Paz declara fim do bloqueio imposto por apoiadores de Morales
Paralisação teve duração de 53 dias e gerou crise de abastecimento em toda a Bolívia
O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, informou nesta terça, 23, o fim do bloqueio de 53 dias imposto por apoiadores do ex-presidente Evo Morales em todo o país.
As paralisações geraram uma crise de abastecimento e prejuízos inestimáveis à Bolívia.
A decisão foi tomada após a retirada dos últimos manifestantes e com o retorno gradual de produtos básicos aos mercados em cidades como La Paz e El Alto.
"Vamos nos organizar para construir, não para destruir, porque acredito que o bloqueio foi derrotado; ele não pode retornar ao país”, disse Paz.
A Central Operária Boliviana (COB) firmou um acordo com o governo e encerrou os protestos, deixando os grupos camponeses-indígenas de Túpac Katari e os apoiadores de Morales isolados.
Em 20 de junho, Paz havia declarado estado de emergência em todo o país.
Origem dos protestos remonta a maio
As mobilizações começaram no início de maio, lideradas por trabalhadores, agricultores e povos indígenas que reivindicavam solução para a crise econômica — a mais grave em quatro décadas no país — e protestavam contra a venda de combustível de baixa qualidade.
Sem resposta do governo, os grupos passaram a exigir a renúncia presidencial, espalhando bloqueios por diversas regiões.
A capital La Paz e a vizinha El Alto enfrentaram dias de confrontos com a polícia e escassez de alimentos, remédios e combustível.
O governo boliviano acusa Morales de articular os protestos e levou a denúncia à Organização dos Estados Americanos (OEA), alegando que o movimento busca “alterar a ordem democrática”.
O cocalero, por sua vez, definiu as manifestações como uma "rebelião" contra um governo "submisso" aos Estados Unidos.
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