Zelensky avança com as trocas no comando militar da Ucrânia
Entenda a crise que levou Volodymyr Zelensky a demitir Syrskyi e nomear Drapatyi em meio à guerra contra a Rússia
Volodymyr Zelensky demitiu nesta terça-feira (21) o general Oleksandr Syrskyi do comando das Forças Armadas da Ucrânia, após seis dias seguidos de protestos em Kiev e em outras cidades do país.
No lugar de Syrskyi, o presidente ucraniano nomeou o general Mykhailo Drapatyi, de 43 anos, até então à frente das Forças Conjuntas ucranianas, segundo informou a Casa de Independência da Ucrânia em comunicado nas redes sociais.
A crise política teve início na semana passada, quando Zelensky exonerou o ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, de 35 anos, considerado uma figura popular por impulsionar reformas tecnológicas e de recrutamento nas Forças Armadas.
A saída de Fedorov gerou revolta entre parte da população e de veteranos de guerra, que passaram a ocupar as ruas de Kiev exigindo tanto o retorno do ex-ministro quanto a saída de Syrskyi.
Segundo relatos de veículos internacionais, o atrito entre Fedorov e Syrskyi girava em torno de divergências sobre o estilo de comando das Forças Armadas. Críticos acusavam Syrskyi de manter uma estrutura excessivamente centralizada, associada à doutrina militar soviética, e de microgerenciamento das operações.
Um dos organizadores dos protestos, o veterano Dmytro Koziatynskyi, afirmou à imprensa que o movimento tinha duas exigências centrais: a reintegração de Fedorov e a remoção de Syrskyi do comando. Fedorov, por outro lado, era tido como muito personalista e pouco conciliador.
Embora a crise tenha sido desencadeada pela pressão popular, a decisão de Zelensky reflete também uma perda de confiança pessoal em Fedorov, cuja gestão de imagem e críticas públicas a Syrskyi tornaram-se insustentáveis. A escolha de Drapatyi, tido como um comandante sóbrio e respeitado e conhecido por assumir responsabilidades, permitiria manter o impulso das reformas tecnológicas e do uso de drones, mas com um estilo mais discreto e menos conflituoso.
Ao anunciar a mudança, Zelensky agradeceu a Syrskyi pelos serviços prestados, citando a defesa de Kiev, a ofensiva em Kharkiv e a operação em Kursk como marcos de sua gestão. Já Drapatyi afirmou que atuará "com responsabilidade, foco e respeito" pelas tropas ucranianas.
Zelensky havia tentado, nos dias anteriores, oferecer a Fedorov um cargo no Conselho de Segurança Nacional e de Defesa, com mandato para supervisionar inovação militar e produção de armas de longo alcance. Contudo, o ex-ministro recusou a proposta, alegando que só aceitaria retornar à pasta de Defesa, segundo informações do Financial Times.
A crise ocorre em meio à guerra que já dura mais de quatro anos contra a Rússia, e analistas apontam que o episódio representa um teste político importante para Zelensky, que já havia recuado de decisões impopulares no passado diante de pressão popular, como no caso da lei que restringia órgãos anticorrupção.
Em meio à guerra que já dura mais de quatro anos, o episódio representa um teste político importante para Zelensky, que, pressionado pela rua, optou por uma solução que equilibra continuidade estratégica com maior estabilidade no comando. Apesar do ruído da semana, a Ucrânia pode sair da crise com a capacidade militar mais bem servida.
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