A alegria é uma emoção que muitos de nós vão atrás constantemente, “ser feliz” por mais subjetivo e elusivo que seja, é a meta de vida de muitos. Mas o que se define como ser feliz? O sociólogo polonês Zygmunt Bauman já dizia que a felicidade em si não é ausência de problemas, e sim superar as dificuldades e entrar em um estado de bem-estar.
Para o sociólogo, há uma diferença entre a sociedade momentânea que é não ter problemas e a felicidade “verdadeira” de superar obstáculos reais na vida. Para ele, ser feliz é o ato de enfrentar os desafios da vida e sentir que se tem o controle sobre o próprio destino.
É nessa lógica que o psiquiatra espanhol Enrique Rojas fala sobre como ser “feliz”, não se tratando de “adquirir” felicidade e sim de controlar a própria ansiedade e o estresse.
O psiquiatra não oferece nenhuma “fórmula mágica” para a felicidade, mas aponta para um caminho. Rojas destaca que a ansiedade é uma emoção capaz de drenar o bem-estar e a saúde mental de uma pessoa, podendo dificultar ainda mais as situações já difíceis. Mas que grande parte dessa emoção pode ser controlada por nós mesmos.
Como ser feliz?
O médico listou algumas ações que podem ajudar as pessoas a minimizar a ansiedade e sentir uma maior sensação de bem-estar; são elas:
Separar o fato da emoção
De acordo com o psiquiatra, a maior parte da ansiedade nasce de uma importância exagerada que damos aos acontecimentos de nossa vida. Nesse caso, ele sugere que devemos separar a chamada realidade objetiva (o que de fato aconteceu) da realidade subjetiva (o que sentimos sobre o que aconteceu).
Um exemplo disso seria um chefe no trabalho te cumprimentar com um tom que você interpretou como rude. Nesse caso você pode sentir que seu chefe está irritado com você, mas qual seria a realidade objetiva? Ele pode estar passando por um dia ruim, estar doente, rouco ou simplesmente não percebeu o próprio tom.
Se desconectar do fato
Aqui Rojas diz que se deve avaliar o acontecimento na perspectiva de um terceiro. No calor do momento nós tendemos a “pensar” com as emoções e até mesmo piorar algo que na verdade nem era tão mal. O psiquiatra destaca que criar distância ajuda a reduzir o impacto emocional e diminuir a urgência da situação.
Nesse caso, o médico aponta que ao criar essa distância, o problema interpretado por nós pode deixar de ser um problema real, seja por enxergarmos outras questões reais que requerem urgência ou por ver o verdadeiro (e pequeno) tamanho do que achávamos ser um problema.
Questionar a sua própria reação
Um dos principais pontos também é aprender a enxergar a própria reação e avaliar se está sendo proporcional ao (suposto) problema. Ao perceber um suposto mal no dia a dia, alguns podem dramatizá-lo a ponto de evoluir muito mais do que deveria.
Além disso, reações emocionais explosivas podem, desnecessariamente, queimar pontes e dificultar a recuperação emocional. Analisar a própria reação pode lhe permitir enxergar melhor a situação e avaliar se ela vale tal reação ou não.
Felicidade x ansiedade
Enquanto a ausência de ansiedade não é necessariamente felicidade, a ansiedade certamente não ajuda na manutenção de alegria. Seguindo a lógica de Zygmunt Bauman, aprender a identificar seus problemas e superar esses obstáculos, ser dono do seu próprio “eu” continua sendo o melhor caminho.
No entanto, a própria sensação da ansiedade tira esse controle e pode se tornar um desses obstáculos a serem vencidos. Isso ou, pelo menos, atrapalha a identificação dos reais obstáculos. Com as dicas de Rojas e minimizando a interferência da ansiedade, o caminho à felicidade pode se tornar mais nítido.





