Adriano Machado/Crusoé

Influência de Flávio trava decisões da Receita sobre a Corregedoria

24.09.21 07:02

A queda de braço entre o Planalto e a cúpula da Receita em torno do comando da Corregedoria do fisco ganhou um novo capítulo. Na última semana, o secretário especial da Receita, José Barroso Tostes Neto, instituiu e, logo em seguida, dissolveu, grupos de corregedores que auxiliariam nas investigações internas sobre irregularidades cometidas por auditores. O episódio vem na esteira de uma tentativa do senador Flávio Bolsonaro de emplacar um  apadrinhado na chefia da Corregedoria. A investida do filho 01 do presidente conta com o apoio da Casa Civil, que tem suspendido as indicações vindas do comando do fisco e do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Nesta segunda, 20, o Diário Oficial publicou três portarias de Tostes Neto que dispõem sobre a criação de colegiados com a competência de acompanhar e subsidiar, com pareceres, os processos disciplinares em andamento contra auditores e servidores da Receita. Na prática, o texto apenas tornou oficial uma estrutura que já opera desta forma dentro do fisco, segundo afirmam servidores da Corregedoria. No comando destes três colegiados, Tostes Neto apenas formalizou a indicação de agentes que já atuam nestas funções.

No dia seguinte, o secretário recuou e determinou que as portarias fossem declaradas “insubsistentes” – o que, na prática, significa a revogação dos atos. Fontes na cúpula da Receita Federal afirmaram a Crusoé que o recuo se deu em razão de um pedido do Planalto, atendendo a interesses de Flávio. Segundo membros do fisco, há o temor de que, além de indicar um aliado para chefiar o órgão, o senador queira que o corregedor-chefe tenha o poder de nomear esses grupos de apoio ao órgão – o que compete, hoje, ao secretário da Receita.

Flávio tem atuado pela nomeação de Dagoberto Lemos, auditor aposentado e histórico quadro do sindicato da categoria conhecido por ser um crítico contundente da Corregedoria, e por ter defendido inclusive a criação de um auxílio a auditores demitidos em processos disciplinares, que seria custeado com o dinheiro da contribuição sindical. Por influência do senador, a Casa Civil está há mais de dois meses segurando a nomeação do auditor Guilherme Bibiani, indicado por Paulo Guedes.

O 01 tem um interesse especial na Corregedoria da Receita, porque busca provar na Justiça que auditores vasculharam indevidamente seus dados fiscais. A narrativa é usada pelas advogadas do parlamentar na Justiça para convencer o Judiciário de que houve irregularidades na investigação sobre os desvios de salários de servidores do gabinete de Flávio à época em que ele era deputado estadual. Caso prospere, a tese tem o poder de provocar a anulação das investigações e livrar o senador do fantasma do ‘rachid’ operado por Fabrício Queiroz.

Questionado por Crusoé sobre o pedido da Casa Civil para recuar na estruturação da Corregedoria, Tostes afirmou, por meio de sua assessoria, que não vai se manifestar. A Casa Civil não se pronunciou.

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  1. É impressionante como cada um desses 🐥🐥🐥🐥🐥 crápulas patetóides tem seu jeito particularizado de ser meeeeega asqueroooooso!!!!! Esse marginal cínico aí por exemplo, provoca um tipo específico de vômito nas pessoas antes desconhecido no país!!!!!!

  2. Pois este é o inacreditável dos absurdos envolvendo a perda de tempo à que a administração pública federal é submetida, do ministério da justiça a um conselho de fiscalização, passando por órgãos da saúde... Tudo por causa dos rolos deste Flavio, que tem as rachadinhas do Carluxo e as jogatinas do Eduardo bananinha que não deixam o pai fazermerda sozinho.

  3. Esta familicia não trabalha, eles só fazem tramoias para se beneficiar ou ajudar os aliados , incrível como estes honestos e puritanos sao preocupados em nomear amigo no STF, STJ,Receita e outros órgãos da república, tudo igual a petezada!!Ai esquecem colocam os Trairas em Casa , Bombeiro Ricardão, Esposa 02 vagabunda, que além da guampa , roubou dinheiro da Rachadinha!!!! Kkkkkkkk

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