Nos últimos meses, a Receita Federal lançou uma ofensiva contra a pirataria e, até hoje (10), às vésperas da Copa do Mundo de 2026, já apreendeu quase 1 milhão de camisas de futebol falsificadas. O volume, avaliado em R$ 50 milhões, é considerado um recorde nas retenções em comparação ao mesmo período do ciclo anterior.
De acordo com o órgão, entre março e maio de 2026, mais de 965.500 uniformes foram retirados de circulação em operações estratégicas nos principais pontos de entrada do país e nos centros de distribuição. O Porto de Santos, em São Paulo, liderou as apreensões com 428 mil peças, seguido pelo Porto do Rio de Janeiro, com 250 mil.
Além disso, a chamada “Operação Desvio de Rota“, deflagrada em meados de maio na região do Brás, em São Paulo, resultou no fechamento temporário de dois shoppings e na retenção de outras 285 mil camisas em mais de 2 mil lojas fiscalizadas.
A carga ilícita incluía réplicas de seleções como Brasil, Argentina, Portugal e Alemanha, além de clubes populares como Flamengo, Santos e Botafogo. Segundo o fisco, a sonegação tributária associada a essas mercadorias chega a R$ 39 milhões.
Onda de fraudes também no meio digital
Paralelamente ao contrabando físico, autoridades e especialistas em segurança digital alertam para uma escalada de golpes online. Levantamentos indicam que 34% dos internautas brasileiros relataram contato com fraudes relacionadas ao futebol entre 2024 e 2025, quase o dobro dos 19% registrados antes da Copa de 2022.
O Procon-SP registrou um salto de 800% nas reclamações sobre o tema entre março e maio deste ano, totalizando 238 queixas. A sofisticação dos crimes aumentou com o uso de inteligência artificial generativa, que permite a criação rápida de sites e campanhas de marketing falsos quase indistinguíveis dos originais.
O Pix também se consolidou como o meio de pagamento preferido dos criminosos devido à dificuldade de rastreamento e à irreversibilidade das transações.
O que a Receita vai fazer com os itens apreendidos?
Após a perícia, as quase mil toneladas de tecidos apreendidos seguirão para destruição ou reciclagem industrial. No Porto de Santos, 97 toneladas de camisas já estão sendo processadas para serem transformadas em telhas e outros produtos de construção civil, em parceria com cooperativas de reciclagem.
Já os materiais sem viabilidade de reaproveitamento serão incinerados em temperaturas superiores a 900°C, garantindo que não retornem ao mercado ilegal.



