A Argentina vive um dos piores momentos da história recente com o hantavírus. O Ministério da Saúde argentino confirmou 101 infecções desde junho de 2025, quase o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior.
Esse aumento pode ser a chave para entender o surto do MV Hondius.
O navio de cruzeiro partiu de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, em 1º de abril. Dias depois, os primeiros passageiros começaram a apresentar sintomas.
Até esta quinta-feira, 7 de maio, a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou cinco casos e investiga outros três. Três pessoas morreram.
A cepa identificada nos passageiros é o vírus dos Andes, variante sul-americana presente nas províncias argentinas de Chubut, Río Negro e Neuquén, conforme confirmou o Instituto Nacional de Enfermedades Infecciosas (Inei) da Argentina.
Essa cepa tem uma característica única: é a única variante do hantavírus capaz de se transmitir entre pessoas.
De onde veio o vírus
A hipótese mais investigada é que o casal holandês, primeiras vítimas do surto, tenha se contaminado em terra antes de embarcar.
Segundo dois investigadores que falaram sob anonimato à imprensa internacional, o casal fez uma atividade de observação de aves em Ushuaia dias antes da viagem, área onde o vírus circula entre roedores silvestres.
O Ministério da Saúde argentino divulgou em 6 de maio que o primeiro infectado fez uma viagem de quatro meses pelo Chile, Uruguai e Argentina entre novembro de 2025 e o dia do embarque, 1º de abril de 2026.
Com isso, os pesquisadores do Instituto Malbrán já capturam e testam roedores ao longo do trajeto percorrido pelo passageiro.
Por outro lado, a OMS admitiu que parte da transmissão pode ter ocorrido dentro do próprio navio. O vírus dos Andes já protagonizou surtos de transmissão entre humanos antes: em um evento anterior na Argentina, uma única introdução do vírus levou a 34 infecções, segundo registros da OMS.
O que a OMS orienta
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, foi direto ao ponto: “Isso não é o começo de uma nova pandemia. É um surto que aconteceu num navio, numa área confinada, com casos confirmados. O vírus não se espalha da mesma forma que o coronavírus”, afirmou.
Ainda assim, a agência notificou todos os países de origem dos passageiros para monitorar possíveis novos casos. O MV Hondius segue a caminho de Tenerife, nas Ilhas Canárias, com um especialista da OMS a bordo para acompanhar os passageiros até o desembarque.





