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Por que você deveria parar e sentir o perfume de uma flor por apenas 30 segundos

Especialistas revelam que as flores e outros odores podem ter efeitos poderosos com base na sua memória e experiências pessoais

Por Júlio Nesi
08/04/2026
Em Geral
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Reprodução: Unsplash / Clay Banks

Reprodução: Unsplash / Clay Banks

Com o dia a dia corrido que a sociedade se acostumou, é raro imaginar alguém se agachando para cheirar uma flor. Acontece, no entanto, que essa ação pode trazer benefícios surpreendentes ao seu corpo, é o que aponta a ciência.

Kate McLean-MacKenzie, pesquisadora da Universidade de Kent, na Inglaterra, diz que o ato de cheirar flores por cerca de 30 segundos pode causar mudanças no seu humor só pelo ato em si, pois simboliza uma pausa no estresse diário.

Além disso, pesquisadores também revelam outros benefícios em cheirar as flores que vão muito além da “pausa” na rotina.

O que cheirar flores faz ao corpo?

Pamela Dalton, psicóloga do Monell Chemical Senses Center, nos EUA, diz que um dos efeitos mais comuns é a melhora no humor. “O olfato tem o impacto mais direto nas nossas emoções e supera qualquer outro sentido nisso”, disse.

De acordo com a psicóloga, isso se dá pelo fato de que o cérebro é programado para responder ao olfato antes de qualquer pensamento racional. Quando você cheira algo, as moléculas de odor se prendem a receptores no seu nariz e vão direto ao cérebro para serem registradas.

Todos os outros sentidos antes passam pelo tálamo, uma região do cérebro que filtra as informações antes de enviar as sensações para suas devidas regiões em que serão registradas por nós. O olfato ignora completamente o tálamo e é enviado diretamente à área do cérebro que processa informações de odor e também para o sistema límbico, o nosso centro emocional.

O sistema límbico conta com o hipocampo, onde ficam nossas memórias. Como o olfato se conecta a ele, odores são registrados com muito mais facilidade e força nas nossas memórias.

Segundo a psicóloga, toda essa arquitetura do nosso corpo faz com que cheiros não apenas afetem o nosso humor, mas que também possam ser gatilhos para memórias. “Quando algo está associado a uma memória, como um odor, ele se vincula à memória e à sensação que vem com ela. Isso traz de volta não apenas a memória, mas o impacto emocional dela”, diz Pamela.

Memórias e sensações olfativas

Com esse potencial do seu corpo registrar odores, pode ser que alguns cheiros invoquem sensações de tranquilidade, outros podem causar tristeza e alguns, até raiva. Os pesquisadores afirmam que isso depende da vivência de cada indivíduo e das experiências que cada um associa a certos cheiros. Com isso, pessoas podem fazer uma aromaterapia pessoal.

McLean-MacKenzie sugere que pessoas interessadas em invocar certas sensações podem buscar diferentes experiências olfativas e identificar que humor cada odor causa nela. Uma das primeiras dicas é simplesmente passear pela vizinhança, tentar sentir os cheiros da área, buscar flores, mapear os odores. Isso ajuda a identificar as sensações que alguns odores podem causar.

Além disso, a pesquisadora também recomendou que, após detectar os odores que causam as sensações preferidas, a pessoa deva “rotacionar” esses odores. Como exemplo, ela disse que cheiros florais e doces tendem a invocar humor mais calmo, enquanto odores cítricos e mentosos são mais energéticos. Nesses casos, você deve focar na sensação que pretende sentir.

McLean-MacKenzie destaca que parar para cheirar flores com odores que você conhece e sabe que podem mudar o seu humor para melhor, passa a ser um ato de saúde mental que pode te pegar de surpresa no dia a dia.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Tags: aromaterapiacheirociênciafloresKate McLean-MacKenziememóriaMonell Chemical Senses CenterOlfatoPamela Daltonpsicologia
Júlio Nesi

Júlio Nesi

Jornalista alagoano formado pela UFAL, já atuei em produção de conteúdo digital para portais, rádio e redes sociais.

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