Zanone Fraissat/Folhapress"O branco é sempre a encarnação do privilégio e da opressão, mesmo que seja motorista de táxi ou pedreiro e que não tenha dinheiro para comprar a cesta básica"

‘Temos visto a negação da nação’

Antonio Risério, o antropólogo baiano que ajudou a pensar as campanhas presidenciais do PT, diz que o Brasil precisa se libertar das fantasias identitárias e do maniqueísmo rasteiro que sustenta o populismo de Bolsonaro e Lula
08.10.21

O baiano Antonio Risério, de 67 anos, abandonou a escola logo no início do colegial em Salvador, por estar insatisfeito com a qualidade do ensino. Seguiu com os estudos por conta própria e entrou para uma organização clandestina de esquerda, a Política Operária, Polop. Em 1968, foi preso pela ditadura militar, mas preferiu não entrar na luta armada, para ingressar na “contracultura”. Em 1995, mesmo sem ter cursado a faculdade, ele defendeu na Universidade Federal da Bahia uma tese de mestrado em sociologia, com especialização em antropologia, e conseguiu o título de antropólogo.

Risério vive dos seus textos. Entre 2002 e 2010, foi redator das campanhas presidenciais do PT. Trabalhou com Duda Mendonça e João Santana. Depois, passou a acusar o marketing político de manipulação e estelionato. A experiência foi narrada em um romance, intitulado “Que Você é Esse?”.

O antropólogo, que há cinco anos vive na ilha de Itaparica, não tem redes sociais e não usa nem sequer o WhatsApp, é hoje um dos principais críticos da visão de história que divide o mundo entre mocinhos e bandidos, de acordo com o sexo ou com a cor da pele. Para ele, é preciso conhecer os fatos e seus protagonistas, sem reduzir tudo a arquétipos e caricaturas. “Não acredito que a busca de uma sociedade mais justa precise se alicerçar na falsificação histórica e na mentira. Pelo contrário: temos de não nos enganar, de saber muito bem quem somos e do que somos capazes”, diz nesta entrevista a Crusoé.

O brasileiro costumava se ver como um povo pacífico, miscigenado e festivo. Isso está mudando?
Juntar esse trio de qualidades foi, evidentemente, uma jogada ideológica. Mas jogadas ideológicas não duram para sempre. Essa ideia de brasileiro foi uma fantasia disseminada pelo aparelho ideológico de estado, pelo poder econômico e pelas elites culturais, que o povo acabou incorporando. Mas não devemos confundir as coisas. Hoje, outra fantasia ideológica, da qual a esquerda nacional importou o padrão racial americano, quer fazer de conta que a mestiçagem não existe. Isso é uma tolice. A mestiçagem é uma realidade biológica, um dado inelutável da história genética do povo brasileiro. Pouco importa que Camila Pitanga queira ser negra. O fato, do ponto de vista da biologia e da antropologia física, é que ela é uma mestiça, uma bonita mulata dos trópicos. Cruzamento genético é um dado, não é questão de gosto, nem de opinião. Quanto ao mito do povo pacífico, isso não resiste ao menor exame histórico. Basta considerar as guerras do século XVI, o assassinato do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, os levantes de escravos e o cangaço. Repare ainda que o retrato que a alta cultura faz do Brasil é violentíssimo. Basta ler Os Sertões, de Euclydes da Cunha. Em Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa escreveu: “Quando Deus vier, que venha armado”. O cinema brasileiro vai na mesma linha. Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, e Cidade de Deus falam de muito sangue. E a Tropicália expõe um país onde “uma criança sorridente, feia e morta estende a mão”. Melhor olhar o Brasil a partir do modo como aqui se processam as dialéticas da violência e da conciliação.

Quais grupos hoje estão emplacando melhor sua visão de história e identidade nacional?
A partir da década de 1970, a esquerda tratou de se contrapor ao discurso da velha história oficial do Brasil, que ainda era o do Instituto Histórico e Geográfico de Francisco Adolfo de Varnhagen (1816-1878), nos tempos de D. Pedro II. Mas a esquerda escolheu o pior caminho. Em vez de repensar em profundidade a experiência nacional brasileira, limitou-se a inverter os sinais da velha história. O que antes era celebrado passou a ser execrado, e vice-versa. No governo de Fernando Henrique Cardoso, com o ministro da Educação Paulo Renato Souza, essa versão historiográfica de esquerda foi oficializada nos parâmetros curriculares do ensino. A nova história oficial do Brasil passou a ser a história da “era das desculpas”. O planeta foi dividido em anjos e demônios, como nos filmes de mocinho e bandido, em que todos são orientados a tomar abertamente o partido das vítimas. O problema é que isso é feito a partir de fraudes e distorções dos fatos. O mundo passou a ser visto como algo imutável, em que as pessoas são eternamente prisioneiras da anatomia ou da cor da sua pele.

ReproduçãoReprodução“O fracasso do populismo de esquerda levou ao populismo de direita”
Como alguém se torna prisioneiro da anatomia ou da cor da pele?
A ideologia hoje dominante congela a história da Humanidade em seus inícios, definindo grandes arquétipos ou caricaturas. Assim, quem nasce homem no século XXI está na obrigação de carregar o fardo das antigas sociedades patriarcais. Mas essas sociedades há muito tempo não existem nos países democráticos do Ocidente. O patriarcalismo, hoje, vigora em países muçulmanos, em sociedades da África Negra, em extensões asiáticas. Enquanto isso, no nosso mundo ocidental, Nicole Kidman e Fernanda Torres levam a vida que bem entendem e ninguém tem nada a ver com isso. A criação desses arquétipos é o que se chama de identitarismo, o qual condena recém-nascidos ao confinamento num passado às vezes pré-histórico. O revolucionário negro Frantz Fanon dizia que não iria desperdiçar sua vida tentando vingar os negros do século XVIII. Claro. Mas é essa a postura identitária. O homem negro, portanto, é prisioneiro de sua anatomia. Com o homem branco é a mesma coisa. Um garotinho branco recém-nascido hoje, num bairro de classe média de Recife, por exemplo, é acusado de crimes cometidos por senhores escravistas do sul do Estados Unidos, ao longo do século XVIII. É uma coisa absolutamente caricatural. E paralisadora. Além disso, o branco é sempre a encarnação do privilégio e da opressão, mesmo que seja motorista de táxi ou pedreiro e que não tenha dinheiro para comprar a cesta básica.

O Brasil parece preso a duas possibilidades nas eleições de 2022: Lula e Bolsonaro. Essa dualidade tem alguma relação com as narrativas históricas que vingaram no país?
Na minha opinião, não. O fracasso do populismo de esquerda levou ao populismo de direita. Moralismo rastaquera à parte, Bolsonaro foi eleito prometendo redenção econômica, segurança pública e o fim da corrupção. Não fez nada disso. Ele teve e continua tendo uma conduta criminosa na pandemia do coronavírus. Bolsonaro foi o grande aliado da peste. Agora, o fracasso do populismo de direita pode nos reconduzir ao populismo de esquerda. Mas a verdade é que tudo tem muito pouco de ideologia. O Bolsa Família tinha colocado a população nordestina no colo de Lula. Quando veio o auxílio emergencial da Covid, essa população migrou para o colo de Bolsonaro. Então, viu-se que era bobagem tratar as coisas ideologicamente. A maioria do eleitorado nordestino não é de direita, nem de esquerda — é subornável.

Alguma narrativa histórica está sendo deixada de lado?
O que está sendo escanteado pela universidade e pela mídia é a necessidade de repensar em profundidade a experiência nacional brasileira. Precisamos fazer isso por nossa própria conta e risco. Até porque temos pela frente a passagem dos 200 anos da nação, com a comemoração do bicentenário da Independência de 1822. O que está sendo organizado para essa data é o apogeu da desconstrução nacional pregada pelo identitarismo multicultural, agora com total apoio da elite midiática. É o apogeu da paixão mórbida pela comemoração negativa, como diz o sociólogo canadense Mathieu Bock-Côté. Penso que temos de rever de forma radicalmente crítica nossa experiência nacional, mas em um horizonte aberto e profundo. Não podemos fazer isso na base do maniqueísmo rasteiro, na base da luta do bem contra o mal. Dou um exemplo. Antes do movimento abolicionista das últimas décadas do século XIX, ninguém no Brasil era contra o escravismo enquanto sistema. Cada grupo queria somente livrar sua cara, não ser escravizado. Mas ninguém se importava com a escravidão dos demais. Basta lembrar que havia escravos em Palmares e que o projeto da revolta dos negros malês, em 1835, incluía a escravização dos mulatos. Trazendo esse episódio que ocorreu em Salvador para os dias de hoje, é como se os pretos muçulmanos da Bahia quisessem escravizar aqueles que hoje são a vastíssima militância dos movimentos negros. Naquele tempo, não havia uma recusa do sistema escravista em si. Isso só aconteceu com a emergência do movimento abolicionista. Então, nós devemos rever a nossa experiência nacional assim, sem qualquer unilateralismo penitencial. Pelo que estou vendo, a comemoração dos 200 anos do Brasil independente será o avesso do que aconteceu em nosso primeiro centenário. Em 1922, apesar das diferenças políticas e ideológicas, todos se concentraram na necessidade de uma afirmação moderna do Brasil como nação. Em 2022, o papo vai ser outro. O que se tem em vista não é nenhuma afirmação, mas a negação da nação. A desconstrução nacional sonhada pela esquerda identitária.

Ao trazer à tona histórias de negros, mulheres e índios que foram bem-sucedidos ou submeteram outras pessoas, como o senhor fez no livro As Sinhás Pretas da Bahia, isso não seria uma maneira de minimizar a violência ou a repressão que esses grupos sofreram no passado?
Quando os europeus chegaram à África, no século XV, encontraram sociedades escravistas e rigorosamente divididas em classes sociais. No reino do Congo, por exemplo, era proibido o casamento de aristocratas com plebeus. Em Matamba, a rainha Ginga costumava usar suas escravas como poltronas, passando horas sentada em seus dorsos. Não foi o Ocidente que inventou a sociedade de classes, a exploração do homem pelo homem. Os egípcios usavam escravos pretos para construir pirâmides, isto é, para satisfazer o ego de reis megalomaníacos. No Brasil, os tupinambás, que também eram escravistas, chacinaram os tupinaés. Tomaram suas terras e os expulsaram do litoral, escorraçando-os para os sertões. Digo essas coisas porque não existem essas entidades genéricas: “os” negros, “os” índios, “as” mulheres. Isso é mistificação. Do ponto de vista sociológico, sempre houve exploração do negro pelo negro na África. O slogan “Vidas negras importam” (Black Lives Matter, dos protestos nos Estados Unidos) é perfeito para ser gritado hoje nas favelas de Lagos ou de Luanda. Certa vez, uma socialite negra de Chicago disse ao escritor Otis Graham que tinha tanto a ver com os panteras negras quanto um branco rico tinha a ver com seu jardineiro. O problema é que a ideologia identitária se esquece de que existem classes sociais – e assim fica lidando com entidades metafísicas, como “o negro”. Então, é preciso lembrar que a África Negra era escravocrata há milênios, que escravos negros eram enterrados vivos em sacrifício aos deuses etc. Ao cruzar o Atlântico, os iorubás, que foram vendidos ao Brasil pelos reis do Daomé, não deixaram de ser escravistas. E sua primeira providência, ao ascender socialmente, era comprar escravos, dos quais, de resto, se serviam com a mesma crueldade dos senhores brancos.

Zanone Fraissat/FolhapressZanone Fraissat/Folhapress“Temos de não nos enganar, de saber muito bem quem somos”
Mas qual seria o sentido de trazer à tona essas coisas?
Não penso que a melhor maneira de lidar com os nossos problemas seja fazendo de conta que nada disso existiu. Não acredito que a busca de uma sociedade mais justa precise se alicerçar na falsificação histórica e na mentira. Pelo contrário: temos de não nos enganar, de saber muito bem quem somos e do que somos capazes, se realmente queremos caminhar para um mundo melhor.

O sr. fala bastante em classes sociais. É marxista?
Isso vem muito por causa da sociologia. Mas não digo que sou marxista. Fui ligado a isso por causa da política. Quando garoto, fui de uma organização clandestina, a Política Operária, a Polop, a mesma da Dilma Rousseff durante um tempo. Mas eu saí antes de ir para a luta armada. Acabei indo para a contracultura, porque achei que a luta armada era suicídio.

Como lida com as críticas ao seu trabalho, como as de que o sr. estaria minimizando a escravidão ou o patriarcado?
Escrevo as minhas coisas. Conheço algumas pessoas que discordam e discuto um pouco com elas. Mas essas que eu escuto são as pessoas que eu respeito muito. Esse negócio de militante me xingando, me atacando, eu não perco o meu tempo com eles, não.

Muitos brasileiros até pouco tempo atrás se orgulhavam de viver em um país que combatia a corrupção. Essa narrativa desapareceu?
Claro. Tanto Bolsonaro quanto Lula são cínicos o suficiente para dizer que são as almas mais honestas desse país. Há alguns anos, por sinal, ali pelo começo da Lava Jato, escutei uma garota perguntar à mãe, num almoço, o que era caixa 2. Como a mãe não se mostrou interessada no assunto, eu expliquei. Disse que era mais ou menos o que sua mãe fazia, todo final de ano, com relação ao imposto de renda: contratava um especialista, o contador, para esconder o máximo possível do Fisco o dinheiro que ela tinha recebido. A mãe ficou furiosa, claro. Mas a mocinha entendeu. As pessoas adoram vociferar contra a corrupção, como se essa atitude lhes carimbasse o visto de entrada no paraíso. Na verdade, elas não têm autoridade nenhuma para condenar a prática. E elas sabem disso. Ficam furiosas, na maioria dos casos, porque não são elas que estão roubando.

Alguma chance de a tolerância à corrupção diminuir no futuro?
Pode diminuir, obviamente. Mas eu não colocaria isso entre as prioridades de ação, se me fosse dado o poder para estabelecer as metas nacionais. O problema maior do Brasil não está na corrupção, mas na desigualdade social.

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  1. Exceto pelo último parágrafo a entrevista foi soberba, esclarecedora, irrepreensível. Quero conhecer mais do entrevistado, comprar seu livro. Agora, dizer que "o problema maior do país não está na corrupção" é, no mínimo, ignorar que esta alimenta e fomenta a desigualdade social. A corrupção necessita que a desigualdade social se mantenha viva, ela, a corrupção, não é necrófaga. A luta contra a desigualdade social se fará vã se a corrupção se vê incólume em todos os seus tentáculos.

  2. Ninguém está negando a existência da mestiçagem! Não se trata disso! A única questão que interessa a respeito da mestiçagem é se ela é assumida ou não na sociedade! E o racismo no Brasil não é importado - é 100 % caseiro!

  3. Ele também usa um conceito marxista de Louis Althusser, "Le apareil idéologique d'Etat", que foi muito debatido e usado na década de 70. Um trabalho de referência sobre a ideologia do desenvolvimento no período JK/JQ, de Miriam Limoeiro, tem como marco teórico essa perspectiva althusseriana da relação estado/sociedade. https://www.estantevirtual.com.br/livros/miriam-limoeiro-cardoso/ideologia-do-desenvolvimento-brasil-jk-jq/699151453

  4. Então o problema do braziu não está na corrupção e as pessoas (cidadãos) não podem condenar a prática? Que xaveco mais sem vergonha...

  5. ... Ainda há vida inteligente na Aldeia TABAJARA. ... Tenho tentado contratar um funcionário p/ trabalhar com computadores, e fico com medo do que colocar como 'exigências' mínimas para tal. ... Já fui tachado de discriminador. ... Ora, se preciso de alguém que saiba usar um TECLADÃO, o indivíduo tem de saber usar o dito cujo. ... A maioria dos currículos são de Estudo à Distância - que (não regra) traz embutido o "ficar distante do aprender". ... Antonio Risério aprendeu e continua aprendendo.

  6. Cada vez melhor e mais lúcido o Risério. Em março de 2020: http://www.ihu.unisinos.br/159-noticias/entrevistas/594102-repensar-o-brasil-e-uma-tarefa-fundamental-entrevista-especial-com-antonio-riserio

  7. Cadê o livro? Fui à Amazon, Google-Play, n tem. Livro papel? Deus me livre. N tenho mais livros papel. Se n encontrar digital, compro, mando cortar o espinhaço do livro e digitalizar. Em nuvem, à prova de extravio. Dê um jeito, mestre Risério, de colocar a edição on line pra gente comprar. Entrevista excelente. Sempre tive muita repugnância do purismo preto, branco também. Sou branco, como uma tapioca, com os cabelos direto da cozinha kkkk, senão da senzala. Mestiço, é claro.

  8. Excelente entrevista, além da exarcebação do tema racismo estar virando um negócio midiático para vender livros e cursos, o tema cansa porque querem trazer uma culpa que não tenho pois não tive escravos e não vivi no século XIX.

  9. O camarada tem 67 anos. Alguém já viu algum livro de Matemática da 4° Série primária dos anos de 1960-70? Tenho alguns exemplares. Os caras só faltam falar de limites, integrais e derivadas. E os livros de Português? Alguém faz idéia de como esse povo falava nas rádios?E esse panaca deixou de estudar pq achava a educação medíocre. Pense aí? O "autodidata" estuda sociologia, antropologia em lugar de Exatas. Ajuda a botar o PT no Poder, viu a [email protected]#$% que fez, e se arrependeu. Cara, vai ppqp!

    1. Concordo contigo Jaime. Tudo o que Risério tem a dizer ele já o fez ajudando o Lula. Essa entrevista foi um festival de bullshits. Ele tem 67 anos e eu 80. Na época da porra-louquice, eu acompanhei, por curiosidade, todos esses acontecimentos da luta armada. Colegas meus do Banco do Brasil foram em cana e estragaram suas vidas para o quê, se hoje concorrem para liderar o país figuras abjetas como Bolsonaro e Lula? Quero ver Bolsonaro e Lula na cadeia. MORO 2022!

  10. Bela matéria que traz oportunidade para refrescarmos a memória posto que existe autores com teses semelhantes . Não houve unanimidade qto à abordagem do entrevistado , mas há conclusões irrefutáveis. Concluo que nas entrelinhas aparece algo paupável ! O que separa a sociedade em guetos é a falta de caráter, moralidade, empatia e senso de humanidade. Agimos na maior das vezes piores que bichos....entre estes existe sensibilidade, manifestações de respeito e apreço. Tenha isto o nome que tiver!

  11. Boas reflexões. Concordo parcialmente. Um cidadão negro já disse “não precisamos de movimento negro, precisamos de negros em movimento”. A corrupção não é estrutural é estruturante. A sonegação é um problema muito mais grave e fica relegada. Não falta dinheiro nem recursos. Falta vergonha na cara. Revogam-se as disposições em contrário. Viva Capistrano.

    1. Acreditar que a corrupção e o racismo serão erradicados é o mesmo que acreditar que o ser humano será capaz de evoluir até a perfeição.

  12. Assim como todos que pensam em alternativas para os problemas sociais tem seus pontos positivos e negativos. Boa entrevista.

  13. Gostei muito, e concordo, mas acho que a corrupção institucionalizada tem grande parcela de culpa pela lentidão com qual se move o processo de combate a essa desigualdade. Também acho que a pequena corrupção do dia a dia tem muito a ver com o exemplo que vem de cima

    1. Concordo. A corrupção rouba o dinheiro necessário ao desenvolvimento que ameniza a desigualdade...

  14. ótima entrevista precisamos abandonar a superficialidade para entender nossa história e nossa conjuntura atual. Risério tem Coragem de enfrentar os maniqueismo falsas e rasas " verdades" que estão se tornando dogmas que não podem ser questionados sob pena de quem questionar ser definido como fascista e excluído de qualquer debate

    1. Ótima entrevista, é isso que esperamos para o nosso desenvolvimento, reconhecer os erros que cometemos no passado quanto ao apoio de um ou de outro candidato e pensar no Brasil para frente, uma nação miscigenada, com oportunidades para todos, sem essa de brancos e negros, mas todos unidos com educação igualitária e sem corrupção!

    1. ... Não há igualdade social em nenhuma parte do planeta. ... Não há como haver "iguais" entre desiguais. ... Há o corrupto fiscal de feira e de cemitérios e o que vende "facilidades". ... Uma Força Tarefa de Procuradores e Delegados (com outros) colocou um monte de peixes grandes na jaula. ... Estão sendo JUSTIÇADOS pelos nobres "probos" que eles enjaularam.

  15. Excelente pensador. Mas creio que minimiza o impacto da corrupção. Os corruptos se lambuzam com o que roubam dos miseráveis. O valor dos desvios por corrupção são suficientes para acabar com a miséria. Além do efeito pedagógico sobre as novas gerações. Quanto às desigualdades recomendo ler Amartya Sen - Desenvolvimento como Liberdade e voltarmos a discussão do tema.

  16. Antonio Risério: sua entrevista foi muitíssimo lúcida e madura. Reflete uma busca à verdade e não a defesa cega de uma ideologia ou de mitos. Só discordei de uma coisa fundamental: o problema central do Brasil não é a desigualdade, mas a pobreza. Não existe grande problema em um sociedade desigual se todos viverem bem. Minha afirmação pode parecer um detalhe sem relevância, mas acho que faz toda a diferença. Não adianta apenas querer resolver um problema. É preciso resolver o problema certo.

  17. Mais uma vez, Duda acerta em cheio, e nos presenteia com um homem sensato, que sabe das coisas, até pela própria experiência. Aplausos! O único reparo que faria é sobre a corrupção, pois ela transforma miseráveis em milionários, da noite para o dia, e os donos do poder e seus lacaios - é bom prestar mais atenção nestes últimos- mantêm a população trabalhadora cada vez mais sofrida e a não trabalhadora manipulada.

  18. Me deu até vontade de visitar itaparica, sabendo que lá existe um cara tão brilhante e corajoso. VIDA LONGA MEU CARO O BRASIL PRECISA DE VOCÊ.

  19. Sou fã de Risério. Um cara lúcido e descolado. Gosto muito dos seus livros. Já li alguns.,..estou lendo Bahia de todos os cantos.

  20. Eu penso que a corrupção é o maior mal existente para o desenvolvimento do país. Os corruptos não tem limites. Sempre querem mais. E nessa sede gananciosa criam mecanismos artificiais para favorecer alguns, em detrimento da eficiência, da produtividade e da competência. Cria-se uma bolha que quando estoura percebemos viver numa democracia de faz de conta.

  21. Uma vez comunista, sempre comunista. O vasto conhecimento sociológico oblitera esse fato. Pois é. O grande historiador Eric Hobisbawm faleceu idoso, célebre e comunista.

  22. Acho que a desigualdade é parceira da corrupção: Como pode um funcionário público receber por ex. cem mil reais, 60 dias de férias fora outros penduricalhos enquanto a maioria vive a míngua, uns até passando fome? Isso é imoral.

  23. Discordando: o problema mais urgente, no Brasil, seria recobrar o controle do Estado, que foi tomado de assalto por algumas oligarquias, e dele usufruem em benefício próprio! Se quiser chamar isso de "desigualdade social"... aí sim!

    1. espero que sim. não merecemos esses dois....

    1. Mas que você gosta de ler, não? Gosta de porcaria. Ou é robô?

  24. Excelente entrevista Colocou de maneira didática como funciona o sociedade de castas e como a genética está a serviço da ciência e não de ideologias políticas Conseguiu esclarecer o que eu pensava mas não sabia expressar

  25. Risério é uma das vozes mais lúcidas do Brasil atual. Achei fraca a condução do repórter, as perguntas um tanto repetitivas e parecendo não conhecer a obra do escritor. Sugestão para a Crusoé: contratem o Antônio Risério para colunista fixo. Tem a cara da revista: culto, erudito e língua ferina

  26. Olha ,achei uma visão bem clara. É uma pena que a honestidade não é um valor. podemos ver isso na pesquisa desta semana sobre a preocupação do Brasileiro: 44% economia, 22% saúde e 10% combate a corrupção.

  27. A ignorância e a pobreza são os pilares se sustentação de um governo corrupto. Impossível dissociar desigualdade social e corrupção.

    1. Seu comentário abrilhantou ainda mais a coluna. Obrigada!

  28. LULA e BOLSONARO: os EXEMPLOS EXECRÁVEIS que uma SOCIEDADE tão CORRUPTA é capaz de produzir! São DEGENERADOS MORAIS que IMPEDEM o BRASIL de AVANÇAR! Em 2022 SÉRGIO MORO “PRESIDENTE LAVA JATO PURO SANGUE!” Triunfaremos! Sir Claiton

  29. O politico, na sua grande maioria, se acomoda na hipocrisia para justificar suas opiniões presentes muitas vezes mutáveis de acordo com os seus interesses. Entrevista brilhante pelos questionamentos e pelas respostas que me pareceram críveis e, portanto, consistentes. Sobretudo pelo histórico do entrevistado e sua fluidez logica. Parabéns!

  30. "É preciso lembrar que a África negra era escravocrata há milênios". "O fracasso do populismo de direita pode nos conduzir ao populismo de esquerda". "Não acredito que a busca de uma sociedade mais justa precise se alicerçar na falsificação histórica e na mentira". Ótima entrevista!

  31. Acredito que a desigualdade social seja fruto da corrupção desenfreada e do nepotismo. No Brasil, quem tem o poderio econômico nas mãos consegue o sol e o céu também!

    1. Não tem como negar que a desigualdade é fruto da corrupção.

  32. Certamente é positivo ver alguém que entende que ideologias são meras fachadas. É factível boa parte do que ele diz. Porém, crer que a corrupção não é o maior problema, mas sim a desigualdade social, é um comentário pueril. Se o país não sofresse com tanta corrupção, certamente o dinheiro público poderia ser usado para mitigar a desigualdade.

  33. ... que clareza de ideias. seria possível ter uma coluna do entrevistado na Cruzoé toda semana? Eu adoraria acompanhar sua opinião sobre os fatos do dia a dia.

  34. A maioria do povo brasileiro, paga impostos de forma direta ou indireta, não somos parte desse balaio de gatos de políticos corruptos para justificar a roubalheira. Queremos uma educação sem ideologia de Paulo Freire, que justifica a condenação de quem pensa diferente, isso é amarras e a produção de pobreza e ignorância viciosa, que será sempre necessário um salvador da pátria. Acorda Brasil.

    1. Excelente entrevista nessa excelente Revista. Acrescento que a grande arma para mudar um país é a Educação de seu povo. E essa Educação,que deve ser de altíssimo nível,internacionalista,laica tem que ser abraçada como a maior empreitada da Nação brasileira. É dessa Revolução que necessitamos. E tudo que nos afastar dela como a corrupção tem que ser tratado como crime hediondo sujeito à prisão perpétua com trabalho forçado para o sustento do prisioneiro.

  35. Excelente entrevista,sempre achei que o tema era manipulado de maneira desonesta para o "Dividir para reinar". Esclarecedora ,didática e honesta !

    1. Duda Teixeira em 68 o antropólogo baiano era um garoto de 14 anos. Ele foi preso pela ditadura militar?

    2. 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻muito boa as análises!!!

  36. Desigualdade causada pela sanha do Estado em cobrar impostos que são comidos pela corrupção de brasileiros que galgam o poder, mesmo vindos da pobreza extrema. Pobres comendo pobres.

  37. Ideias realistas,sem frescuras. Vamos contar a história como ela fora e é na atualidade. A esquerda quer conta-la a seu gosto. Hipócritas.

    1. Gostaria de perguntar ao Sr. Entrevistado como ele "engoliu" tanta safadeza dos marqueteiros para quem ele contribuiu e destruiu o Brasil: Duda Mendonça, Lula, Dilma,. Por que o Sr fez parte disso, por quê????????

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