo, tem apenas 115 habitantes e enfrenta um problema que afeta centenas de municípios rurais europeus: está ficando sem gente.
Para reverter esse quadro, o programa de repovoamento da aldeia oferece um pacote que vai muito além das iniciativas de venda de imóveis por um euro simbólico que outras cidades italianas já tentaram. A proposta ganhou repercussão internacional e atraiu mais de 1.500 interessados em poucas semanas.
O que o programa oferece
Os benefícios abrangem diferentes aspectos da mudança. Quem decide se instalar em Santo Stefano di Sessanio pode receber uma contribuição anual de até 8 mil euros durante três anos consecutivos, só por residir na aldeia.
Além disso, há um subsídio único de até 20 mil euros para quem abrir um negócio alinhado ao desenvolvimento local, mais moradia com aluguel simbólico e apoio institucional para trâmites burocráticos, especialmente para estrangeiros. No total, o pacote pode chegar a 44 mil euros em subsídios.
Quem pode se candidatar?
O programa busca moradores com intenções de permanecer na aldeia e não turistas. Os candidatos precisam ter menos de 40 anos, se comprometer com pelo menos cinco anos de residência por lá e apresentar um projeto de negócio viável, de preferência ligado a turismo, gastronomia ou cultura local.
Cidadãos da União Europeia têm processo mais direto, mas estrangeiros com condições de obter residência legal na Itália também podem participar.
Como é a vida por lá?
Santo Stefano di Sessanio fica a cerca de 1.300 metros de altitude, dentro do Parque Nacional Gran Sasso e Monti della Laga. Os invernos são frios e com neve. Os verões são amenos e movimentados pelo turismo, já que a aldeia é considerada um dos vilarejos medievais mais preservados do país.
Pessoas que estão acostumadas a viver em cidades grandes podem sofrer um choque de realidade. Supermercados maiores e hospitais de maior complexidade ficam a dezenas de quilômetros, e ter carro é indispensável. Por outro lado, quem já fez a mudança costuma descrever o silêncio, a paisagem e a comunidade como diferenciais.
Por que esse movimento cresce na Europa?
O esvaziamento de Santo Stefano di Sessanio não é caso isolado. Centenas de municípios rurais europeus enfrentam o mesmo problema: jovens migram para centros maiores em busca de trabalho, a população envelhece e os serviços básicos começam a depender da chegada de novos moradores para continuar funcionando.
O que mudou nos últimos anos é que o trabalho remoto tornou geograficamente viável o que antes parecia uma renúncia profissional. Designers, fotógrafos, escritores e profissionais de tecnologia estão entre os perfis mais comuns entre os interessados nesse tipo de programa.




