Há diversas doenças que os humanos podem contrair, algumas causadas por parasitas, outras por amebas e também causadas por bactérias. Mas entre todos esses micróbios, poucos dão mais medo em nós que os vírus, causadores de doenças que entraram para a história da humanidade, como varíola, gripe espanhola, aids e Covid-19.
Cientistas vêm descobrindo novas informações sobre esses micróbios e a mais recente foi que eles podem ficar no seu corpo para sempre, mesmo sem causar doenças.
Um estudo liderado por pesquisadores de Harvard Medical School e do Broad Institute, ambos nos Estados Unidos, analisou registros de sangue e saliva de mais de 917 mil pessoas para entender por que certos vírus se instalam no organismo e simplesmente ficam por lá.
O que o estudo descobriu?
A pesquisa foi publicada na revista científica Nature e identificou 31 vírus de DNA capazes de persistir no corpo humano. Entre eles estão o vírus Epstein-Barr (EBV), o herpesvírus humano 7 (HHV-7), o HHV-6B, o poliomavírus das células de Merkel e três anellovírus.
Os cientistas calcularam a chamada “carga viral” de cada pessoa. Esse número indica quanto DNA viral circula pelo organismo e o quanto o sistema imunológico consegue manter esses vírus sob controle.
Os resultados mostraram que a genética desempenha um papel central nessa equação. A variação genética humana se associou à carga de sete vírus diferentes, com destaque para uma região do genoma chamada Complexo Principal de Histocompatibilidade (MHC), responsável por coordenar as defesas do sistema imune.
O papel dos genes
Segundo o estudo, a quantidade de vírus presente no organismo varia bastante com a idade, a hora do dia e até a estação do ano. Além disso, a maioria dos vírus apareceu em maior quantidade nos homens do que nas mulheres.
Para o geneticista Nolan Kamitaki, autor principal da pesquisa, o trabalho abre um novo caminho para entender doenças causadas por vírus latentes. “Estamos chegando ao ponto em que podemos usar a genética humana para tentar responder a perguntas fundamentais sobre a patologia resultante de vírus”, afirmou ele em nota à imprensa.
Quando o vírus silencioso vira problema
Nem todo vírus que permanece no corpo causa doença. Porém, o estudo mostrou que uma carga elevada do vírus Epstein-Barr aumenta diretamente o risco de desenvolver linfoma de Hodgkin, um tipo de câncer que afeta o sistema linfático.
Por outro lado, a mesma relação não se confirmou entre o EBV e a esclerose múltipla. Mesmo sendo um gatilho conhecido para a doença, a quantidade de vírus presente no organismo não pareceu influenciar o risco. Isso indica que o elo entre EBV e esclerose múltipla depende mais da resposta imune ao vírus do que da carga viral em si.
Por ora, o estudo não muda nenhuma conduta médica imediata. No entanto, os pesquisadores apontam que os resultados abrem caminho para investigar se antivirais poderiam reduzir o risco de linfoma de Hodgkin em pessoas com carga elevada de EBV, ainda que essa hipótese precise de mais testes.





