Um recente estudo da Agência Nacional Francesa de Segurança Alimentar (ANSES) revela que garrafas de vidro podem ser uma fonte significativa de microplásticos em bebidas.
Realizado em junho, a pesquisa focou em bebidas como água, refrigerantes, cerveja e vinho vendidas na França. O objetivo foi avaliar a quantidade de microplásticos presentes e como diferentes tipos de embalagens contribuem para a contaminação.

Resultados do estudo francês
Os resultados indicam que, em média, garrafas de vidro contém cerca de 100 partículas de microplásticos por litro em bebidas como refrigerantes, limonada, chá gelado e cerveja.
Em comparação, garrafas de plástico e latas de metal apresentaram taxas menores, entre cinco e 50 vezes menos. Apesar de a presença de microplásticos nas águas e vinhos em garrafas de vidro ser baixa, a alta concentração em bebidas carbonatadas levanta questões sobre a segurança dessas embalagens.
Microplásticos nas tampas
A maior parte dos microplásticos foi identificada nas tampas de garrafas de vidro. As partículas têm composição semelhante à tinta na parte externa das tampas, o que sugere que pequenos arranhões, provavelmente gerados por fricção durante o armazenamento, são responsáveis pela liberação desses fragmentos.
Os riscos para a saúde ainda são desconhecidos
A presença de microplásticos no ambiente está bem documentada, mas os riscos específicos para a saúde humana permanecem incertos. Até o momento, não existem padrões claros sobre o potencial de toxicidade dos microplásticos na ingestão humana.
A disseminação desses contaminantes em nossas bebidas diárias exige uma investigação mais aprofundada sobre seus impactos à saúde.
Reduzindo a contaminação: métodos e possibilidades
Uma solução proposta pelo estudo envolve um processo de limpeza das tampas com ar comprimido e enxágue com água e álcool, que reduz a incidência de microplásticos em até 60%.
Essa medida simples pode ser implementada pelas indústrias para mitigar a contaminação enquanto novas soluções são pesquisadas.
Publicado no Journal of Food Composition and Analysis, os resultados reforçam a importância de se reconsiderar o uso de diferentes materiais para embalagens.
A curto prazo, espera-se que as indústrias façam ajustes nos processos de produção para reduzir a contaminação por microplásticos. A comunidade científica e o setor industrial continuam a estudar alternativas que possam garantir maior segurança para os consumidores.




