Real lidera avanço das moedas latino-americanas em 2026
O real lidera moedas latinas em 2026 com juros altos, petróleo e capital estrangeiro. Entenda os riscos para o 2º semestre
O real começou 2026 entre as moedas emergentes com melhor desempenho, num movimento que reflete a volta da América Latina no radar dos investidores estrangeiros.
Segundo análise do UBS publicada pela Bloomberg Línea, Brasil, México e Colômbia seguem atraindo capital por causa dos juros elevados e da expectativa de cortes mais lentos nas taxas americanas.
As taxas de juros do Brasil e da Colômbia oferecem retornos acima dos juros americanos. Esse efeito apareceu no câmbio, com moedas da região acumulando ganhos diante do dólar nos primeiros meses do ano.
No caso brasileiro, o cenário combina juros altos, entrada de recursos externos e exportações favorecidas pelos preços das commodities. O petróleo em patamares elevados ajudou a ampliar o fluxo de dólares para o país, enquanto a Selic manteve aplicações locais mais atrativas para investidores internacionais.
Alguns economistas acreditam que o real ainda pode avançar caso o ambiente externo continue favorável e o Federal Reserve mantenha um ritmo moderado de redução dos juros.
O movimento, porém, está longe de ser uniforme na região. O peso colombiano ganhou força apoiado no petróleo e na política monetária mais rígida. O peso mexicano continuou beneficiado pela liquidez e pelos diferenciais de juros, embora existam dúvidas sobre o impacto da renegociação comercial com os Estados Unidos.
Já o guarani paraguaio surpreendeu ao liderar a valorização regional em abril, impulsionado pelas exportações agrícolas e pela maior entrada de divisas no mercado local.
Apesar do desempenho recente, ainda há fragilidade nesse cenário. O Citi mantém visão cautelosa e, em janeiro de 2026, previu um fortalecimento do dólar na segunda metade do ano, o que pode reduzir parte dos ganhos acumulados pelas moedas latino-americanas.
No Brasil, investidores acompanham com preocupação a trajetória do crescente endividamento das contas públicas e o ambiente eleitoral. Uma piora fiscal ou mudanças mais bruscas nos juros americanos podem alterar rapidamente o fluxo de capital para emergentes, especialmente num mercado sensível aos sinais vindos de Washington.
Mesmo assim, parte do mercado acredita que a região pode continuar recebendo recursos enquanto os Estados Unidos apresentarem crescimento mais fraco e inflação sob controle.
Esse ambiente favorece operações em busca de rendimento elevado fora das economias centrais. A permanência desse fluxo, porém, depende da estabilidade política e previsibilidade fiscal nesses países.
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