Cientistas encontraram um ecossistema marinho abundante em uma área da Antártida que ficou acessível depois do desprendimento do iceberg A-84.
A expedição registrou esponjas, corais, anêmonas, peixes-gelo, polvos e aranhas-do-mar gigantes no fundo do mar de Bellingshausen, em uma região antes coberta por gelo permanente.
A equipe explorou um trecho oceânico que nunca havia sido observado diretamente, por isso, além das imagens, recolheram amostras biológicas que passam por análise.
O anúncio foi feito pelo Schmidt Ocean Institute após a missão realizada com o navio Falkor e o instituto informou que parte desse material pode incluir espécies ainda não descritas formalmente pela ciência.

Foto: NOAA Ocean Exploration/CC-BY-2.0
O que os pesquisadores viram
As imagens mostram um ambiente rico em vida, mesmo em condições extremas. Segundo o Schmidt Ocean Institute, o fundo recém-exposto abriga organismos grandes e de crescimento lento, o que sugere um ecossistema antigo e estável.
Entre os registros estão esponjas de grande porte, corais, anêmonas, peixes e outros invertebrados adaptados ao frio intenso e à baixa disponibilidade de luz.
A presença desses animais chama atenção porque a área ficou isolada sob a plataforma de gelo por muito tempo.
Agora, com a retirada natural desta cobertura, os cientistas conseguem observar como a vida se organiza em um ambiente extremo e pouco acessível.

Por que o achado ganhou peso
A descoberta ajuda a ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade antártica profunda. Também oferece pistas sobre como os ecossistemas marinhos se mantêm em regiões cobertas por gelo durante longos períodos.
Segundo o instituto, os dados obtidos na área podem melhorar a compreensão de cadeias alimentares profundas e da resposta desses ambientes às mudanças físicas do continente gelado.
Esse não é o primeiro sinal de biodiversidade pouco conhecida no fundo do oceano antártico. A British Antarctic Survey já havia anunciado, em 2007, a descoberta de centenas de organismos de águas profundas no mar de Weddell, incluindo esponjas carnívoras, vermes e crustáceos.
Próximo passo da pesquisa
As amostras recolhidas ainda serão estudadas em laboratório. Só depois dessa etapa os pesquisadores poderão confirmar quantas espécies presentes no local já eram conhecidas e quantas podem ser novas para a ciência.
Enquanto isso, o material já amplia o mapa de vida marinha em uma das regiões mais isoladas do planeta.




