MarioSabino

A Bia, Paulo Freire e eu

06.12.19

Se você perdeu a notícia em meio à profusão de boas-novas vindas da Câmara, vou recapitular o que registrei em O Antagonista, na minha tediosa ocupação de jornalista profissional e, agora, na esperança de que você ultrapasse a colina de números compilados. No início desta semana, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou os resultados do último Pisa, o exame de avaliação de alunos de 15 anos coordenado pela entidade e realizado a cada 3 anos desde 2000. O Brasil, para variar, ficou numa posição humilhante entre as 79 nações cujos estudantes foram avaliados. No ranking geral, o país ficou em 57° lugar em leitura, em 70° em matemática e em 66° em ciências. A China, representada por quatro províncias, obteve o primeiro lugar nas três competências, o que me fez lembrar uma piada da minha adolescência: “mate um asiático e entre na faculdade” (espero não ser processado por causa da lembrança).

Quando os números gerais são destrinchados, o desastre mostra com mais força as suas proporções ferroviárias: 50% dos alunos brasileiros figuraram entre os piores em leitura (23% nos países da OCDE) e 68% entre os piores em matemática (24% na OCDE). Os que atingiram o alto do ranking em ao menos uma competência foram apenas 2% (16% na OCDE). Quer outro susto? Apenas 2% dos estudantes brasileiros conseguem diferenciar fato de opinião, contra 10% do conjunto de estudantes dos outros países. É fato, não opinião.

Como era previsível, e até certo ponto justificável, puseram a culpa naquela disciplina subjacente a quase todas as outras, a doutrinação esquerdista. E deram um rosto barbudo à nossa encrenca escolar: o de Paulo Freire, alvo preferencial de Abraham Weintraub, o ministro da Educação que talvez escreva “insitaria” por culpa das variações infantis do método de alfabetização de autoria do Rousseau nacional. Sem querer incitar os leitores ao ódio contra mim, confesso: tentei ensinar adultos a ler e escrever por meio do método de Paulo Freire. A meu favor, posso dizer que foi numa única noite e a responsabilidade é da Bia.

Conheci a Bia em 1980, num cursinho pré-vestibular onde exercitava a minha então atividade preferida: brisar, como diria o meu filho caçula, que segue o modelo paterno. Loira, alta, olhos claros, a Bia parecia bonita o suficiente para que eu, moreno, estatura mediana e olhos escuros, me interessasse por ela. A Bia também tinha um quê de personagem de Ingmar Bergman, com os óculos redondos e enormes emoldurados pelos cachos dourados. Ficamos amigos, e nunca fomos além disso, embora houvesse uma certa tensão no ar. Ia à sua casa à noite, para não fazer o que pretendíamos: estudar. Só conversávamos. Foi lá que conheci a sua outra irmã loira, mas não arriscarei mais uma digressão.

Entramos na PUC de São Paulo, em 1981. Ela, em psicologia; eu, em jornalismo. Simpaticamente, a Bia apareceu na porta da minha classe, para me dar um presente de aniversário: o livro O Que É Isso, Companheiro?, de Fernando Gabeira. Está na minha estante até hoje. Nós nos encontrávamos no intervalo, com frequência que foi escasseando. Amizade, aquela tensão. Certa vez a levei — na verdade, ela me levou, porque o carro era do pai dela, uma Caravan, se não me engano — ao sobradinho do Bexiga onde o Diogo Mainardi morava, juntamente com a primeira mulher, depois de ele abandonar a London School of Economics, alérgico que era a formalidades escolásticas, assim como eu. Foi em 1982. A minha única lembrança nítida dessa noite é do Diogo gordalhão, sentado numa poltrona da qual não levantava o traseiro, perguntando à Bia quanto o pai dela ganhava por mês. Economics.

No começo daquele ano, fui ao aniversário da Bia, na casa nova da família dela, projetada justamente pelo pai arquiteto de quem eu ficaria sabendo o salário graças ao Diogo. Os quartos eram cubículos e a sala era enorme, em obediência ao preceito de que todos deveriam passar a maior parte do tempo na área comum. Socialismo aplicado à arquitetura, sempre em concreto cinza na parte externa, sempre em linhas retas quando seria recomendável uma ou outra curva, sempre em linhas curvas quando seria recomendável uma ou outra reta. Conheci diversas casas semelhantes, invariavelmente em bairros chiques. Boa parte tinha uma lousa verde na copa adjacente à sala enorme. Era moderno a família deixar recados a giz.

Retomando: fui ao aniversário da Bia, após a minha primeira viagem à Europa. Como estava chovendo, apareci com um impermeável comprado em Roma. Ela abriu a porta e perguntou: “O que significa isso?”, apontando para o meu impermeável. Respondi: “Eu é que pergunto: o que significa isso?”, apontando para as antenas de arame, com estrelinhas nas pontas, que ela colocara na cabeça. Era moda, descobri. Fiquei recolhido num canto, com o meu impermeável, enquanto observava a quantidade de amigos da Bia. Muitos, mesmo. Permaneci na festa durante uma hora, mais ou menos, esnobado pela aniversariante e me sentindo o Tônio Kroeger, de Thomas Mann. Naquela profusão de antenas de arame com estrelinhas na ponta e rapazes com pulôver de lã de lhama, eu era um buraco negro com o meu impermeável. Fui embora num táxi chamado pelo pai dela.

A lembrança seguinte é da segunda visita à casa nova dela. A Bia estava acamada no cubículo que lhe fora reservado, convalescendo de uma hepatite que pegara na Bolívia. Ela estava traumatizada com a experiência. Foi tão roubada que antecipou a volta ao Brasil, depois de uma crise nervosa que culminou com notas e moedas de pesos jogadas no meio da rua, aos gritos de “se vocês querem dinheiro, tomem!”. Ao pisar no Brasil, viu-se diagnosticada com hepatite. Aproveitei para lhe dar de presente o pôster que trouxera para ela de Siena, com a reprodução do afresco que retrata os efeitos do bom e do mau governo, de Ambrogio Lorenzetti. Foi a vingança do impermeável.

Em1983, a Bia virou a cara quando tentei cumprimentá-la na PUC. Nunca entendi o motivo, embora certamente eu tenha lhe dado algum. Passei a ouvir falar dela por meio da moça que viria a namorar e que se tornaria a minha primeira mulher e mãe do meu filho mais velho, hoje com cinco anos a mais do que eu em 1983. A minha então namorada também estudava psicologia na PUC e tinha uma amizade em comum com a Bia: uma neta de Graciliano Ramos. São Paulo é um cubículo com uma sala enorme. Foi num aniversário da neta de Graciliano Ramos que revi a Bia, ela também em relacionamento estável. Não trocamos palavra. Um quarto de século mais tarde, topei com a minha ex-amiga na academia do clube. Eu não a cumprimentei nem ela me cumprimentou, embora tenha tido vontade de lhe perguntar o motivo pelo qual deixara de falar comigo.

De qualquer forma, a minha experiência com Paulo Freire deve-se à Bia. Havíamos entrado recentemente na universidade, nos entupiam o cérebro com “metodologia científica”, eufemismo para marxismo no período da ditadura, e ela me convidou para ir a uma aula de alfabetização para adultos. Era um curso criado por “um pessoal”. Naquele tempo, havia costumeiramente “um pessoal” por trás de tudo. Usavam uma sala da Faculdade de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas. “O método é do Paulo Freire”, informou a Bia, com o seu tom blasé de atriz de Ingmar Bergman. Eu não fazia a mais remota ideia de quem fosse Paulo Freire — consegui essa façanha mesmo tendo estudado no Colégio Equipe —, mas aceitei o convite. Era a Bia, afinal de contas. Despenquei na Getúlio Vargas numa noite que vou descrever fria, porque em crônicas como esta as noites devem ser frias.

Uma dezena de trabalhadores com ar cansado, sentados nas carteiras destinadas à elite magnânima durante o dia, tentava ler a palavra “jangada” que havia sido escrita em cursivo bem desenhado com caneta Pilot na lousa branca, novidade tecnológica na época. Ao lado da palavra, o “pessoal” havia colocado um cartaz com uma foto da embarcação típica do Nordeste, região de onde provinha a maior parte dos alunos. O tema marítimo havia surgido de uma conversa com eles na aula anterior. Com base no que os alunos iam dizendo, outras palavras foram sendo desenhadas na lousa: “vela”, “mar”, “areia”, “vento”. Em seguida, tais palavras foram reunidas em frases básicas, do tipo “O vento bate na vela da jangada”, algo nessa linha, sugeridas igualmente por eles. O meu papel, bem como o da Bia, era ajudá-los a reproduzir no caderno as frases escritas com caneta Pilot na lousa branca. “Não é legal ver os alunos aprenderem a ler e escrever a partir de palavras do contexto em que eles nasceram? Isso ajuda a conscientizar sobre a situação em que estão hoje”, soprou alguém.

Enquanto tentava auxiliar uma senhora, ela me disse que apenas gostaria de aprender a escrever o seu próprio nome, para não passar vergonha na hora de assinar documentos, e a ler os nomes dos ônibus que tinha de pegar, para não parar do outro lado da cidade. Essa senhora, infelizmente, nunca teria de ler a frase “O vento bate na vela da jangada”, enquanto esperava a condução no ponto da Avenida Nove de Julho, inóspita e horrenda, visível da janela da sala de aula. Angustiei-me. Por que obrigá-la a perder horas de sono, tentando imergi-la num universo do qual fora extraída fazia tempo e para o qual jamais voltaria? Conscientizar sobre o quê? Que revolução o “pessoal” pretendia fazer com aquela gente cansada depois de um dia pesado de batente?

Tentei facilitar a vida da senhora, explicando o que eram sílabas. Fui suavemente repreendido pela monitora chefe: o aprendizado das sílabas deveria vir depois, no momento de formar outras palavras, porque as sílabas eram “arbitrárias”. Espantei-me. E as palavras que designam as coisas e os conceitos também não eram arbitrárias nas suas raízes etimológicas? Explicaram-me, então, que as sílabas ensinadas da maneira tradicional representavam a fragmentação idealizada para alienar os oprimidos. Essa fragmentação era a arma dos opressores. Os opressores da classe dominante que impingiam uma visão “bancária” da educação e simplesmente depositavam informações sobre alunos transformados em recebedores passivos do conhecimento — sem que eles participassem do processo de aprendizado, em “comunhão” com os educadores. Sílabas depois, portanto.

Alfabetizado pela Caminho Suave, eu jamais havia imaginado que a minha cartilha era invenção de opressores da classe dominante. No dia seguinte, li Pedagogia do Oprimido, a suma teológica de Paulo Freire, na edição da Paz e Terra. Foram os quatro capítulos mais desérticos que atravessei. Se ainda sei diferenciar as coisas, trata-se de um amontoado de opiniões ideológicas lastreadas em quase nenhum fato. Anos mais tarde, já na Veja, escrevi uma pequena matéria sobre a história de que Paulo Freire, com o seu método, alfabetizara 380 adultos em Angicos, no Rio Grande do Norte, em apenas 40 horas de aula, em 1962, sob os auspícios do governo João Goulart. Há controvérsias. Parece que o feito é tão real como relatórios de produção de uma fábrica da União Soviética.

Ao fim e ao cabo, não acho que Paulo Freire seja o maior culpado da nossa miséria escolar. Ele é somente um dos culpados — inclusive ao inculcar a ideia de que se devem alfabetizar adultos em massa. Os militares fizeram uso dessa ideia e criaram o Mobral, que serviu apenas para alastrar o analfabetismo funcional. O negócio é alfabetizar crianças. Se vai começar pelas sílabas arbitrárias ou não, pouco importa. O essencial é que, ao final, não usem cê-cedilha em “opressor”. A verdade é que nossas escolas sempre foram ruins, com as exceções de praxe. Elas demonstraram que era possível piorar quando passaram a ser centros de doutrinação. Mas há muitos doutrinadores ideológicos capazes de transmitir uma visão “bancária” do conhecimento aos alunos. Eles podem ser bons nisso.

A prova está num cruzamento dos resultados do Pisa encomendado pelo Estadão. Ele mostra que alunos de escolas caras de São Paulo tiveram desempenho superior aos estudantes da Finlândia, cujo sistema educacional é citado como modelo de eficiência. Essas escolas caras estão repletas de doutrinadores. Só que os doutrinadores dos opressores são melhor formados na visão “bancária” do conhecimento do que os doutrinadores dos oprimidos. Se os segundos fossem tão bons quanto os primeiros, o Brasil não estaria na rabeira do ranking do Pisa. É a visão “bancária” garantida por um currículo oficial submetido à eterna vigilância da sociedade, e bem ensinado, mesmo que a contragosto, por professores de qualquer posição política, em escolas reformadas e limpas, que permitirá que os brasileiros aprendam a separar fato de opinião — e, desse modo, distinguir com mais clareza o que é conhecimento do que é ideologia. A maioria da molecada é mais esperta do que imaginam os guias dos povos, não é vaquinha de manobra. A doutrinação entra por um ouvido e sai pelo outro. Se assim não fosse, já seríamos uma Coreia do Norte tropical.

A Bia não vai ler este artigo, imagino, mas gostaria de agradecer a ela por aquela noite esclarecedora na Fundação Getúlio Vargas. E por me fornecer o Zeitgeist do início dos anos 1980.

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  1. Ah, Paulo Freire, acho que ele próprio se revira em seu túmulo ao ver a merda que deu. Também na faculdade encarei um estágio de alfabetização de adultos pelo método dele. Mas acho que entendi errado e fiz do meu jeito apesar de usar palavras do contexto dos adultos (faxineiras dos campus da Esalq). Mas daí a ouvir de uma professora de música do fundamental, onde dei aulas de ciências, que precisava usar o contexto musical dos alunos (qual, se ainda são crianças?) para ensinar música? Ex-colega.

  2. Parabéns, Mario Sabino! Que prazer enorme ler os seus textos! Não pare nunca. Se a Bia não leu esse ou qq um dos seus textos, não sabe o que está perdendo.

  3. Texto saboroso, como sempre ! A PUC SP anos 80 era EXATAMENTE Isso . Fui durante algum tempo “ convertida “ pela seita dominante. Era boba como a Bia que , aliás , deveria ser apaixonada por você . Bobo !

  4. Maravilha! Vc nos brinda com um maravilhoso texto que além de proporcionar prazer ao leitor, pela qualidade e inteligência, explica com clareza o tal método Paulo Freire. Parabéns!

  5. Fantástico! Eu sempre defendi a idéia que o Brasil só se desenvolverá realmente se investir pesado em educação infantil. Mesmo assim essa mudança só começará a dar frutos depois de 35 anos.

  6. Grande Mário Sabino, grande texto! Eu tive a sorte grande aos 6 anos de idade - 1961 - quando minha irmã Gláucia comprou uma Cartilha do ABC e uma Tabuada e me ensinou a ler, escrever e as 4 operações. Com 7 anos, no primeiro ano do curso primário, eu era o NEW EINSTEIN de Brasília! Como foi fundamental para a minha vida ser alfabetizado corretamente aos 6 anos de idade! Basta que o Brasil comece a fazer isso agora em janeiro de 2020 para que não produzamos mais gerações de analfabetos......

  7. Mais ideologia, menos salários e formação dos professores, mais progressão continuada dos alunos resultam nossos índices no PISA.

  8. Ótimo texto! Só não concordo que a doutrinação “entra por um ouvido e sai pelo outro”. Aqui em casa tem um zumbi de esquerda produto de universidade pública. Dá tristeza...

  9. Seu artigo me fez lembrar de Raimundo, um senhor de certa idade que contratei em 1985 para abrir picadas através da mata fechada na região da Serra do Tabuleiro, em SC. Nos intervalos para descanso, a pedido daquele humilde cidadão, tentei mostrar o significado das letras que estavam representadas naquele nome caprichosamente desenhado, usado apenas nos dias de votação. Um dia lhe dei um caderno de caligrafia, um lápis e uma borracha, neste dia ele chorou.

    1. Pois é, Raimundo é o perfeito exemplo da verdadeira "alma" do Brasil: traída, usurpada e vilipendiada por MEDÍOCRES xexelentos... Neste país quem nasceu pra ser presidente está varrendo rua e recolhendo o seu lixo enquanto quem nasceu para servir lavagem aos porcos está participando das altas rodas de Brasília, São Paulo, Rio...

  10. Beleza de crônica, Mário. Algo precisa ser feito com urgência para mudar o sistema de ensino no Brasil. Do jeito que está não pode continuar. A falência está escancarada. Urge que se acabe com a cultura educacional do coitadinho (oprimido) vítima do opressor. A vida é feita de escolhas. Quem quiser se dar bem, que se esforce e conquiste seu espaço, e não fique esperando migalhas do Poder Público.

  11. Sugiro que a sua Bia , faça seu comentário aqui. Ou escreva um artigo na revista. Vamos conhecê-la agora. Podemos ama-la ou odiá-la.

  12. Mario, se a escola era ruim antigamente, hoje em dia ficou muito pior. A doutrinação ideológica teve sucesso absoluto, preparou a massa para gritar Lula livre.

  13. Mario, seus artigos são excelentes, mas esse, em minha modesta opinião, se supera. Quando comecei o curso de pedagogia na UFF, a professora disse que não deveríamos ensinar a escrever a palavra kiwi para a população pobre, pois à fruta (no início dos anos 2000) não fazia parte de seu consumo, isso era ser elitista, ela deveria aprender o que fosse do seu meio, digamos, cultural. Ou seja, sempre essa população estaria fadada a viver modestamente. Lhe eram tolhidos os meios para atingir "A elite".

  14. Ótimo texto! Apenas lamento que nossa “Direita” tenha sido moldada a partir dessa esquerda falastrona e doutrinadora. Manter isso é falta de respeito.

  15. Penso que se a educação continuar assim, logo estaremos vivenciando o que era comum no período colonial do país: os filhos da elite ou seria zelite?, indo estudar em outros países e voltarem doutores. Os que aqui ficaram, estavam ocupados demais em inventar a roda, para estudar.

  16. Gostei muito. As pessoas acabam subestimando a inteligência uma das outras. Vai ter apagão de mão-de-obra ou de capital humano novamente? Estão prevendo ques sim, principalmente se o Brasil crescer acentuadamente nos próximos anos. Vamos ter que reimportar gente que foi-se daqui ou trazer estrangeiros? Vai faltar gente capacitada em TI, por exemplo...

  17. Delícia de texto, sensacional! Voltei aos anos 80, à velha PUC, como éramos "engajados"... ou pelo menos pensávamos ser. Aquela doutrinação esquerdista quase obrigatória deixou muitas deformações, porque em nome da luta contra os anos de chumbo, assumíamos conceitos que sequer entendíamos bem e que depois provaram ser apenas um amontoado de lorotas irrealizáveis. Anos mais tarde, somou-se a isso a devastadora capacidade da esquerda de roubar bilhões. Obrigada, Sabino, foi uma viagem no tempo.

  18. Texto maravilhoso ao nível Sabino. Igor Gadelha e Renato Alves, os fofoqueiros da Crusoé, que me fazem querer cancelar a assinatura, não escrevem um texto desses nem se ditarem para eles.

  19. Excelente!! É sempre bom chancelar a ignorância. Será que a Bia Ainda se debate no vento que bate na vela da jangada?! Achu qui ninuém çabe naun.

  20. Olá, Mário. Sou professora universitária aposentada, hoje escritora diletante. Gostei imenso de sua coluna de hoje. Sempre torci o nariz para Paulo Freire e sua ideia de "inçerir" a sua pedagogia do oprimido no ensino básico. Menos ideologia e mais conhecimento, é isso!

  21. Textos como esse não podem ficar restrito ao efêmero de uma revista virtual, necessitam durar, clamam pela eternidade que acreditamos existir nas páginas de um livro.

  22. A Bia pode não ter gostado do pôster que vc lhe deu, Mário, mas eu que não conhecia (embora já tenha visitado Siena rapidamente), fui pesquisar e adorei saber. Obrigada por mais esse excelente e saboroso texto.

  23. O artigo do Sabino merece a láurea máxima. Como transformar milhões (80%) de desafortunados em gente alfabetizada e civilizada? Como evitar a brutal concentração de renda no capitalismo ( veja o que está acontecendo na meca do capitalismo:EUA)? Como evitar a captura dos órgãos do Estado pela horda de “capitalistas” ensandecidos e apoiados pela corrupção disseminada na política? Como organizar os órgãos do “Estado” para servir ao seu povo? Eis a questão que merecerá um outro crônica do Sabino.

  24. Como invejo a capacidade de pescar uns acontecimentos antigos, e sem importância, contá-los docemente como pano de fundo na defesa de uma tese da maior seriedade. Parabéns Mário

  25. Gostei da estoria, de verdade! E fico com inveja (boa) do Sabino. Gostaria de ser um bom escritor para transformar em boas estorias todas as vezes que afinei. O Sabino estava na cara do gol (com a Bia) e em vez de chutar, passou a bola (afinou). Acontece... :)

    1. Nossa, Mário, como seu comentário aparentemente demonstra desaprovação, pela singularidade dele no meio de tantos elogios, ele me chamou atenção: não existe unanimidade em nada. Mesmo discordando da sua opinião, é bom poder ver pluralidade de opiniões.

  26. PUC, teologia da libertação, Paulo Freire (O charlatão), na opinião do Olavo, tudo a ver. A elite nunca desprezou a Educação "bancaria". Tanto que é a elite que se dá bem na FUVEST. Os jornalistas na maioria principalmente comentaristas esportistas ou mesmo de política deixam a desejar intelectualmente. Quase todos foram doutrinador com ideias esquerdistas.

    1. É, também gostaria de saber. Enquanto isso, parabenizo o Mário

    1. Bem vindo, Luciano. Estou há um ano (naquela época, bolsonaristas fanáticos que ameaçavam cancelar a assinatura quando liam críticas ao presidente eram maioria por aqui) e fico feliz de ver pluralidade aqui nos comentários. Isso mostra que o jornalismo independente (que recusa publicidade estatal) da Crusoé funciona. Quero ver a revista fazendo grandes investigações, como a veja fazia no passado.

  27. Muito boa, como sempre.No interior era povo, tinha sempre um povo ...rs.Caminho suave...trabalhei com pessoas de várias classes sociais, mas contemporâneas, todas sabem ler , escrever e interpretar textos .

  28. A crônica é de lavar a alma. O resultado do Pisa é vergonhoso, principalmente para um país que gasta um considerável porcentagem do PIB em educação.

  29. Estou boquiaberta com esse artigo maravilhoso que escrevestes, Sabino! Mesmo depois de tanto tempo te seguindo, ainda consegues me surpreender com tuas histórias deliciosas!

  30. Bravo! Também fui alfabetizada pelo “ Caminho Suave” e anos mais tarde fui professora de ensino infantil onde brincando de juntar letras alfabetizei sem método algum algumas dezenas de crianças.

  31. A respeito do Sr. Paulo Freire, vale saber a respeito da frustração dele quando secretário de educação do município de São Paulo na gestão da paraibana Luiza Erundina. Um enorme fracasso escondido pelo PT. Erundina foi sucedida pelo Sr. Paulo Maluf, entende? Os sindicatos inviabilizaram o projeto de educação ... tstststs ... 😁🆘

  32. Meu último ano lecionando na Universidade: aluno do último semestre de Economia, pronta para festa de formatura. Ela não sabia quanto erá 17% de 100...

  33. Excelente crônica, Mário! Naturalmente que a sua "Bia" é uma ficção, mas a história é verdadeira, ou estou enganado?! De toda sorte, é prazeroso tê-lo como integrante dessa grande equipe da Crusoé e o mais esperado das sextas-feiras. Parabéns meu caro!

  34. Como sempre um texto maravilhoso! E verdadeiro! E me deu uma saudade da minha cartilha Caminho Suave....Sabe, dormia com ela....gostava tanto das "sílabas arbitrárias".... eu queria era chegar logo no Za, ZE, ZI, ZO, ZU e escrever Zabumba. Oh, saudade!

    1. Essa era a mais intrigante😍😍👏🏻👏🏻👏🏻

  35. Excelente texto! Ministros exigem lagosta e vinho premiado no supremo, políticos brilham os olhos com o "fundão eleitoral", universidades públicas pessimamente administradas...enquanto isso na base, onde tudo começa, estamos um desastre. O que nos falta é foco verdadeiro no que realmente importa, deixar as "opiniões" e focar nos "fatos".

  36. Tão importante quanto a ideia, saber transmiti-la é o que faz a diferença entre um texto medíocre de uma leitura primorosa. Ler e entender Mario Sabino é uma honra e privilégio de pequena parcela da população brasileira (vide resultados do PISA). Parabéns.

  37. Hoje entendi porque tudo o que vc escreve me soa tão familiar além da cartilha caminho suave. Alunos da PUC ,nos mesmos anos da mesma década cafona de São Paulo, seu texto me levou até àquela horrorosa,decadente e triste nove de julho dos anos 80, repleta de nordestinos tristes e perdidos. Também tive uma amiga “Bia”que ,nunca mais me cumprimentou. Não tive tempo de agradecê-la pelo gesto de caridade.Parabéns Mário Sabino, vc conta histórias maravilhosamente .

  38. Quem acha que a escola pública no Brasil ja foi boa, deveria ler os documentos sobre a instrução no Brasil Império. Nunca conseguimos ter uma sociedade que valorizasse a educação. Os professores não se veem como responsáveis pela situação... os pais não se importam se os filhos estão aprendendo ou não.... todos fingem que a situação é menos complexa do que é... enquanto isso, o país perde capacidade produtiva, intelectual e científica...

    1. Lisa, houve um tempo em que a escola pública era buscada pela elite: Currículo invejável incluía latim, francês, inglês etc. Professores primários de alta performance como Cecília Meireles, só isso. Claro que nem tudo, sempre é perfeito.

  39. A escola pública era a melhor com seus professores bem pagos, prestigiados pela comunidade e muito bem preparados, avaliados por concurso público. Tive o privilégio de nela estudar e aprender... A reforma de diretrizes e bases, creditada a Darcy Ribeiro, iniciou o desmonte que a ideologia esquerdista concluiu. Infelizmente, simples assim...

  40. Genial, Mário. Você amarelou para Bia; devia ter dado em cima. Se você tiver oportunidade de encontrá-la pergunte por quais diabos ele deixou de falar com você. Ah, tantos anos depois ela deve estar caidaça, você pensará: poxa, era tão bonita! O tempo não perdoa, meu velho.

    1. Ceifador, tens razao: acho que o nosso amigo Sabino afinou! :) E caidaco todos estamos, ou estaremos. O tempo nao perdoa ninguem mesmo. Abracos

  41. DISCORDO MARIO . Nossas escolas nem sempre foram ruins . Antes a escola pública eram boa e a escola particular eram ruim . Quem estudava na escola particular era porque não estava indo bem na escola pública . Nossos pais e avós nos contam isso . Foi o método Paulo Freire e o socio-construtivismo que acabou com a qualidade da escola pública . Comparar as melhores escolas do Brasil com as piores da Finlândia não é uma comparação justa . O justo é comparar as melhores com as melhores . 🇧🇷

    1. Também estudei em escola pública pública nos bons tempos e eram melhores que as escolas particulares.

    2. Concordo com vc Fábio Também fui aluna de escola estadual e federal e só tenho a agradecer. Passei em todos os vestibulares que prestei. Sou Dentista desde 1985 e devo toda a minha base escolar aos colégios públicos que frequentei. Eram excelentes!!! Boas lembranças, deliciosas refeições, funcionários bem treinados. Professores com muita qualidade e vocação para esse ofício sem igual. Devemos tudo a esses seres iluminados que por amor ao exercício da profissão nos conduziram tão bem.

  42. Sempre intuí, pelo “pessoal” que o cultua, que Paulo Freire era uma porcaria. Agora percebo que minha intuição estava certa. Obrigado Sabino.

  43. Off topic Mário, peço a gentileza de disponibilizar um e-mail da Redação para que possamos mandar-lhes algumas matérias um tanto espinhosas.

  44. Adoro o que você escreve, Mário! Mas hoje foi especialmente boa a sua crônica! Me fez sorrir pela forma e ao mesmo tempo sentir tristeza pelo que fizeram com o Brasil. Só fiquei curiosa para saber quem é e por onde anda a Bia. Você sabemos estar aqui nos ajudando a lutar contra o estrago feito pelo "pessoal" da Bia.

    1. Ótima idéia !!!! "..aquela senhora só queria aprender a LER corretamente ..." Genial!!!!

  45. Nas universidades públicas com o orientador querem escolher o caminho da pesquisa e a fundamentação. Tem mais investimento na pós graduação do que a graduação. Há uma competição interna e os donos da cadeira fazem de tudo para ganhar viagens a congresso e participação em eventos.

    1. Parabéns Mario!!!! Seu texto representa o maior nó a ser desatado em nosso sistema educacional: Conhecimento, comprometimento, acompanhamento, avaliação,ausência de qualquer ideologia.

  46. O pior é que os nossos opressores da atualidade, aí incluindo ocupantes do legislativo e do judiciário, contam com as incapacidades reveladas pelo Pisa, bem com a falta de memória de nossa multidão de oprimidos, para se eternizar no poder.

  47. Nada de Freire. Entrei no Primário direto no terceiro ano. Tinha 9 anos. Aprendi a ler aos 5 anos minha mãe apontando sa e depois po. E outras sílabas. Dos 5 aos 9 meu pai me ensinou História e Geografia. 14 anos e ganhei diploma em Letras, Literatura Brasileira e Francesa e língua francesa. Só a faculdade foi privada. Esqueça esta tal Bia. Continue usando tua ( sou gaúcha) gabardine, teu escudo metafórico contra a ignorância. Gosto muito e acompanho tuas sábias reportagens. 🍀

  48. Mario ler seus textos, honestamente, me traz um sentimento de agradecimento por, ao final, sentir que valeu a pena ter estudado para poder compreendê-lo. Magnífico texto! Obrigado.

    1. Como é bom respirar ao terminar de ler seu artigo as 23:30h de uma sexta-feira! Obrigado Mario sensacional!

    2. Eu sinto exatamente isso, Mário! Como é bom respirar o ar puro do teu magnífico senso comum, da capacidade de palavra, de dizer o que eu sinto. Valeu!

  49. Texto brilhante. A primeira vez que ouvi falar de PF foi dez anos antes, 71 talvez, num desses grupelhos de Jec e Juc. Alguém comentou que o PF era muito autoritário, pois não deixava a filha sair, super severo, etc. lá na Suíça, onde moravam.

  50. Maravilhoso... , deveria ser debatido em cursos de pedagogia, pena que a maioria dos estudantes brasileiros não entenderiam , nem a ideia principal..👏👏👏👏

  51. Mário, excelente texto. Fica aqui uma pergunta: O custo por trás de cada aluno de escola pública não seria igual ou maior do que o custo de um aluno de uma escola de elite? O desperdício, pouco caso, incompetência e fraudes levam-me a pensar que sim. Abraços,

    1. O professor da escola pública, pode faltar 500 vezes ao ano e por um suplente no seu lugar. Não tem pais vigiando seu trabalho, como na escola particular. Além disso, a disciplina, obediência as regras, respeito ao professor, não são valores cultivados na pública. Há exceções.

  52. parabéns ,sua crônica me faz recordar minhas discussões na década de oitenta se for preciso vendemos a Caravan mas meus filhos não vão para escola pública ,o que na decada de sessenta .seria essencial conseguir vaga no colégio público que era o melhor de Barretos

  53. Parece que a Bia, ao cabo de um período de doutrinação em "metodologia cientifica", radicalizou-se. Aderiu ao ISIS brasileiro que vicejou nas universidades lacradoras e ainda viceja.

  54. Mário você é impagável!!! Como lava minha alma, obrigada por tamanho prazer e ratificação de ideias. Parabéns sempre. Só queria ter o insta da Bia kkkkk

  55. Sobre métodos de alfabetização, os contra Paulo Freire condenam o silábico também. Dizem que o fonético é o canal em todo o mundo. Não sou da área. Reproduzi o q ouço.

    1. Tenho quatro filhos. O melhor método de alfabetização é o carinho. Se houver, tanto faz ser silábico ou fonético ou uma mistura dos dois. Qualquer pai ou mãe suficientemente alfabetizado é capaz de alfabetizar. Não é tão complexo quanto querem fazer parecer.

  56. Crônica saborosa de ler, principalmente por quem viveu aquele período! Que bom que você continuou lúcido e um jornalista de primeira!

    1. Eu continuaria lendo, gostosamente, por mais umas duas horas.

  57. Adorei, mostrou , de forma muito clara o método de alfabetização alienada do Paulo Freire, minimizava a compreensão da formação das sílabas e palavras, não levava em conta que era ideal começar com palavras mais simples para uma melhor compreensão,pura ideologia , duvido da eficiência desse método

    1. Parece ser a musa inspiradora dele. Volte a conversar com o Mário, Bia!

  58. Obrigado, Bia. se você tivesse facilitado para o Mário, talvez tivéssemos mais um professor imbuído da missão de formar alunos críticos e conscientes - e analfabetos. Obrigado, Mário. Talvez, pegar a Bia tivesse te agradado mais, mas não poderíamos desfrutar dessa ótima crônica.

  59. Ideologias representam o atraso da humanidade, servem como ferramentas de manipulação nas mãos de oportunistas. Creio que isso seja um fato...

  60. Jornalismo e psicologia da PUC...Deus do céu, que lixo! E o cara não entende porque estamos tão mal no ranking. A educação brasileira é um estelionato, não entrega o que é paga para entregar (assim como a PUC). Tem doutrinação sim, mas o pior problema é preguiça, mediocridade e deslumbramento. A escola particular é apenas um pouco melhor porque o cara tem medo de perder o emprego e os pais são mais atuantes. Isso só resolve com voucher, o que nunca vai acontecer no Brasil.

  61. Adorei! Que texto gostoso de ler! Fatos, opiniões, humor e informação. Identifiquei, até, uma família muito querida que, ao escolher um apartamento, também dizia que a sala tinha que ser grande porque reunia todos durante a maior parte do dia... socialist...? Gostaria de saber o que aconteceu com a Bia, o que ela pensa e faz hoje.

  62. Caro Sabino, como sempre, um excelente texto que nos leva a refletir sobre os tempos atuais da educação no nosso ainda querido Brasil. Parabéns pelo alerta bem construído e inteligente.

  63. Grande Sabino ! Já sabíamos todos nós leitores de seus livros e de suas colunas numa quase extinta revista semanal, que você é um exímio contador de histórias e fino analista político de nossas mazelas nacionais. A Crusoé mostra que você também é um grande cronista dessas quatro últimas décadas de nosso sofrido país. Agora você nos deixa também curioso: seria esse “Diogo gorducho”, hoje, um competente jornalista ? E essa “Bia” estaria casada com um político, ou com um renomado colecionador?

    1. @RUBEM: link para o primeiro post de O Antagonista: https://www.oantagonista.com/brasil/rolando-rampa-abaixo/ Agora esperamos que ela "role" para a cadeia ASAP!

    2. Gosto do seu jeito de escrever,parece um conversa.Simples e com muito conteúdo.

    3. Gosto do seu jeito de escrever.Parece uma conversa.Simples mas com muito conteúdo.

    4. Caro Cosme, obrigado pelo comentário. Não me lembro bem como fiquei sabendo da novidade, mas li o primeiro post do Antagonista no dia 1/1/2015. Lamento não tê-lo copiado, pois guardadas as devidas proporções, vale por uma Carta Magna do que deve ser o papel da imprensa em qualquer lugar do mundo. Também assinei a Crusoé nos cinco minutos após seu lançamento, em 2018. Já dei uma assinatura de presente para minha filha. Meus comentários nada mais são que modesta homenagem a todos os que a lêem!

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