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EUA derrubaram Maduro apenas por petróleo?

Para cientista político, interesse por matéria-prima é secundário diante da disputa contra China, Rússia e Irã

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João Pedro Farah
4 minutos de leitura 05.01.2026 20:48 comentários 0
EUA derrubaram Maduro apenas por petróleo?
Donald Trump. Foto: Casa Branca
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Momentos seguintes à captura do ditador Nicolás Maduro, no sábado, 3, ganhou força a narrativa de que os Estados Unidos teriam derrubado o chefe do regime chavista por interesse no petróleo venezuelano.

Para o cientista político e pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, Enrique Natalino, a afirmação é "simplista". 

Segundo ele, os EUA já são praticamente autossuficientes na produção do petróleo.

A Venezuela, de fato, já foi um fornecedor importante no passado. No entanto, o sucateamento da PDVSA, a estatal petrolífera cooptada pelo regime, fez despencar a capacidade produtiva do país.

A estratégia de Donald Trump estaria muito mais ligada a interesses geopolíticos, como o afastamento da influência de China, Rússia e Irã no hemisfério ocidental, além do combate ao narcotráfico.

 

Leia a entrevista com Enrique Natalino:

Por que não é correto afirmar que Trump realizou uma operação na Venezuela para garantir petróleo?

A afirmação de que Trump entrou na Venezuela apenas para se apossar das riquezas naturais, principalmente o petróleo, é simplista. Essa interpretação não corrobora a realidade fática nos Estados Unidos, que hoje é quase autossuficiente na produção do petróleo com o aumento da produção interna e as importações de países próximos, como Canadá e México.

No passado era importante para os Estados Unidos. A Venezuela era um fornecedor seguro, estável e importante.  Mas isso acabou perdendo relevância por causa da revolução interna da produção de energia dentro do território americano, como o xisto, e também pelo declínio da produção de petróleo ao longo dos anos. Hoje não responde nem mais pela metade da produção do passado.

Existe uma estratégia de afastar a influência da China, Rússia e Irã da região?

O interesse geopolítico dos EUA de se mostrar novamente como potência hegemônica na região das Américas, no Hemisfério Ocidental, também ajuda a explicar o interesse pelo controle da Venezuela, pela derrubada do regime Maduro e pelo aumento da pressão militar sobre a Venezuela.

Vimos que nos últimos 20 anos a Venezuela se aproximou da Rússia, grande fornecedora de armas, de Cuba, grande fornecedora de ajuda para inteligência e assistência no sentido de espionagem, de repressão interna e também do Irã, fornecedor de armamentos, principalmente drones, para o país.

Os Estados Unidos têm feito essa pressão geopolítica por conta da necessidade de afirmar a sua esfera de influência na região. A enorme pressão militar do governo Trump sobre a Venezuela não se resume apenas a questão energética, mas também há uma maior presença norte-americana no sentido de interesses econômicos, interesses comerciais, interesses financeiros e também uma presença maior no sentido de controle militar sobre a região.

Qual é o peso real do narcotráfico na estratégia dos EUA para derrubar o regime de Nicolás Maduro?

O argumento de combate ao narcoterrorismo ao narcotráfico também faz sentido quando pensamos na enorme mobilização militar que o governo Trump fez para derrubar Maduro por conta das ligações entre a narcoguerrilha e o governo Chávez-Maduro, por conta da passagem de drogas pela Venezuela para os Estados Unidos, para Europa e por fim pelas políticas que foram mais favorecedoras de grupos mais à esquerda.

Na Colômbia, por parte do governo Chávez e Maduro, traz também uma certa leniência do governo maduro com o combate ao narcotráfico. A combinação desses três elementos ajuda a explicar a enorme pressão militar feita sobre a Venezuela e o que ajuda a explicar também porque era tão interessante para Donald Trump derrubar esse regime.

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