Em uma medida drástica para conter prejuízos que já ultrapassam a casa dos bilhões, os Correios encerraram as atividades de 11 agências no Rio Grande do Sul entre o final de maio e o início de junho deste ano.
De acordo com informações dos bastidores, a ação integra um plano nacional de reestruturação que prevê o fechamento de mil unidades em todo o país, enquanto a estatal enfrenta seu pior momento financeiro histórico, com um rombo patrimonial de R$ 16,2 bilhões.
Colapso financeiro da estatal
Os números que justificam os cortes são alarmantes. Apenas no primeiro trimestre de 2026, os Correios registraram um prejuízo líquido de R$ 3,16 bilhões, valor quase o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior. O ano de 2025 já havia fechado com perdas recordes de R$ 8,5 bilhões, marcando 14 trimestres consecutivos de resultados negativos.
A situação de insolvência é tal que a empresa deixou de honrar compromissos de R$ 3,7 bilhões com fornecedores, funcionários e tributos. Para evitar a paralisação das operações, o Tesouro Nacional garantiu, no final de 2025, um empréstimo de emergência de R$ 12 bilhões junto a um consórcio de cinco bancos, com prazo de 15 anos e juros atrelados a 115% do CDI.
Mapa dos fechamentos no RS
No Rio Grande do Sul, onde a estatal mantém cerca de 500 unidades próprias, o corte atingiu diretamente a população de sete municípios. Em Porto Alegre, quatro agências foram desativadas: Foro Central (Praia de Belas), Campus do Vale da UFRGS, Avenida Protásio Alves (Vila Jardim) e Avenida Bento Gonçalves (Partenon).
Em Caxias do Sul, o fechamento das unidades nos bairros Ana Rech e Galópolis gerou forte comoção. Lideranças comunitárias relatam que a medida isola regiões com alta densidade de idosos e zonas rurais. “É uma surpresa muito negativa. Vai aumentar muito o tempo de deslocamento”, afirmou Paulo Ballardin, presidente da Associação Amigos de Ana Rech.
As demais cidades afetadas foram Gramado, Rio Grande, Triunfo, São Leopoldo e Derrubadas, cada uma perdendo uma unidade. Em nota, os Correios afirmaram que “o atendimento segue normalmente” nas unidades remanescentes, mas moradores de bairros distantes em Caxias relatam dificuldade de acesso a pé.




