Uma missão arqueológica retirou do mar, em Alexandria, 22 blocos monumentais ligados ao antigo Farol de Alexandria, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo.
As peças ficaram submersas por séculos e agora devem ajudar a remontar, em modelo digital, a entrada monumental da estrutura.
A Fundação Dassault Systèmes informou que os blocos extraídos incluem lintéis, batentes, soleira, lajes de base e partes de um pilar com porta de estilo egípcio. Alguns desses elementos pesam entre 70 e 80 toneladas.
O que veio do mar
O que os arqueólogos recuperaram foram partes monumentais do farol, retiradas do fundo do porto de Alexandria para estudo, escaneamento e remontagem virtual.
Segundo a Fundação Dassault Systèmes, o material fará parte do programa PHAROS, criado para reconstruir digitalmente o monumento com base nas peças já localizadas no sítio submerso e em registros antigos.
A operação ocorre sob supervisão científica da arqueóloga Isabelle Hairy, do Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica, o CNRS, e sob autoridade do Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito.

Um quebra-cabeça
Segundo o ISPRS Archives, o sítio submerso do farol começou a ser estudado cientificamente em 1994 pelo Centre d’Études Alexandrines, unidade ligada ao CNRS. O mesmo estudo informa que a área guarda milhares de blocos e fragmentos arquitetônicos.
Outro trabalho acadêmico, publicado nos anais da Eurographics, afirma que as ruínas do farol ocupam cerca de 1,6 hectare sob o mar, ao pé da cidadela de Qaitbay.
É justamente por isso que a remontagem depende menos de uma única peça e mais de um grande quebra-cabeça arqueológico.
“Usando simulações científicas e mundos virtuais, a equipe de engenheiros testará hipóteses sobre a construção e o colapso do farol, criando um gêmeo digital dessa maravilha perdida” – GEDEON
O projeto PHAROS
De acordo com a Fundação Dassault Systèmes, mais de 100 blocos já haviam sido digitalizados no fundo do mar ao longo da última década. Agora, as novas peças serão analisadas e reposicionadas virtualmente para formar um gêmeo digital do farol.
Esse modelo deve ajudar pesquisadores a testar hipóteses sobre a construção, a forma e o colapso do monumento.
Além disso, o projeto reúne arqueólogos, historiadores, arquitetos e numismatas para cruzar vestígios físicos com descrições e representações antigas.

O que se sabe
O Farol de Alexandria foi erguido no início do século 3 antes de Cristo e guiava embarcações que se aproximavam da costa egípcia.
A Fundação Dassault Systèmes afirma que a torre tinha cerca de 100 metros de altura e funcionava como referência marítima e símbolo do poder de Alexandria no Mediterrâneo.
Os estudos técnicos sobre o sítio também apontam que suas ruínas permaneceram na área depois do colapso e foram, mais tarde, reaproveitadas ou cobertas ao longo dos séculos.
No fim, o que veio do fundo do mar não foi a maravilha inteira, mas uma parte decisiva dela. E, para a arqueologia, isso já basta para recolocar o Farol de Alexandria no centro da história.




