‘Coronapedalada’

24.04.20

Dúvidas sobre o processo de repasse à Caixa de uma parte dos bilhões de reais destinados ao pagamento do chamado “coronavoucher” levaram o governo a montar uma operação de emergência nos últimos dias em Brasília. Na segunda-feira, em cerimônia no Planalto, o ministro Onyx Lorenzoni e o presidente do banco, Pedro Guimarães, anunciaram a antecipação da segunda parcela do pagamento do benefício. Só que, apressados, eles aparentemente não averiguaram antes se o dinheiro – liberado pelo Tesouro Nacional ao Ministério da Cidadania para só depois seguir para os cofres da Caixa – percorreria todo o caminho necessário a tempo de chegar aos destinatários finais. Parece só um detalhe da burocracia brasiliense, mas não é: se os bilhões não chegassem à Caixa até a data anunciada pela dupla e o banco tivesse que usar dinheiro próprio para fazer os pagamentos, a operação poderia ser enquadrada como uma pedalada – sim, aquele mesmo procedimento irregular que levou ao impeachment de Dilma Rousseff. Pouca gente tinha atentado para o problema. Na terça-feira, Crusoé indagou o governo sobre o assunto. As respostas foram evasivas. Um dia depois, veio o anúncio: o pagamento seria suspenso até segunda ordem. Oficialmente, a alegação foi de que, por orientação da Controladoria-Geral da União, seria preciso primeiro esgotar o pagamento da primeira parcela para só então liberar a segunda. Mas fontes a par do tema admitem, reservadamente, que a suspensão se deu mesmo em razão do risco de o governo pedalar na operação. Até o presidente Jair Bolsonaro entrou em cena para dizer que não tinha nada a ver com a história. “Um ministro anunciou sem estar autorizado”, escreveu ele em uma rede social.

Adriano Machado/CrusoéAdriano Machado/CrusoéOnyx e Guimarães: anúncio pôs o governo em risco

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    1. Melhor seria MM, Mandeta e Moro, o Dória é um trai´ra . não chega a ser um Maníaco patológico como o Bolsonaro, mas está longe de ser uma pessoa de carater.

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