Todos querem uma foto com Trump
Ao protagonizarem uma competição ridícula pela melhor imagem com o presidente americano, Lula e Flávio rebaixam a si próprios e o Brasil
Política externa nunca apareceu como um dos principais temas das campanhas para presidente no Brasil.
Para uma população mais preocupada com compra de políticos, juízes com negócios obscuros e roubo de celulares, importa pouco o que acontece além das fronteiras.
Mesmo assim, dois pré-candidatos brasileiros têm corrido para tirar uma foto com o presidente americano Donald Trump.
"Fotografia vale muito"
Lula conseguiu o que queria no início de maio, quando esteve na Casa Branca.
"Eu sempre acho que a fotografia vale muito e vocês perceberam que o presidente Trump rindo é melhor do que ele de cara feia e eu fiz questão de dizer para ele: ria um pouco, é importante, alivia a nossa alma se a gente rir um pouco", disse Lula, após o encontro.
Além da foto, a conversa não teve resultado prático algum.
Pudera. Não havia um objetivo claro definido de antemão.
A reunião não foi organizada pelo Ministério de Relações Exteriores, o Itamaraty.
Quem fez a ponte foi o empresário Joesley Batista, atendendo a um pedido de Lula. É tudo mambembe demais.
O objetivo, na verdade, era distribuir fotos sorrindo com o americano e ganhar um impulso nas pesquisas eleitorais.
Humilhação
Agora é a vez de Flávio tentar a mesma sorte, nesta terça, 26.
Assim como a viagem de Lula, a viagem de Flávio não tem urgência ou necessidade.
O senador nem sequer tem algum posto no governo brasileiro.
É mera tentativa de conseguir uma foto sorrindo com o presidente americano. Campanha política.
Se conseguir o que quer, Flávio poderá, em parte, anular o efeito positivo que Lula conseguiu antes dele nas pesquisas. Ou pode desviar a atenção dos brasileiros, que só falam de suas conversas com Daniel Vorcaro.
Mas o fato é que nem Lula nem Flávio estão preocupados em defender os interesses nacionais.
Quando ambos se rebaixam de uma maneira humilhante por uma simples foto na Casa Branca, os dois minam a capacidade de o Brasil se impor em uma futura negociação com Washington.
Nessa competição ridícula pela melhor foto com Trump, Lula e Flávio rebaixam a si próprios e ao Brasil.
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