Gianinna Maradona, 36, afirmou em entrevista durante o julgamento em San Isidro que havia um plano articulado pelo entorno e pela equipe médica de seu pai.
O objetivo, segundo ela, era manter Diego Maradona sob controle para garantir contratos e a gestão de suas marcas.
O julgamento em San Isidro, ao norte de Buenos Aires, é a segunda tentativa de responsabilizar criminalmente os envolvidos na morte do ídolo argentino, ocorrida em 25 de novembro de 2020. Sete profissionais de saúde respondem por homicídio com dolo eventual.
Para a acusação, Maradona foi vítima de um “grupo de improvisados” que cometeu omissões criminosas durante internação domiciliar descrita como “cruel”. Os réus negam responsabilidade e alegam que o jogador morreu de causas naturais.
O que Gianinna revelou no tribunal
Gianinna apontou diretamente para o ex-advogado e representante Matías Morla e para o ex-assistente Maximiliano Pomargo. Nenhum dos dois está entre os sete acusados, mas ambos já foram enviados a julgamento por suposta gestão fraudulenta das marcas comerciais de Maradona.
Segundo ela, Maradona havia dado a Morla uma procuração para uso comercial de seu nome. “Ele tinha a assinatura, podia assinar como se fosse o papai”, afirmou. Isso, por sua vez, dava ao advogado controle sobre decisões e negócios sem necessidade de autorização direta do ídolo.
A escolha pela internação domiciliar, em vez de internação psiquiátrica, foi um ponto central da denúncia.
“Não era conveniente que meu pai fosse internado em psiquiatria, porque muitas coisas desmoronariam para Morla”, afirmou Gianinna em declaração ao tribunal.
As provas e o que pode acontecer aos réus
Áudios anexados ao processo revelam que, enquanto Gianinna se preocupava com a piora do pai, os integrantes da equipe planejavam “se resguardar legalmente”. “Eles nunca imaginaram que a promotoria agiria rápido e apreenderia seus telefones”, afirmou ela.
O neurocirurgião Leopoldo Luque e a psiquiatra Agustina Cosachov lideram o banco dos réus. Os sete acusados podem receber penas de 8 a 25 anos de prisão se condenados.
A causa da morte, conforme laudos periciais, foi parada cardiorrespiratória com edema pulmonar.





