Nós sabemos que o nosso ciclo de sono pode trazer vários benefícios, como ajudar na saúde do coração e até no emagrecimento. No entanto, a falta do sono pode fazer justamente o contrário. É isso que pesquisadores revelaram em um estudo onde descobriram que a insônia pode ser causadora de problemas cognitivos como demência.
De acordo com profissionais que estudam a saúde cognitiva, a falta constante de sono, também conhecida como insônia crônica, está associada ao declínio cognitivo e ao envelhecimento cerebral. Isso quer dizer que pessoas que não conseguem dormir direito começam a sentir coisas como perda de memória e dificuldades na comunicação.
O que diz o estudo?
Pesquisadores de um estudo publicado na revista Health Data Science acompanharam mais 2.700 participantes ao longo de seis anos. De acordo com os cientistas, todos os participantes estavam saudáveis no início da sondagem; no entanto, aqueles que sofriam de insônia passaram a apresentar sintomas de declínio cognitivo.
De acordo com os pesquisadores, os participantes que sofreram de insônia tinham dificuldades para dormir em média três noites por semana por três meses ou até mais. Esses participantes começaram a apresentar sinais de “envelhecimento precoce”, tanto nos testes cognitivos realizados pelos cientistas quanto nos escaneamentos cerebrais.
Segundo os cientistas, o estudo apontou três características principais presentes nessas pessoas, são elas:
- Mudanças no cérebro: participantes que relatavam ter insônia ou dificuldades para dormir apresentavam cérebros mais envelhecidos. Os pesquisadores afirmaram ter achado mais pontos de hipertensões de massa branca (manchas de envelhecimento vascular no cérebro) e acúmulo de amiloides, uma proteína ligada ao Alzheimer.
- Declínio cognitivo: esses pacientes com insônia também obtiveram menor performance nos testes cognitivos se comparados aos que tinham o cíclo saudável.
- Maior risco de demência: os pesquisadores constataram que esses participantes possuiam uma chance elevada de desenvolver impedimentos cognitivos e demência.
Considerando esses resultados, os pesquisadores destacaram que a manutenção do sono é vital para a saúde cognitiva. O médico paulista Drauzio Varella também comenta sobre a relação da qualidade do sono com doenças cognitivas, neste caso, focando no Alzheimer. Veja:
Como proteger o cérebro e o sono?
Especialistas explicam que o sono tem um papel essencial como “zelador” no nosso cérebro. Enquanto estamos em sono profundo, o nosso sistema nervoso, através do sistema glinfático, começa a “limpar” o nosso cérebro, tirando proteínas tóxicas como os amiloides. Quando esse processo é interrompido constantemente, o corpo não consegue fazer a limpeza.
Apesar dos riscos, especialistas dizem que o sono é algo que conseguimos influenciar. Caso você tenha dificuldades com insônia, pequenas mudanças ao longo do dia podem se somar e garantir uma boa qualidade de sono. Cientistas falam sobre algumas estratégias que podem ajudar; veja:
- Faça um ritual de “desligamento”: diminuir as luzes, se afastar de telas, meditar, escrever em um diário. Manter rituais calmantes e sempre iniciá-los cerca de uma hora ou alguns minutos antes de dormir pode “sinalizar” ao cérebro que está na hora de desligar, o que facilita o ato.
- Solidifique sua rotina: vá dormir e acorde em horários consistentes. A rotina ancora seu relógio biológico e vai impedir seu corpo de tentar “negociar” ficar acordado.
- Cuidado com a iluminação: reduza as luzes artificiais (especialmente a azul, emitida por telas de celular e computador), antes de dormir. Iluminação alta pode manter o cérebro alerta e diminuir a qualidade do sono. Além disso, especialistas também sugerem que se exponha à luz natural ao acordar para ajudar no despertar do corpo.
- Tente uma suplementação de magnésio: o magnésio é uma substância que acalma o sistema nervoso, regula os ritmos circadianos e relaxa os músculos. Cápsulas dessa substância podem auxiliar o corpo a descansar.




