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Com prejuízo bilionário, estatal passa por reestruturação no pior ano de sua história

Por Júlio Nesi
10/06/2026
Em Geral
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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

Os Correios atravessam a maior crise de sua história. A estatal fechou o primeiro trimestre de 2026 com um prejuízo líquido de R$ 3,16 bilhões, o maior resultado negativo já registrado para um único trimestre, representando um aumento de 82,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O rombo acumulado no patrimônio líquido da empresa já atinge R$ 16,2 bilhões, cenário que a Ministra da Gestão, Esther Dweck, classificou como o “pior ano” da companhia, embora afirme que a deterioração faz parte de um plano de reestruturação previsto.

Além do rombo, a empresa teve que provisionar mais R$ 1,06 bilhão para cobrir ações judiciais trabalhistas, atendendo a exigências do Tribunal de Contas da União (TCU).

Plano de reestruturação

Para evitar o colapso operacional, o governo e a diretoria dos Correios ativaram um plano de recuperação financiado por um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a um consórcio formado pelo Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú e Santander. O recurso, com vencimento em 2040, destina-se a renegociar dívidas urgentes.

Especialistas também vêm apontando que a contrapartida exigida para o equilíbrio das contas envolve medidas impopulares e estruturais. O plano prevê o fechamento de 1.000 agências deficitárias e a redução de 15.000 postos de trabalho até 2027 por meio de Planos de Demissão Voluntária (PDV).

A meta é gerar uma economia anual de R$ 2,1 bilhões apenas com a redução da folha de pagamento e despesas operacionais, somada à venda de imóveis ociosos que deve levantar outros R$ 1,5 bilhão.

Perspectivas do governo

Apesar dos números recordes, a ministra Esther Dweck sustentou em entrevista que o cenário era esperado e que o plano segue “à risca”. Segundo ela, a piora contábil imediata reflete o reconhecimento de passivos antigos e o custo inicial do financiamento, mas a trajetória aponta para uma estabilização.

“A proposta de restauração está sendo seguida com resultados positivos, inclusive com a receita superando as expectativas em alguns pontos”, afirmou a ministra.

A projeção oficial da estatal é de que o equilíbrio operacional seja atingido ainda em 2026, com o retorno à lucratividade efetiva ocorrendo apenas em 2027. Contudo, o serviço da dívida do novo empréstimo representará um custo adicional de bilhões de reais ao longo dos próximos 15 anos.

Devido a isso, a empresa ainda estuda a necessidade de captar mais recursos ou receber aportes complementares da União no próximo ano para completar o ciclo de reestruturação de R$ 20 bilhões.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Tags: CorreioscriseEsther Dweckgoverno federalprejuizoTCU
Júlio Nesi

Júlio Nesi

Jornalista alagoano formado pela UFAL, já atuei em produção de conteúdo digital para portais, rádio e redes sociais.

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