Zacarias aciona MP após hostilidades a israelenses em Itacaré
Deputado estadual pede investigação sobre Thiago Ávila, que realizou ato antissemita na Bahia
O deputado estadual por São Paulo Guto Zacarias (foto) e o dirigente partidário Renato Battista protocolaram uma notícia-crime junto ao Ministério Público da Bahia contra Thiago Ávila, em razão de atos ocorridos nos dias 14 e 15 de março de 2026, na cidade de Itacaré, na Bahia.
Na semana passada, Ávila conclamou um ato antissemita, alegando que turistas israelenses são criminosos de guerra.
"Esses sionistas que cometem crimes de guerra, que assassinam crianças, que destroem hospitais, a infraestrutura civil, que cometem as violações que vão ser lembradas por toda a história da humanidade como motivo de vergonha... eles acreditam que o Brasil é um lugar onde eles podem passar férias. E quando eles vêm aqui passar férias, depois de cometerem os crimes de guerra, eles reproduzem aqui o mesmo comportamento destrutivo que eles têm em Gaza", afirmou Ávila em um vídeo publicado no Instagram.
"Eles desrespeitam a população local. Tratam com racismo. Eles violentam as pessoas. O Brasil tem o dever de coibir e responsabilizar as pessoas que cometem esses crimes, inclusive de prendê-las", disse Ávila.
No final de semana dos dias 14 e 15 de março, judeus começaram a ser hostilizados em uma praça.
Em meio à confusão, um homem agrediu um turista israelense com um capacete. A cena foi registrada em vídeo.
Uma pousada foi pichada com a frase "Fora, Israel", em hebraico.
Coação
A notícia-crime aponta relatos de coação a trabalhadores locais, como taxistas, que teriam sido pressionados a retirar símbolos relacionados a Israel de seus veículos.
Segundo os autores, as condutas podem, em tese, se enquadrar na Lei nº 7.716/1989 (crimes de racismo), especialmente por incitação à discriminação por procedência nacional e religião.
O documento ressalta ainda que o Supremo Tribunal Federal já consolidou o entendimento de que o antissemitismo configura forma de racismo, além de possível enquadramento no crime de incitação ao crime, previsto no Código Penal.
Na representação, Guto Zacarias e Renato Battista solicitam que o Ministério Público promova a denúncia criminal contra o investigado. Caso entenda necessário, requerem a instauração de inquérito policial para aprofundamento das apurações.
“Não é possível normalizar atos de hostilidade e violência contra pessoas por sua origem ou nacionalidade. Generalizar indivíduos como criminosos e incitar a população contra um grupo específico é incompatível com o Estado de Direito. O Brasil não pode tolerar esse tipo de conduta”, afirma Guto Zacarias.
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