A Ford Motor Company adotou a semana de cinco dias e 40 horas em 1926 para trabalhadores de suas fábricas nos Estados Unidos. Segundo a Ford, a empresa criou a jornada de oito horas em 1914 e, depois, implantou a semana de 40 horas sem reduzir salários.
Além disso, a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos registra que a montadora anunciou a semana de cinco dias e 40 horas para suas plantas em setembro de 1926.
A medida ficou associada a Henry Ford, fundador da empresa e um dos principais nomes da indústria automotiva no século 20.
Antes disso, Ford já havia alterado a rotina das fábricas. Em 1914, a companhia adotou pagamento diário de US$ 5 e jornada de oito horas. Com isso, a empresa reduziu a carga diária e aumentou a remuneração em um período marcado por longas jornadas industriais.
Medida ligava trabalho e consumo
A semana 5×2 não surgiu apenas como mudança de escala. Henry Ford defendeu a semana de cinco dias com seis dias de pagamento. Ele afirmou que o tempo livre criaria mais consumo de lazer, transporte, roupas e serviços.
Portanto, a medida também se ligava ao modelo industrial da época. A produção em massa dependia de trabalhadores com renda, descanso e tempo para comprar bens produzidos pelas próprias empresas.
Além disso, a Ford tinha peso suficiente para influenciar outros setores. A decisão da montadora ajudou a transformar a semana de cinco dias em referência para discussões trabalhistas nos Estados Unidos.
Debate voltou ao Brasil
No Brasil, a jornada 5×2 voltou ao centro do debate com as propostas sobre o fim da escala 6×1. A escala 6×1 prevê seis dias de trabalho e um dia de descanso. Já a 5×2 organiza cinco dias de trabalho e dois de folga.
A Câmara dos Deputados discute o Projeto de Lei (PL) 67/2025, que prevê jornada semanal de no máximo 40 horas e dois dias de repouso remunerado.
Além disso, a Câmara informou, em 13 de maio de 2026, que um acordo em discussão previa mudanças na Constituição e na legislação trabalhista.
Assim, o exemplo da Ford aparece como referência histórica em um debate atual. Hoje, porém, a discussão brasileira envolve setores como comércio, serviços, indústria, custos empresariais, negociação coletiva e organização das escalas de trabalho.




