Um fenômeno está em curso no universo, a 7.784 anos-luz da Terra. A dupla estelar V Sagittae, composta por uma anã branca “canibal” absorvendo material de sua estrela companheira, está prestes a culminar em uma explosão estelar de proporções impressionantes.
Prevista para ocorrer por volta de 2083, com uma margem de erro entre 2067 e 2099, esse evento poderá ser visível a olho nu da Terra durante aproximadamente um mês.
O fenômeno de V Sagittae
A anã branca em V Sagittae está acumulando matéria de sua estrela companheira a uma taxa surpreendente, superior a 10⁻⁹ massas solares por ano. Essa absorção intensa cria um halo de gás em torno do sistema, resultado direto da forte interação gravitacional entre as estrelas.
Estudos recentes utilizando o Very Large Telescope (VLT) no Chile confirmaram essa estrutura gasosa, que impressiona a comunidade científica pela forma como captura a essência caótica da dinâmica estelar.
O processo de transferência de massa
O sistema binário V Sagittae é especialmente intrigante devido à proximidade das duas estrelas, que completam uma órbita mútua a cada 12,3 horas.
Essa proximidade extrema resulta em forças gravitacionais imensas, levando a uma transferência de massa contínua e aumentando o brilho da anã branca. Esse processo é um exemplo para entender como sistemas estelares binários evoluem e interagem.
A caminho da supernova
À medida que a anã branca continua a acumular massa, a expectativa é que eventualmente alcance um ponto crítico. Isso deverá resultar em uma explosão estelar, ou nova, seguida de uma potencial explosão ainda mais intensa, a supernova.
Durante este evento explosivo, V Sagittae deve se tornar temporariamente uma das estrelas mais brilhantes da nossa galáxia, possibilitando sua observação direta da Terra.
Implicações para a ciência astronômica
Estudar V Sagittae oferece uma oportunidade valiosa para a compreensão das explosões estelares. A observação contínua desse sistema binário não apenas proporciona insights sobre o processo de acréscimo de massa, mas também pode esclarecer a formação de supernovas do Tipo Ia.
Essas supernovas são fundamentais na astronomia moderna, já que servem como “réguas cósmicas” para medir a expansão do universo.




