Os sonhos são tema de diversos estudos científicos e de incansáveis interpretações humanas sobre seus possíveis significados, mas sabia que eles podem estar nos “treinando”? Neurocientistas revelaram em um estudo que os sonhos podem ser nosso corpo treinando para situações adversas e nos ajudar a responder a ameaças e nos regularem emocionalmente.
De acordo com os pesquisadores, o cérebro “simula” situações perigosas que seu corpo acha que você pode passar. Esse “treinamento” pode ficar tanto no seu consciente caso você se lembre do sonho quanto no inconsciente.
Sonhos: O que isso significa?
O psicólogo Antti Revonsuo propõe que os sonhos servem a um traço evolutivo nosso. No caso, são projeções da mente sobre cenários em que estamos sob ameaça realista. Isso teria o objetivo de fazer o nosso corpo treinar as reações instintivas, como combater ou fugir da suposta ameaça sem o risco de sofrermos ferimentos.
Uma das justificativas disso é a observação de que emoções negativas como medo e tristeza prevalecem em sonhos. Para os especialistas, essas emoções também são ligadas à sobrevivência e à adrenalina em situações de risco.
Como isso acontece?
Esse treinamento não acontece em qualquer momento do sono. Ele ocorre principalmente na fase de Rapid Eye Movement (REM), quando a atividade cerebral se intensifica e os sonhos ficam mais nítidos. Nesse estágio, áreas do cérebro associadas ao medo e às emoções entram em ação, como se o corpo estivesse se preparando para reagir de verdade.
Pesquisas recentes mostram que interromper essa fase do sono traz consequências ao corpo. Pessoas privadas do sono REM apresentaram dificuldade maior para lidar com situações estressantes, memória emocional mais fraca e respostas menos eficazes diante de ameaças. O padrão se repetiu tanto em humanos quanto em animais testados nos estudos.
Animais também?
Os estudos mostraram que esse mecanismo não é exclusivo dos humanos. A maioria dos mamíferos passa pelo sono REM e até animais como polvos e algumas aranhas apresentam padrões parecidos durante o repouso.
Para os cientistas, isso reforça a ideia de que o processo tem raízes antigas na evolução. Dormir consome muita energia do cérebro e, se os sonhos não servissem para nada, a natureza provavelmente teria descartado esse recurso ao longo do tempo.




