Lula tira folga no Dia do Trabalho e se enclausura no Alvorada
Pelo segundo ano consecutivo, presidente evita atos públicos nessa data, temendo repetir o fiasco no estádio do Corinthians em 2024
O presidente Lula (foto) não tem nenhum compromisso marcado neste 1º de Maio, Dia Mundial do Trabalho.
A agenda oficial, no site do Palácio do Planalto, afirma que "atualmente não existem compromissos agendados".
O presidente, portanto, vai tirar folga.
A primeira-dama Janja também não divulgou agenda para este 1º de Maio em sua conta no Instagram. "Sem compromissos oficiais", afirma o site do Planalto.
Janja publicou uma imagem de Lula de bermuda, chileno e camiseta na margem do lago Paranoá, em uma área privativa do Palácio do Alvorada, a residência oficial.
"Merecido descanso!", escreveu Janja.
Sem trabalho e sem trabalhador
Ainda que esta sexta, 1º, seja um feriado nacional, o petista historicamente tem usado essa data para forjar uma imagem de líder populista, em contato direto com o trabalhador.
Mas esse já não é o caso de Lula desde o fiasco histórico de 2024.
Naquele ano, o presidente participou de um ato organizado pelos sindicatos no estacionamento da Neo Química Arena, o estádio do Corinthians, time do presidente.
O público de 1,6 mil pessoas decepcionou o presidente, que reclamou ao microfone.
“Ele [Márcio Macedo, então ministro da Secretaria-Geral] é responsável pelo movimento social brasileiro. Não pense que vai ficar assim. Vocês sabem que ontem eu conversei com ele sobre esse ato e eu disse para ele: ‘Oh Márcio, o ato está mal convocado. O ato está mal convocado. Nós não fizemos o esforço necessário para levar a quantidade de gente que era preciso levar’. Mas, de qualquer forma, eu estou acostumado a falar com mil, com um milhão (de pessoas), mas também, se for necessário, eu falo apenas com a senhora maravilhosa que está aqui na minha frente para conversar com a gente”, disse o petista.
Escândalo do INSS
Em 2025, Lula preferiu não comparecer a atos públicos. Ele apenas fez um pronunciamento em rede social no dia anterior.
Naquele momento, o escândalo dos desvios do INSS já tinha estourado, e o irmão de Lula, Frei Chico, aparecia nas manchetes dos jornais por ser vice-presidente no Sindinapi, uma das entidades investigadas.
A estratégia de evitar exposição foi repetida este ano.
Em um pronunciamento em rede nacional, Lula tentou vender a imagem de que está do lado dos trabalhadores.
"Amanhã, 1º de Maio, é o Dia do Trabalhador e da Trabalhadora. Eu quero falar com você, que trabalha duro durante cinco, seis, até sete dias na semana e vê o fruto do seu esforço ir embora para pagar as dívidas da sua família", afirmou o presidente no vídeo.
O petista só omitiu que os brasileiros estão endividados porque a gastança sem freios do governo federal elevou os juros da economia.
Fato é que o presidente já entendeu que não tem mais capacidade de reunir em torno de si os trabalhadores que ele tanto cita nos discursos.
No último dado do Lulômetro, o tracking diário realizado pela Realtime Big Data em parceria com O Antagonista, Lula tem cerca de 50% de "ruim" e "péssimo". O índice de "bom" e "ótimo" não passa dos 30%.
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