Líder da oposição pede a exoneração do delegado-geral da PF após whisky com Vorcaro
No documento, protocolado na última sexta-feira, 20, o parlamentar argumenta que a permanência de Andrei Rodrigues se tornou “insustentável”
O líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), apresentou um requerimento em que pede ao presidente Lula (PT) a destituição do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues, sob a alegação de conflito de interesses e comprometimento da credibilidade da corporação após o dirigente ter participado de uma festinha com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
No documento, protocolado na última sexta-feira, 20, o parlamentar argumenta que a permanência de Andrei Rodrigues se tornou “insustentável”.
A principal justificativa apresentada pela oposição envolve a participação de Rodrigues, em abril de 2024, em um evento em Londres descrito como uma “degustação de whisky Macallan”, cujo custo estimado seria de 3,3 milhões de reais. O encontro - conforme documentos obtidos pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS - teria sido financiado pelo banqueiro. O Banco Master já estava sob investigação de órgãos de controle e da própria Polícia Federal à época.
O encontro de Rodrigues com Vocaro ocorreu paralelamente a um fórum jurídico realizado em Londres, que reuniu autoridades brasileiras em painéis e debates na região. Documentos relacionados à organização do evento indicam que a atividade também envolveu serviço gastronômico e estrutura montada para recepção de convidados. Além de Rodrigues, também teriam participado os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias toffoli.
O pedido de afastamento do diretor-geral afirma que a presença do chefe da PF em evento custeado por um investigado configuraria “desvio de finalidade” e afronta ao artigo 37 da Constituição, que estabelece os princípios da administração pública.
“O cargo de Diretor-Geral da PF exige um dever qualificado de probidade, a zelar pela autonomia técnico-científica e independência da instituição. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (...) estabelece que a proximidade pessoal do Diretor com investigados macula a isenção necessária ao cargo, tornando o ato de manutenção nulo por comprometer a função investigativa do órgão”, declarou o parlamentar no pedido.
O líder da oposição também menciona a evolução das apurações envolvendo o Banco Master, que resultaram na liquidação extrajudicial da instituição e na deflagração de operação policial em novembro de 2025.
Para o deputado, a proximidade entre Rodrigues e um dos alvos dessas investigações comprometeria a isenção necessária ao comando da corporação.
“A participação da autoridade máxima da PF em convescote financiado por um alvo central de investigações da própria corporação configura um claro desvio de finalidade e violação aos princípios do art. 37 da Constituição”, declarou o parlamentar.
Na avaliação do parlamentar, a manutenção de Rodrigues no cargo cria um cenário de “perigo institucional”, com potencial de abalar a confiança pública nas investigações em curso.
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