O Brasil quer mais 20 caças
Em meio a restrições orçamentárias, Brasil planeja aumentar sua frota de caças Gripen de 36 para 56 unidades
A renovação da principal frota de combate da Força Aérea Brasileira pode ganhar uma nova escala. Durante visita oficial à Suécia, o governo brasileiro assinou uma declaração de intenções para adquirir até 20 caças Gripen adicionais, ampliando a encomenda iniciada há mais de uma década.
A informação foi confirmada em declarações conjuntas dos ministros da Defesa do Brasil, José Múcio, e da Suécia, Pål Jonson, após reunião em Estocolmo. Segundo o ministro sueco, o Brasil avalia ampliar o contrato original de 36 aeronaves, sendo 28 Gripen E e 8 Gripen F, com a aquisição de outras 20 unidades, o que elevaria a frota total para 56 caças.
Caso a negociação avance, a expectativa é que os novos caças sejam produzidos na unidade de Gavião Peixoto (SP), ampliando a participação brasileira no programa. Ainda não existe contrato definitivo nem cronograma fechado para a nova encomenda.
O anúncio ocorre em meio a restrições orçamentárias na área de Defesa. Mesmo assim, o governo avalia que a expansão do programa pode fortalecer a produção nacional, aumentar a participação brasileira no desenvolvimento da aeronave e preservar capacidades estratégicas da Força Aérea Brasileira.
O projeto Gripen teve início em 2014, quando o Brasil escolheu o modelo sueco após concorrência internacional. Desde 2023, a linha de montagem local opera em Gavião Peixoto. Durante a visita, a Saab apresentou, em 2 de junho, o primeiro Gripen F, versão de dois assentos desenvolvida com requisitos específicos brasileiros.
O ministro José Múcio afirmou que o país busca ampliar sua participação industrial no programa. Ele também confirmou negociações avançadas para a instalação de um Centro de Inovação e Pesquisa da Saab em São José dos Campos, por meio de um memorando de entendimento.
Os defensores da expansão destacam que a produção local gera conhecimento técnico, reduz dependências externas e consolida uma das maiores iniciativas de transferência de tecnologia da história da Saab. Novos pedidos internacionais também aumentaram a demanda pela aeronave, o que pode favorecer ganhos de escala na produção.
Permanecem, porém, dúvidas sobre os custos totais da expansão, o cronograma de entregas e a disponibilidade de recursos. As entregas das 36 aeronaves originalmente contratadas ainda estão em andamento, com 11 unidades já entregues à Força Aérea Brasileira, e têm previsão de conclusão nos próximos anos.
Por enquanto, o anúncio representa apenas uma intenção formal entre os dois governos.
O próximo passo dependerá das negociações para um contrato definitivo, das condições de financiamento e da disponibilidade orçamentária para ampliar aquele que já é o maior programa de modernização da aviação de combate brasileira.
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