Marcos Nagelstein/Folhapress"Tenho elementos para acreditar que a minha candidatura possa ser esta que reúna (o centro)"

‘Não é sobre vaidades’

Adversário de João Doria nas prévias do PSDB, Eduardo Leite se diz capaz de unir o centro, mas demonstra disposição de abrir mão da cabeça de chapa se surgir um candidato presidencial com mais chances
06.08.21

Aos 36 anos, o governador gaúcho Eduardo Leite acalenta o sonho de subir a rampa do Palácio do Planalto em 1º de janeiro de 2023. Para tentar chegar lá, no entanto, terá que primeiro vencer as prévias de seu partido, o PSDB, marcadas para novembro. Até o momento, seu principal adversário é o governador de São Paulo, João Doria. Informalmente, a corrida já começou. Para além de contatos com os correligionários que detêm mandatos eletivos, cujos votos terão maior peso nas primárias tucanas, Leite tem conversado com políticos de outros partidos que buscam um nome para representar a chamada “terceira via” – entre eles ACM Neto, presidente do DEM, com quem Doria teve atritos no início do ano.

Por ora, o governador evita o confronto direto com o colega paulista. Embora repita que a definição de um candidato presidencial não deva se guiar por vaidades pessoais, uma marca conhecida de Doria, ele escapole ao ser indagado sobre a sutileza. “Quem está falando sobre a vaidade de João Doria é você. Eu estou só trazendo ‘vaidades’, um termo genérico”, desconversa. Leite acredita que sua candidatura possa se tornar uma boa opção contra a polarização entre Jair Bolsonaro e Lula. Uma pesquisa da XP, divulgada no inicio desta semana, mostra que ele é o candidato preferido dos empresários. Em defesa da postura do PSDB de escolher um presidenciável enquanto ainda se desenrolam as tratativas com outros partidos em busca de um nome único, ele diz que não se pode ignorar o protagonismo tucano nas eleições presidenciais realizadas desde a redemocratização. Ao mesmo tempo, sinaliza que estará disposto a compor caso surja, fora da sigla, uma opção com mais chances. “Tem que haver a disposição para composição”, afirma.

Leite tira por menos as piadas feitas por Bolsonaro após a entrevista na televisão em que ele se assumiu gay. Afirma que não poderia esperar uma postura diferente de alguém com “pouca ou nenhuma empatia, pouca humanidade e até alguns traços de crueldade na sua índole”. Sobre a escalada da retórica do presidente contra a higidez do sistema eleitoral, diz que Bolsonaro está fazendo uma aposta na confusão e no confronto, já prevendo a possibilidade de derrota nas urnas. “Vão tentar contestar os resultados das eleições.” Recentemente, Leite começou a ler Uma Terra Prometida, o primeiro volume das memórias de Barack Obama, em que o ex-presidente narra os primeiros passos de sua jornada rumo à Casa Branca. Eis a conversa.

O sr. esteve no Nordeste recentemente. A campanha para ser o candidato presidencial do PSDB, aparentemente, já começou.
Não estamos ainda oficialmente dentro de campanha, o que só vai acontecer a partir de setembro, quando houver registro das candidaturas. É aí que começa o processo de campanha interna. Neste momento, o que há são contatos preliminares, vamos dizer assim, junto ao colégio eleitoral que foi definido (para as prévias).

A preparação das prévias tem ido bem até agora?
As regras foram definidas de forma equilibrada. A definição dessas regras foi o momento mais importante, porque se estabeleceram critérios e pesos nos votos que colocam a bola no centro do campo, em condições de igualdade para a disputa, permitindo que a decisão sobre a candidatura contemple uma visão nacional.

Esse modelo dividiu opiniões no partido e houve um embate entre o sr. e o governador João Doria, que queria um peso maior para os votos de filiados sem mandato. Isso continua gerando atrito?
É um assunto superado, absolutamente superado, que foi decidido com ampla maioria na comissão executiva. O modelo aprovado equilibra o processo, além de dar maior confiabilidade. Este é o primeiro processo nacional de prévias do partido, e um dos únicos de que se tem notícia entre os partidos políticos brasileiros. Não posso asseverar que o PSDB seja o único a fazer prévias, mas não é um processo corriqueiro, isso envolve uma curva de aprendizado, inclusive. Seria pouco prudente definir que o peso integral dos votos será pelos filiados quando o partido nem tem um processo adequado de cadastramento e recadastramento dos filiados. Temos que aprender a fazer prévias. É preciso dar mais peso aos filiados com mandato neste primeiro momento, para que esse processo aconteça sem a possibilidade de acusações de que alguém votou indevidamente, ou de que votos foram manipulados, ou de que houve qualquer tipo de baixa transparência na organização.

Marcos Nagelstein/FolhapressMarcos Nagelstein/Folhapress“O PSDB é desde já protagonista, pelo papel que teve historicamente”
Em 2018, nas prévias de São Paulo para governador, vencidas por João Doria, o ex-senador José Aníbal chegou a entrar na Justiça para suspender a eleição por suspeita de fraude. O que o PSDB pretender fazer para evitar esse tipo de suspeita?
Eu acho que começa pela própria definição do colégio eleitoral. Ou seja, 75% do peso nas prévias está dado pelos filiados com mandato. Desses 75%, 62,5% são prefeitos, vice-prefeitos, deputados federais e estaduais, senadores, governadores. É um público de 1.200 pessoas, se não me engano. É possível fazer a votação num mesmo ambiente, em uma espécie de convenção do partido. Eu defendo que a votação seja feita presencialmente, em um grande ato, em Brasília, como o ponto alto das prévias. Esperamos que lá em novembro tenhamos condições de fazer um evento público, dentro do quadro da pandemia, para que a gente tenha a possibilidade de essas pessoas todas votarem em cabines, de modo organizado.

Em 2018, uma acusação que vinha dos adversários de Doria nas prévias do PSDB de São Paulo era a de que ele mobilizou recursos e a máquina partidária para inflar sua votação entre os filiados. O sr. teme que isso possa acontecer novamente?
Eu acompanhei pela imprensa algumas acusações que foram feitas em relação às prévias paulistas, mas não tenho nenhum elemento para fazer qualquer tipo de acusação. Não sou do diretório de São Paulo e nem acompanhei diretamente como se desenvolveu o processo. Tenho firme expectativa de que se desenvolva um processo limpo, transparente e claro nas prévias nacionais do partido, e é por isso mesmo que estou com disposição de participar. Se houver qualquer indício de elas não terem sido conduzidas da forma adequada, naturalmente isso terá que ser tratado em outro foro. Tudo o que foi feito até aqui e o que se pretende fazer entrando nas prévias é para evitar qualquer possibilidade, ou pelo menos reduzir muito as chances, de interferências indevidas no processo da escolha do candidato.

Nas discussões em busca de uma terceira via para 2022, o PSDB já se coloca como o principal partido do chamado centro democrático. O que o sr. diria sobre essa postura?
Não percebo que o PSDB se diga por direito como o partido que deve ter a candidatura de centro. Mas não dá para ignorar que, desde que foi formado, o partido sempre teve candidato e sempre protagonizou o processo, a não ser na última eleição. E mesmo na eleição lá de 1989, Mário Covas teve uma posição importante. Agora estamos falando novamente da expectativa de podermos reunir o centro, e, naturalmente, o PSDB é desde já protagonista, pelo papel que teve historicamente. Isso dá o direito de ser o partido com a candidatura? Não, mas há uma história que deve ser considerada.

Marcos Nagelstein/FolhapressMarcos Nagelstein/Folhapress“Quem está falando sobre a vaidade de João Doria é você. Eu estou só trazendo ‘vaidades’, um termo genérico”
Então o partido poderia apoiar outro candidato?
Quando a gente senta à mesa para pedir apoio dos outros partidos, a gente tem que ter disposição para ser apoiador também, desde que fique claro que outra candidatura pode reunir partidos e formar alianças de maneira mais efetiva, e que evidentemente una em torno de um projeto no qual todos se sintam representados.

Por que, então, fazer prévias internas se o partido ainda pode apoiar outro candidato?
O partido faz prévias buscando ter candidato. A minha disposição é de ajudar o PSDB a ter esse protagonismo. Nós estamos em um partido político e na política buscando a oportunidade de protagonizar o processo, mas não é sobre atender um projeto pessoal e nem vaidades. É sobre ajudar o país a recuperar a sobriedade, a sensatez, o equilíbrio, para que passe a atacar os problemas, e não as pessoas. O Brasil tem visto na política muito ataque às pessoas. A gente precisa recuperar o jeito de fazer política que se perdeu, com diálogo e respeito ao contraditório, como a democracia exige que seja. Acredito que a gente tem um dever muito importante nessa eleição de colocar esse interesse público nacional acima de qualquer interesse pessoal, de qualquer projeto político partidário. Por isso, inclusive, o PSDB deve ter humildade nesse processo e as pessoas dentro do PSDB devem ter humildade também para conduzir esse processo, o que não significa menos disposição de ter candidatura própria.

Em um cenário hipotético em que o senhor ganhe as prévias, mas exista uma candidatura de centro com maiores chances contra Lula e Bolsonaro, o sr. abriria mão de concorrer?
Tem que haver a disposição para essa composição, sem dúvida nenhuma. Tanto quanto nós esperamos que haja disposição dos outros para também fazer essa concessão se a nossa candidatura puder melhor aglutinar. Política é sobre colocar o outro em primeiro lugar, e não nós mesmos. É colocar em primeiro lugar o interesse de fazer pelos outros, e não o interesse de ser governador ou presidente, ou o que quer que seja. A gente tem que ter essa disposição de considerar outra candidatura que melhor aglutine, que melhor componha, que tenha melhor chance. É claro que não é uma decisão pessoal, mas do partido. Até aqui tenho muitos elementos para acreditar que a minha candidatura possa ser esta que reúna (o centro). Temos tido bom diálogo com outros partidos e rejeição baixa. O nível de desconhecimento é ainda grande, mas mesmo assim pesquisas já registram empate técnico em alguns cenários.

Com quais outros partidos o sr. já teve boas conversas?
Estive recentemente numa conversa com ACM Neto, ex-prefeito de Salvador e presidente do Democratas. Foi uma conversa muito positiva. Ele mostrou muita disposição de estarmos juntos. Com o próprio (Luiz Henrique) Mandetta, que é um possível candidato do DEM, estive conversando e sinto que ele tem a mesma disposição, a mesma vibe. Temos o sentimento de que não é sobre patrocinar uma aspiração pessoal. Uma candidatura à Presidência da República não pode ser para atender a uma aspiração pessoal.

Marcos Nagelstein/FolhapressMarcos Nagelstein/Folhapress“Uma candidatura à Presidência da República não pode ser para atender a uma aspiração pessoal”
Mas também não seria legítimo ter essa aspiração pessoal?
É legítimo. Uma vez um jornalista de uma pequena TV daqui do estado me perguntou: “Mas o senhor não quer ser presidente da República?”. Olha, perguntar para quem já foi prefeito e é governador sobre querer ser presidente é a mesma coisa que eu perguntar para você se você quer ser âncora daquele telejornal do horário nobre numa grande emissora aberta. É legítimo que você queira. Vai ser? Não sei. Me sinto capacitado, tenho disposição, mas conforme a gente vai avançando na política, mais a gente é escolhido do que a gente escolhe. Tem uma questão do contexto, de momento político.

Como o sr. explicaria essa questão do “momento político” para um eleitor comum?
Em 2006, Geraldo Alckmin foi candidato a presidente da República e fez 40% dos votos no primeiro turno contra Lula. Doze anos depois, o mesmo Geraldo Alckmin concorreu a presidente e fez 4% no primeiro turno. Não mudou o Alckmin, mudou o contexto, a circunstância. O ambiente era outro, e o espírito do eleitor era outro. A gente tem que entender isso, tem que fazer a leitura certa, especialmente quando o país passa por uma crise como esta que está passando, com radicalização, com um processo de enfrentamento com a nossa democracia, que está, sim, sob ameaça. A ameaça à democracia não é nem velada, ela é declarada a partir do momento em que há contestação do próprio processo de votação, em que há insurgências, em que se insufla parcelas da população a brigar nas ruas. Isso é um ambiente de radicalismo. Essa polarização exige dos homens públicos a capacidade de abrir mão das suas próprias aspirações, se for o caso, em nome da unidade em torno de um projeto que se viabilize politicamente para trazer o país de volta à sensatez e ao equilíbrio. É importante recuperar o bom senso.

O sr. tem falado bastante sobre vaidade e projetos pessoais. A vaidade de João Doria é um problema? 
Quem está falando sobre a vaidade de João Doria é você. Eu estou só trazendo “vaidades”, um termo genérico. Cada um deve avaliar qual é o grau de vaidade nesse processo. Eu não vou fazer essa avaliação. O eleitor saberá fazer juízo a respeito de como cada um lida com sua própria vaidade. Eu busco domar a minha. Não sou desprovido de vaidade, mas busco controlar a minha, para que ela não interfira no que realmente importa, na política, que é o que eu posso fazer pela minha cidade, pelo meu estado, pelo meu país.

Após as eleições de Fernando Henrique Cardoso, as brigas internas no PSDB sempre atrapalharam as candidaturas do partido ao Planalto. É algo que pode se repetir em 2022?
O partido tem essa característica de quadros vocacionados para o Executivo. A gente vê outros grandes partidos, de tamanho semelhante do ponto de vista de bancada no Congresso e de número de prefeituras, mas que pouco constituíram candidaturas à Presidência da República como o PSDB conseguiu viabilizar. Então, quando a gente tem esses quadros e tem essa característica do partido, é compreensível que haja em algum momento mais de uma candidatura possível. (O partido) é que tem que tomar uma decisão. Uma discussão mais aberta, mais ampla dentro do partido reduz o nível de atrito.

Rodger Trimm/Palácio PiratiniRodger Trimm/Palácio Piratini“Eu não vou devolver os ataques dele (Jean Wyllys) com outros ataques”
O presidente Jair Bolsonaro fez piada a partir da entrevista em que o sr. disse ser gay. Como o sr. recebeu essa reação?
Eu não poderia esperar nada diferente do presidente, pelo seu comportamento reiterado em relação a esse assunto. Lamento profundamente, porque eu entendo que a gente precisa avançar no país em termos civilizatórios. A luta não é apenas pela questão do direito da população LGBT, é pelo reconhecimento da igualdade e de que a diversidade do nosso povo é um ativo, não um defeito ou um problema a ser combatido. É uma força, é uma riqueza sermos um povo diverso do ponto de vista cultural, do ponto de vista racial, do ponto de vista regional, do ponto de vista de orientação sexual, da crença religiosa. Nós temos uma diversidade própria da população brasileira por causa da forma como fomos colonizados. Infelizmente, o presidente tem demonstrado pouca empatia ou nenhuma empatia, pouca humanidade e até alguns traços de crueldade na sua índole. E não apenas nesta manifestação em relação a mim. A mais recente foi agora, em relação à memória de Bruno Covas, quando se referiu a ele de forma lamentável, depreciativa. Esse comportamento certamente não está à altura do povo brasileiro, que tem como característica o afeto, o acolhimento, o carinho. Essas são as características do nosso povo que precisam ser recuperadas.

O senhor vê a tragédia provocada pela pandemia no Brasil como resultado dessa mesma crueldade do presidente?
O problema foi exatamente o presidente. Para sustentar sua narrativa ideológica, ele lançou as pessoas à própria sorte, apostando em medicamentos sem comprovação, estimulando aglomerações, combatendo o uso da máscara e todas as medidas não farmacológicas que, especialmente antes da vacina, eram absolutamente imprescindíveis para reduzir a circulação do vírus e, consequentemente, salvar vidas. Isso é muito claro, muito evidente. O presidente, para sustentar a sua narrativa, dentro de uma lógica de confronto, de enfrentamento, preocupado com a sua popularidade, preferiu colocar em risco a população que deveria estar protegendo. Sem dúvida nenhuma, (a resposta do governo federal à pandemia) mostra essa pouca humanidade, é a comprovação dessa pouca ou nenhuma humanidade e falta de sensibilidade do presidente.

No campo político oposto ao de Bolsonaro, o ex-deputado Jean Wyllys, militante LGBT, lhe fez duras críticas. Gays na política só podem falar em nome da causa se forem filiados ao PT ou ao PSOL?
Antes de qualquer coisa, eu preciso ressaltar que houve muitas manifestações positivas na esquerda. A deputada Manuela D’Ávila, a deputada Fernanda Melchionna, a deputada Luciana Genro, muitas deputadas e deputados ligados à esquerda se manifestaram positivamente. Houve muitas manifestações positivas, e algumas, como essa do ex-deputado Jean Wyllys, no sentido de tentar se apropriar de uma causa. Há que se tentar compreender. Eu não vou devolver os ataques dele com outros ataques. Acho que a gente deve combater o ódio que está presente na política não com mais ódio, mas com afeto, amor e capacidade de compreensão, de empatia, de se colocar no lugar do outro. Como o deputado Jean Willys milita nessa causa há mais tempo, e tenha sofrido mais por enfrentar preconceitos em tempos ainda mais difíceis, talvez ele esteja machucado e se sinta de alguma forma não satisfeito por eu apenas agora ter falado publicamente sobre a minha sexualidade.

O presidente da República tem sinalizado que não aceitará uma derrota em 2022, caso o Congresso não aprove a PEC do voto impresso. O que o sr. acredita que pode acontecer? 
É até compreensível e teoricamente defensável que se debata o voto impresso. Mas sob Bolsonaro tudo vira um risco institucional. Não parece haver efetivamente uma preocupação de Bolsonaro com o voto impresso, para garantir transparência, mas sim para causar confusão, para causar confronto. É uma espécie de “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Se aprovarem o voto impresso, (é grande) a chance de muitas urnas terem problemas por conta de ser um processo mecânico. Não pode ser só comigo que acontece de as impressoras travarem, não imprimirem (risos). Todo mundo tem problema com impressora, não posso ser só eu o azarado. Até a máquina de cartão, às vezes você passa o cartão, aí não imprime, come o papel… Então, como é um processo mecânico, há chance de haver problemas mecânicos na hora da impressão e já começa ali a possibilidade de eles fazerem barulho. Depois, mesmo que não sejam tantos os problemas, o resultado vai ser declarado no domingo à noite e eles vão poder fazer a contestação, pedir recontagem, centenas de recontagens de votos aqui e acolá para tentar armar uma confusão no mesmo estilo do que ocorreu com Donald Trump nos Estados Unidos. Vão tentar contestar os resultados das eleições.

Adriano Machado/CrusoéAdriano Machado/Crusoé“O presidente, para sustentar a sua narrativa, preferiu colocar em risco a população” 
A seu ver, é uma aposta na confusão?
Parece ser muito mais para criar confusão, conflito, confronto. Em um país em que houvesse uma situação de tranquilidade, de serenidade, (seria razoável) discutir o aperfeiçoamento do processo da votação. Assim como nós migramos do voto no papel na célula para o eletrônico, nós podemos também achar que precisamos mais discutir novas ferramentas de como avançar. O voto impresso poderia ser até uma delas, embora não haja nenhum elemento até aqui que nos faça desconfiar com razoável motivação de que a votação eletrônica não esteja sendo clara, correta, transparente. Então, parece que é muito mais para gerar confusão. Não estou dizendo que todos que defendam o voto impresso tenham essa intenção, acho que há pessoas que acreditam que o voto precisa ter uma condição a mais de auditoria, mais uma condição de auditar para além da auditagem eletrônica. Eu vejo que existem pessoas que defendem o voto impresso sem a intenção de causar confusão, mas no caso do presidente e dos seus apoiadores parece claro que a intenção é causar um confronto pelo seu histórico, pelas manifestações que já estão fazendo. Não parecem fazer essa defesa com boa intenção.

E qual pode ser o resultado disso?
Gera-se a preocupação sobre qual será o comportamento (de Bolsonaro) no caso de derrota. Por isso, as providências tomadas pelo Tribunal Superior Eleitoral parecem justificadas.

A partir da manifestação do ministro da Defesa em favor do voto impresso, o sr. acredita que existe o risco de desdobramentos mais sérios, como uma tentativa de golpe?
Bom, a entrada do ministro da Defesa não foi com declaração formal oficial sobre o assunto, mas houve a notícia de que ele teria feito algum tipo de ameaça, dado algum recado. Ele nega que tenha feito essa abordagem em tom de ameaça. Mas, se ocorreu, merece sem dúvida uma investigação porque seria uma ameaça à democracia e, consequentemente, à Constituição. Por isso, é um tema que merece apuração e atuação do Congresso Nacional, que precisaria se manifestar a respeito. O TSE já tomou providências. As instituições precisam estar muito atentas.

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  1. Seria importantíssimo os assinantes poderem reproduzir e divulgar a entrevista de Eduardo Leite. Ação política de relevância!

  2. Eu acho que é o óbvio, se aparecer alguém melhor que o PSDB, o apoio será daquele que possa vencer as eleições, Dória também já disse isto, mas é tarde, e meio cedo pra dizer isto, em virtude das barbaridades que estão acontecendo com esse desgoverno, eu estou acreditando na cassação de chapa, acho que deve ter muitas provas para o TSF E TSE apresentarem juntos, e acabar com as baixarias do Boçalnaro, já que neste caso não vão depender das bondades do PGR em beneficio do presidente.

  3. espero que você consiga vencer as prévias do partido e se candidate à presidência da republica para oferecer aos brasileiros uma opção viável. NEM LULA NEM BOSONARO.

  4. Poupem-nos dessa insistência desmensurada por uma terceira via. Essa entrevista nada abordou sobre visão política ou projeto de governo. Parece uma publicidade gratuita. Que vergonha!

    1. Vcs dois têm razão. Só na questão do voto impresso, o Leite deu “alguma opinião” (não defendeu nada, mas deixou claro q não seria absolutamente contra mudanças).

    2. Concordo. Um postulante a presidente da república nada apresentou como proposta pro país. Sequer tendo sido provocado a isso, preferindo o entrevistador saber apenas dos movimentos políticos do partido e tirar críticas ao presidente. A entrevista deixou a desejar. Uma pena, já que tenho interesse em conhecer melhor o Eduardo e seu pensamento para o país.

  5. Parabéns governador!! Sua candidatura seria um refrigério para o país. O 1o . requisito p/um PR da república é o equilíbrio emocional, coisa que o atual não tem e nunca teve; o 2o. é ser capaz de unir a população respeitando sua imensa diversidade de modo que todos se sintam incluídos no governo; o terceiro é formatar uma gestão pública moderna e auditável, como base na transparência, eficiência e moralidade; o 4o. propor e lutar pela drástica redução da quantidade de partidos. Sucesso Governado

  6. Muito boa a entrevista, mas para nos livrarmos do radicalismo de esquerda e direita, só há um caminho: votarmos no candidato de terceira via melhor colocado nas pesquisas na véspera da eleição. Qualquer nome será melhor ou menos ruim do que o ladrão e o mentiroso (corruptos) ...

  7. Um candidado á Presidente com perfil de I Mundo. Infelizmente não para essa Republiqueta de atrasados, ladrões, vigaristas e corruptos. Que chama-se Brasil.

  8. Dizem que Santa Catarina sofreu uma verdadeira invasão de gaúchos raízes tipo: domadores, laçadores, chuleadores, churrasqueiros, envergonhados com a maldição do primeiro "damo". Agora, se dizem "Catarinas", ... kkk!

  9. Admiro muito o Leite, assim como o Luciano e o Moro. Constituem um excelente quadro para o futuro político do nosso país. Entendo porém que o momento requer um candidato, cujo perfil pessoal e político inspire no eleitorado o sentimento de confiança e segurança. Por isso vejo no Tasso Jereissate o nome mais adequado para o momento, encabeçando uma chapa com o Moro.

    1. UÉ! --- o José, gay-confesso, se dizia discípulo do calcinha-apertada e agora se transforma num vil "vira-casaca", ... kkk!

    1. André, esse seu comentário ridículo era só o que faltava... Procure assistir às entrevistas antigas e novas do Eduardo Leite e você verá que ele não passa nem perto de ser um militante desmiolado! Muito pelo contrário: ele demonstra ser um ser humano equilibrado emocionalmente, respeitador da diversidade e firme nas decisões de gestão necessárias para bem governar. Chega de loucos desgovernados na presidência!

    2. Andre, homofobia é crime. Para além de seu comentário tosco, percebe-se seu medo de ser homossexual, pois só tolos acreditam que é possível forçar a sexualidade. Terapia é conhecimento ajudam.

    3. Gado estúpido como André só sabe vomitar estrume! Cai fora desse lugar e vai pastar atrás do seu mito criminal.

  10. Eu acho que o Eduardo leite não deve abrir mão de ser o principal da chapa. Concordaria se ele e Moro entrassem num acordo. Eduardo é jovem inteligente e possibilidades de fazer grandes mudanças. O centrão tem que acabar.

  11. Eduardo Leite, não foi esse sr que andou tirando fotos ao lado de Maria do Rosário algum tempo atrás?! Rsrsrs... Terceira via, né?! Çei!!!

  12. Na nona pergunta, encontro a seguinte resposta : Politica, é sobre colocar o outro em primeiro lugar , e não nós mesmos. De verdade sou fã desse senhor ... mas , eita frasezinha miserávi.

  13. Em 2022 SÉRGIO MORO “PRESIDENTE LAVA JATO PURO SANGUE!” O Brasil finalmente terá Um Governo Fundado no “IMPÉRIO DA LEI!” Não seremos LUDIBRIADOS com o “Velho Truque de MELHORAS na ECONOMIA!” Triunfaremos! Sir Claiton

  14. Como gaúcho, só consigo achar graça da campanha aberta deste site e seu gêmeo por Leite, um estelionatário eleitoral como todos de seu pusilânime partido, que se elegeu mentindo que as falimentares contas públicas do RS eram mera questão de "gerir o fluxo de caixa", apenas para achacar o povo gaúcho não uma, mas duas vezes, com aumento de impostos. Votar em qualquer PSDB é eleger um petista com poucos anos de atraso.

  15. Qual o histórico deste cidadão? Suas realizações profissionais e pessoais? O que dizem os gaúchos sobre seus mandatos? Perece que há muita ansiedade por uma "terceira via.

    1. Amaury,o hist. desse cidadão e suas realizações profiss. (as pessoais ñ são da conta de ninguém a ñ ser q sejam criminosas) estão na mídia e na internet p/quem sabe e quer ler.Quem procura,acha. Qto à 3a. via,ñ precisa ser divulgado um nome agora,mas, no + tardar,em set/out.P/isso temos q começar (já está até tarde!) a procurar um nome agora.Planejamento é metade do caminho andado.No planejamento podemos evitar erros crassos.Minhas viagens planejo c/1 ano de antecedência,ainda assim há surpresas

  16. Gostei muito da entrevista do governador gaucho. Me pareceu ser um homem ponderado e inteligente. Sou gaúcha e não votei nele, mas qcho que está fazendo um bom governo. Tratou da pandemia com humanidade e coragem, ouvindo todos os setores da sociedade e tomando medidas duras quando necessário, mesmo correndo risco político. Um bom nome para a terceira via. Se tiver o apoio de Moro, melhor.

  17. Blá blá blá de candidatos vaidoso ! Esse que decidiu o quê se podia ou não comprar nos supermercados fechando as gôndolas à sua vontade ? Crusoé : o quê você quer para o Brasil ? Somente derrubar Bolsonaro ?

    1. Decerto tu queres dizer “coçava o saco”.. fica melhor

  18. Está surgindo um cenário mto interessante a partir da candidatura do governador gaúcho. Sob a liderança do senador Álvaro Dias (Paraná), será impulsionada uma proposta a Sergio Moro, para que ele avalie a condição de candidato à Presidência compondo uma chapa com o governador do RS. Moro já foi indagado sobre essa possibilidade, e, anotem, ele não descartou a idéia. Seria uma chapa quase imbatível se Bolsonaro ficar inelegível.

    1. Também acho excelente uma candidatura Leite/Moro! Eu votaria e faria campanha de graça!

    2. ... Vou perguntar ao Dr. Sergio Fernando Moro sobre suas aspirações sobre "glórias" ... Eu gosto muito quando o mesmo fala sobre 'Fazer o certo, o correto', nunca detectei aspiração de glória. Nem tampouco de STF. ... Mas eu não entendo de nada. ... É advogado em qualquer lugar.

    3. Magda e Alvaro, estou com vocês. Pode ser uma saida. Moro/Leite ou Leite/Moro

    4. Pois então Magda. Sempre haverá “caminhos”.Moro, decerto, lerá essas digressões, e saberá avaliá-las.

    5. Tanto um como outro são pessoas muito interessantes como 3a. via. Mas, particularmente, prefiro Eduardo Leite por causa da experiência política. Ele poderia colocar Moro outra vez como Ministro da Justiça, com ampla liberdade e, mais tarde, mandá-lo pro STF. Seria a glória para Moro e para os brasileiros de bem. Temos que acordar desse pesadelo chamado Bolsonaro. Nunca imaginei que eu, combatente ferrenha de Lula, votaria nele - se não houver 3a. via! - para não deixar esse delinquente voltar.

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