Quem compra um carro elétrico no Brasil leva para casa um veículo com autonomia menor do que o mesmo modelo entrega na Europa ou na China.
Os dados são do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), coordenado pelo Inmetro, e da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA).
Conforme o PBEV, a autonomia média dos modelos disponíveis no Brasil varia entre 250 km e 400 km por carga. Na Europa, por sua vez, o ciclo WLTP da ACEA indica que muitos modelos superam os 500 km com facilidade.
O método de medição adotado no Brasil é mais rigoroso do que os usados na Europa e na China, a oferta de modelos no mercado nacional inclui versões com baterias menores para reduzir custos, e o clima tropical eleva o consumo energético da bateria.
Por que o método brasileiro é mais exigente
O ciclo WLTP europeu, contudo, não foi desenhado para temperaturas acima de 30°C, o que favorece resultados de autonomia mais altos em condições que não refletem o uso real no clima tropical.
O calor afeta diretamente as baterias de íon-lítio, tecnologia usada na grande maioria dos elétricos disponíveis atualmente. Em temperaturas acima de 32°C, estudos apontam perda de até 30% da autonomia nominal, já que o sistema de gestão térmica precisa desviar energia para resfriar as células.
Além disso, fabricantes europeus investem em baterias de maior densidade energética. Isso encarece o veículo e, por isso, muitas versões exportadas para o Brasil chegam com configurações de bateria reduzidas para caber no preço final.
O que isso significa para o consumidor
Na prática, quem vive em cidades quentes, como São Paulo, Brasília ou Fortaleza, deve subtrair entre 20% e 30% da autonomia anunciada ao calcular o alcance real do veículo no dia a dia.
Para percursos urbanos de até 60 km por dia, contudo, a maioria dos modelos disponíveis cobre a demanda sem dificuldade.
O Inmetro recomenda que o consumidor consulte a etiqueta PBEV do modelo específico antes da compra, já que a variação entre modelos é grande.





