Algumas Copas do Mundo ficam na memória pelo resultado. Outras ficam pelo que os jogadores vestiam em campo. Ao longo da história do torneio, uma série de uniformes ultrapassou o futebol e entrou para a cultura pop, seja por design, pelo momento ou pela combinação dos dois.
O designer americano Matthew Wolff, que ganhou projeção ao assinar a camisa da Nigéria em 2018 e a da França campeã naquele mesmo ano, tem uma explicação para isso. Para ele, as camisas mais marcantes costumam surgir da infância, daquele período em que os jogadores parecem super-heróis e os uniformes carregam uma energia “quase mágica”.
O designer também acredita que o cenário mudou e que hoje é muito mais difícil um uniforme alcançar o status de “icônico”, por conta da saturação do mercado e do volume de lançamentos das marcas.
Com esse olhar em mente, especialistas listaram as dez camisas mais históricas das Copas do Mundo. A única regra do levantamento foi de que devem ser eleitas apenas uma camisa por edição do torneio e uma por país.
O “top 10” das camisas mais icônicas
Diversas fardas podem ser consideradas históricas para o futebol, indo desde clássicas da Inglaterra até uniformes da Alemanha e até mesmo Camarões. Confira:
10. Camarões (2002)
Essa é uma das escolhas mais curiosas da lista, porque a camisa nem chegou a ser usada na Copa. O modelo sem mangas criado para a seleção africana estreou na Copa Africana de Nações, mas a FIFA não permitiu o uso no Mundial de 2002, obrigando a Puma a adicionar mangas.
O ex-jogador Eric Djemba-Djemba disse que todo mundo no continente africano queria aquela peça. O impacto foi tão grande que, naquele mesmo verão, Serena Williams foi a Roland Garros com um visual inspirado no uniforme.
9. Inglaterra (1966)
A camisa vermelha da seleção inglesa representa o único título mundial do país, conquistado em casa, em Wembley. O hat-trick de Geoff Hurst e a cena de Bobby Moore erguendo a taça Jules Rimet nos ombros dos companheiros são imagens permanentes do futebol mundial.
8. França (1982)
A semifinal entre França e Alemanha Ocidental em Sevilha é considerada um dos jogos mais dramáticos da história das Copas. Empate em 3 a 3, prorrogação e a primeira disputa de pênaltis do torneio.
O capitão francês Michel Platini disse que nenhum filme ou peça conseguiria reproduzir tantas emoções daquele jogo. Com o calor espanhol de fundo, a camisa azul da seleção francesa ajudou a transformar aquele uniforme em um clássico eterno.
7. Holanda (1974)
Johan Cruyff encarnava o “Futebol Total” holandês e chegou à Copa de 1974 com três Copas dos Campeões da Europa pelo Ajax. Mas a história mais curiosa envolvendo ele e a camisa é que, enquanto todos os companheiros usavam três listras da Adidas, Cruyff entrou em campo com apenas duas.
Patrocinado pela Puma, Cruyff se recusou a vestir o uniforme com o símbolo da concorrente. Segundo o próprio jogador, a federação assinou contrato com a Adidas sem consultar os atletas.
6. Croácia (1998)
A Croácia disputou sua primeira Copa depois da independência do país, declarada sete anos antes, e o uniforme xadrez vermelho e branco inspirado no brasão nacional ficou gravado no imaginário do futebol. Davor Suker liderou a seleção até a semifinal, onde perdeu para a anfitriã França. Mesmo assim, a Croácia terminou o torneio em terceiro lugar.
5. Nigéria (2018)
Poucos uniformes na história das Copas tiveram o impacto imediato da camisa da Nigéria em 2018. Antes mesmo do lançamento oficial, três milhões de pessoas já tinham reservado o modelo. Filas se formaram na porta da principal loja da Nike em Londres no dia da estreia.
O designer Matthew Wolff conta que buscou referências na própria história dos uniformes da seleção nigeriana, especialmente no verde marcante dos anos anteriores. Segundo ele, o timing ajudou porque a Nigéria vivia um momento de grande projeção cultural na moda, na música e no cinema.
4. Brasil (1970)
Talvez nenhuma seleção no mundo esteja tão associada a uma cor quanto o Brasil ao amarelo. A camisa de 1970 carrega Pelé, Carlos Alberto, Rivellino e Jairzinho e a vitória sobre a Itália no estádio Azteca, no México. Mesmo nas imagens granuladas da época, o amarelo-canário vibrante dessa seleção continua aparecendo em cada nova Copa como referência permanente do futebol.
3. Estados Unidos (1994)
Quando a Adidas revelou as camisas dos EUA para a Copa de 1994, os próprios jogadores acharam que era brincadeira. O design com estrelas gigantes sobre um fundo que lembrava jeans desbotados parecia exagerado demais para um campo de futebol.
Com o tempo, porém, o uniforme virou um clássico adorado tanto por quem o vestiu quanto pelos torcedores. Ajudou o fato de os americanos terem chegado às oitavas de final, eliminados pelo Brasil que acabaria campeão.
2. Argentina (1986)
A Argentina precisou usar o uniforme reserva nas quartas de final contra a Inglaterra porque a FIFA determinou que as camisas brancas das duas seleções gerariam confusão. O problema é que os jogadores reclamavam que o modelo azul-escuro era pesado e abafado para o calor do México.
Alguns boatos contam a história de que a comissão técnica foi ao bairro de Tepito, na Cidade do México, comprar camisas alternativas. Maradona foi quem aprovou os modelos. A peça ganhou um capítulo à parte quando, mais de três décadas depois, a camisa trocada entre Maradona e o inglês Steve Hodge foi a leilão e foi arrematada por cerca de 7,1 milhões de libras.
1. Alemanha Ocidental (1990)
No topo da lista está a camisa que muitos consideram precursora de uma nova era no design esportivo. Antes dela, os uniformes de futebol eram, em sua maioria, bastante simples. A designer Ina Franzmann, que trabalhava com roupas de tênis para a Adidas e mal acompanhava futebol, recebeu a missão de criar uma pequena revolução para a Seleção Alemã.
O resultado foi um uniforme com um visual marcante para a época, que chegou ao maior palco possível com uma seleção campeã. Franzmann disse que a camisa virou obra-prima anos depois e que tem muito orgulho do interesse que ela desperta até hoje.




